Casos de transtornos mentais ligados ao trabalho crescem 35% em Uberlândia

Sobrecarga e ambientes tóxicos estão entre as principais causas de transtornos como burnout, ansiedade e depressão, segundo especialista

Por JUAN MADEIRA | DIÁRIO DE UBERLÂNDIA -
3 Min

Casos de transtornos mentais ligados ao trabalho crescem 35% em Uberlândia
Profissionais de saúde e administrativos lideram os registros de transtornos mentais relacionados ao trabalho | Foto: Aonprom Photo/Shuttersotkc

Os atendimentos de transtornos mentais relacionados ao trabalho cresceram em Uberlândia ao longo do último ano, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais. Os casos aumentaram 35%, saindo de 100, em 2023, para 135 em 2024.

 

Ainda de acordo com o levantamento, a faixa etária mais atingida foi de 20 a 29 anos, com 42 notificações. Em seguida, aparecem as faixas de 30 a 39 (33 casos) e 40 e 49 anos (33 atendimentos). As mulheres foram as que mais procuraram atendimento, representando 86% do total, enquanto apenas 14% se trata do sexo masculino. 

 

Os profissionais técnicos de enfermagem lideraram os casos, representando 16,03% do total, seguido por assistentes administrativos (11,45%) e agentes comunitários de saúde (9,92%).  Os dados apontam ainda que 57% dos trabalhadores ficaram temporariamente incapazes de exercer suas funções. 

 

Os dados revelam ainda que, devido aos distúrbios mentais, 82 pacientes desenvolveram o hábito de usar psicofármacos, enquanto 21 relataram consumo de álcool e 18, hábito de fumar.  

 

Em entrevista ao Diário, o psicólogo Hygor Cirino explicou que a Síndrome de Burnout está diretamente relacionada ao ambiente de trabalho. “Ansiedade e transtorno do pânico podem estar associados ao Burnout, assim como depressão”, comentou.

 

Entre os principais sintomas, Cirino destacou o esgotamento físico e mental persistente, a falta de interesse pelas atividades, a sensação de fracasso e alterações no apetite. “Mesmo após um final de semana de descanso, a pessoa sente esgotamento antes de começar a semana. A consequente falta de produtividade pode afetar a autoestima, gerando um sentimento de inutilidade”.

 

O profissional esclareceu que as causas incluem sobrecarga de trabalho, escalas exaustivas, metas excessivas, falta de reconhecimento e suporte, além de ambientes tóxicos e competitividade excessiva.  

 

Sobre o tratamento, o psicólogo enfatizou a importância de buscar ajuda especializada. “É vital identificar os sinais e procurar apoio profissional. Psicólogos podem ajudar no gerenciamento, e psiquiatras podem avaliar a necessidade de medicação. Mas, além disso, as empresas precisam se reorganizar para oferecer ambiente de trabalho que ofereça saúde mental para o colaborador exercer seu trabalho”, finalizou.

 

Uma trabalhadora que enfrentou um burnout recentemente foi Caroline Soares, redatora, que relatou os efeitos da síndrome. “Sentia taquicardia e o corpo rígido. Como trabalho digitando, minhas mãos travavam, e eu também tinha muita insônia. Quando ouvia o barulho do WhatsApp meu coração palpitava forte. Perdi a paciência facilmente e a vontade de sair de casa”.  

 

A crise culminou em um episódio de ansiedade generalizada. “Fiquei mal, meu corpo ficou mole. Achei que estava com dengue. No hospital, detectaram taquicardia e ansiedade generalizada. Fiquei sete dias afastada do trabalho”, compartilhou.

 

Caroline descreveu o ambiente profissional como um dos fatores principais. “Trabalhava em horários desregulados, em um ambiente tóxico. Foi um desgaste muito forte, mas busquei ajuda e hoje estou me recuperando”.

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