Uberlândia registra média de mil casos de hipertensão por mês em 2025

Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que cidade já registrou mais de 8 mil diagnósticos neste ano; mais de 54% dos pacientes são mulheres

Por PAULO MOTA I DIÁRIO DE UBERLÂNDIA-
6 Min

Uberlândia registra média de mil casos de hipertensão por mês em 2025
Nova diretriz brasileira coloca a aferição 12 por 8 como pré-hipertensão I Foto:Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que, entre os meses de janeiro e agosto de 2025, Uberlândia registrou 8.153 casos de hipertensão arterial, sendo uma média de 1.019 novos diagnósticos por mês ou 33 por dia. Mais de 54% dos pacientes (4.468) são mulheres, enquanto 45% (3.685) são homens.

Ainda de acordo com o levantamento, em todo o ano de 2024, a cidade contalizou 12.588 casos de hipertensão, sendo 6.913 (54,9%) em mulheres e 5.675 (45%) em pacientes do sexo masculino. O quantitativo representa uma queda de 24% em relação ao número de diagnósticos registrados em 2023, quando 9.550 mulheres (56%) e 7.225 homens (44%) foram classificados com hipertensos, totalizando 16.775 casos. 

Segundo o médico cardiologista, André Luis Cautella, dois fatores podem justificar a predominância do gênero feminino nos diagnósticos. “O que justificaria para as mulheres terem mais diagnóstico é de que elas procuram mais por atendimento médico. Homem, normalmente, só vai arrastado pela esposa ou pela mãe, enquanto as mulheres são mais preocupadas com a saúde. Além disso, as mulheres, depois da menopausa, têm maior tendência a ter hipertensão que o homem, mas enquanto jovem, os homens que possuem maior tendência”, explicou.

Conforme dito pelo especialista, a faixa etária mais afetada é a partir dos 40 anos de idade. Segundo ele, é preciso ficar atento aos fatores de risco da doença que podem gerar graves complicações a longo prazo.

“Aqueles que têm histórico familiar têm maior chance de serem hipertensos que aqueles que não têm, mas existem muitos fatores ambientais e de estilo de vida que estão envolvidos também. Tabagismo, sedentarismo, estresse, má qualidade do sono, dieta rica em sal e gordura saturada, todos esses são que influenciam no surgimento da hipertensão”, disse.

Cautella explicou ainda que a hipertensão está diretamente ligada a quadros graves como infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e insuficiência renal, sendo inclusive a segunda maior causa de hemodiálise no mundo, atrás apenas da diabetes. De acordo com o médico, a doença aumenta o risco de várias doenças sistêmicas e é difícil tratar, pois nove em cada dez hipertensos leves, não apresentam sintomas.

“A curto prazo, a hipertensão é uma doença silenciosa que não gera sintomas, mas gera problemas a longo prazo. A maioria dos pacientes que descobrem hipertensão descobrem em consulta de rotina, toda semana eu recebo no consultório alguém que foi fazer renovação de carteira, a pressão deu alta e o médico lá encaminhou. As pessoas até têm sintomas, como uma dor de cabeça, ou tontura, mas associam a outras doenças, pois a hipertensão não tem sintomas específicos”, afirmou.

Para evitar as complicações causadas pela doença, André orienta adotar hábitos de vida saudáveis. “Para reduzir esse risco de futuro de algum problema é importante ter uma dieta saudável, rica em frutas, verduras, legumes, carnes magras, não exagerar na carne vermelha e embutidos, adotar grãos integrais, evitar gordura saturada como a banha no preparo das comidas. E claro, prática de atividade física regular, algo em torno de 150 minutos semanais dividido em três vezes, além de controlar o estresse, a ansiedade e dormir bem”, indicou.

NOVA DIRETRIZ
Nesta semana, a Sociedade Brasileira de Cardiologia estabeleceu a pressão arterial 12 por 8 como pré-hipertensão e não mais comum, como era até então. Essa nova classificação busca identificar de forma precoce indivíduos com risco da doença e incentivar hábitos de vida mais saudáveis como tratamento, ao invés de medicações.

Segundo o cardiologista André Luis Cautella, a medida vai servir para que médicos e pacientes fiquem mais atentos com a doença, mas que o trabalho clínico de muitos especialistas, inclusive o dele próprio, não vai mudar muita coisa. “A minha forma de trabalhar não muda porque eu já trabalhava dessa forma. Há dois dias eu atendi um paciente que até comentou que eu já não tratava como normal a pressão dele que era de 13 por 8”, afirmou.

O objetivo, de acordo com ele, é aumentar o foco do clínico e do cardiologista, para intervir precocemente e agir antes que estes pacientes se tornem de fato hipertensos. “Eu recebo diariamente pacientes com pressão 14 por 8, que foram ao clínico e escutaram que aquilo era normal. A gente deve trazer esse foco na mudança do estilo de vida antes dele se tornar hipertenso, porque quando o paciente já está com a pressão em 15 por 9 ou 15 por 10, ele já tem alterações na parede da artéria, enquanto no pré-hipertenso, ainda não”, explicou.

QUESTÕES NUTRICIONAIS
Quando falamos de hipertensão, a alimentação, especialmente o consumo de sódio, vem à mente de imediato. Para entender melhor como a questão nutricional interfere na pressão sanguínea, o Diário de Uberlândia conversou com a nutricionista, Aline Pilares.

“Muitas pessoas têm um consumo grande de embutidos, como presunto, salsicha, salaminho, mortadela, muitas vezes no café da manhã ou substituindo o jantar por um lanche rápido e esses alimentos são riquíssimos em sódio, além de conter alguns conservantes que também prejudicam a saúde vascular. Geralmente a gente sempre preconiza para diminuir esse consumo e substituir por frango desfiado, ovos, atum, opções mais saudáveis”, disse.

A nutricionista explicou que alimentos ultraprocessados, combinados com um consumo elevado de fast food, bolachas recheadas e alimentos ultraprocessados em geral, são determinantes para quadros de hipertensão. Por outro lado, ela apontou também algumas opções que fazem o papel inverso e podem contribuir para reduzir a pressão arterial.

“Frutas antioxidantes, principalmente as ricas em potássio, como banana, melão, laranja, abacate, porque sabemos que o potássio ajuda a equilibrar o efeito do sódio. Outros alimentos que contribuem nesse controle são os vegetais verdes escuros como, por exemplo, couve, brócolis, espinafre, salada crua, pois esses alimentos contêm muito magnésio e nitrato que vão dilatar os vasos sanguíneos”, recomendou.

Por fim, Aline reforçou que, além da alimentação, se manter dentro do peso é de suma importância para a saúde cardiovascular. “Você ter uma boa composição de massa magra e um percentual de gordura baixo, ajuda no controle de colesterol adequado. Se a pessoa está no sobrepeso, caminhando para a obesidade, descontrola o perfil lipídico, ajudando a desenvolver essas doenças crônicas. O ideal é você manter o percentual de gordura baixo e ter uma composição maior de massa magra e aí vai entrar também a questão da atividade física”, finalizou.

 

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