06/03/2017 às 08h32min - Atualizada em 06/03/2017 às 08h32min

Cerveja artesanal cai no gosto dos mineiros

Só em Uberlândia existem cerca de 100 produtores caseiros, segundo a Associação Cervejeiros do Triângulo

VINÍCIUS ROMARIO

A cerveja artesanal vem ganhando cada vez mais espaço em todo Brasil, e, em Uberlândia, não é diferente. No mesmo embalo, cresce também a quantidade de produtores de cerveja. Na cidade, já são duas fábricas, consideradas microempresas. Uma delas, produzindo mensalmente cerca de 10 mil litros da bebida. Segundo a Associação Cervejeiros do Triângulo, são cerca de 100 produtores caseiros em Uberlândia e mais de 300 em toda a região.

O empresário Fausto Gabriel dos Santos se diz apaixonado por cerveja e após uma pesquisa de mercado fundou, há oito anos, a ÜberBräu, e, desde então, vem expandindo a marca. “Para ter uma noção, minha produção aumentou 50% de 2015 para 2016, e esperamos que nesse ano cresça 50% novamente”, disse Fausto.

Segundo ele, todo o processo, desde a moagem dos grãos até o engarrafamento da bebida, é feito na fábrica. “Desde o início até a cerveja ser engarrafada e levada para o mercado, leva cerca de 30 dias”, afirmou. Ainda de acordo com ele, a qualidade da bebida é um dos atrativos para que as pessoas apreciem cada vez mais a cerveja artesanal.

O professor Edmar Olegário de Campos Júnior e outros dois amigos também resolveram, há oito meses, produzir a própria cerveja. Segundo ele, o que começou como um hobby se tornou um negócio. “Hoje já produzimos cerca de 100 litros de cerveja por semana, sendo três estilos diferentes”, afirmou.

Ele ainda disse que as variedades de gostos e estilos e o fato de poder beber uma cerveja imaginada por ele mesmo, é uma grande paixão. “Quando a gente consegue produzir um bom produto e os amigos bebem e aprovam, é melhor ainda”.

De acordo com a Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (Acerva Mineira), não há um número exato, mas estima-se que no Estado são produzidos 55 dos 120 tipos de cerveja existentes no mundo. Focando apenas nas micro-cervejarias, hoje são produzidos, em média, um milhão de litros de cervejas especiais, a maioria em Belo Horizonte. Ainda de acordo com a Acerva, Minas possui 30 fábricas de cerveja, das quais 24 são micro-cervejarias.

 

CERVEJEIRO

MAIORIA DAS ARTESANAIS É 100% MALTE

 

Roberto Michelin produz cerveja artesanal há 20 anos. Segundo ele, as diferenças para a cerveja produzida industrialmente são grandes. “Enquanto a cerveja comercial usa em sua fórmula 60% de malte e 40% de outros açúcares extraídos de cereais, como milho e arroz, a cerveja artesanal, em sua maioria, é 100% malte, o que traz uma qualidade e sabor melhores”, afirmou.

Ainda de acordo com ele, a cerveja artesanal leva em média 30 dias para estar pronta para ser comercializada. Já as cervejas industriais gastam, em média, 13 dias. “Todo esse tempo faz diferença. A cerveja artesanal sai mais encorpada, mais saborosa”, ressaltou Roberto.

Ele lembra ainda que, como todo produto com teor alcoólico, a cerveja artesanal também deve ser consumida com moderação. “Não é um tipo de cerveja que o pessoal costuma tomar em grande quantidade e de uma vez, é mais para degustar e apreciar os sabores. Tem que beber com qualidade e não em quantidade”, afirmou Roberto.

 

APRECIADOR

EMPRESÁRIO ESTUDA ORIGEM DAS MARCAS

 

Luciano Nunes já experimentou 300 marcas diferentes

 

O empresário Luciano Nunes Marques, de 37 anos, não tomava bebida alcoólica até outubro do ano passado, quando um amigo ofereceu uma cerveja artesanal. “Eu estava muito estressado com coisas de trabalho, e um amigo disse para eu experimentar uma cerveja, que me sentiria melhor. Realmente dei uma relaxada, dormi bem naquela noite”, disse.

A partir daí, Luciano não parou mais, e, desde outubro, já experimentou cerca de 300 cervejas artesanais diferentes. “Não tenho só bebido, tenho me aprofundado no assunto, buscado informações sobre cerveja, sobre produção. E o melhor, bebendo cervejas internacionais, te ajuda a conhecer a cultura do lugar”, afirmou.

Mas Luciano não pretende ficar só como degustador. Ele já tem olhado os equipamentos para produzir a própria cerveja. “Foi amor à primeira vista e agora tenho como um hobby. É delicioso beber tantos estilos e gostos diferentes de cerveja”.


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