Uberlândia registra, em média, 40 casos de violência nas escolas por mês

Mais de 310 ocorrências foram registradas na cidade em 2024; principais infrações são furto, agressão, atritos verbais e desacato

Por JUAN MADEIRA | DIÁRIO DE UBERLÂNDIA -
4 Min

Uberlândia registra, em média, 40 casos de violência nas escolas por mês
A maioria das vítimas (23,3%) tem entre 10 e 14 anos e 59% são do sexo feminino | Foto: Agência Brasil

Em 2024, de janeiro a agosto, Uberlândia registrou 317 casos de violência nas escolas, sendo uma média de 40 ocorrências por mês. Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e do Anuário de Segurança Pública, os tipos de infrações incluem furto, ameaça, agressão, lesão corporal, danos ao patrimônio, atritos verbais e desacato. 

 

O levantamento aponta ainda uma leve queda na quantidade de ocorrências em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a agosto de 2023, a cidade totalizou 332 casos de violência nas escolas. Durante todo o ano, foram 495 infrações.

 

Em relação aos números totais do estado de Minas Gerais, foram contabilizadas 7.961 ocorrências nos primeiros oito meses de 2024. A maioria das vítimas (23,3%) tem entre 10 e 14 anos e 59% são do sexo feminino. Além disso, 22,5% das vítimas estão no ensino médio e 21% cursam o ensino fundamental. 

 

Sobre o perfil dos autores, 33% têm entre 15 e 19 anos de idade e 61,5% são do sexo masculino. A maioria dos agressores (28,7%) cursa o ensino fundamental e 20,1% estão no ensino médio. 

 

Em entrevista ao Diário, o delegado chefe da Polícia Civil, Marcos Tadeu, falou sobre as ocorrências mais frequentes. “As principais infrações nas escolas são vias de fato e lesão corporal. Quando envolvem adolescentes, o caso é encaminhado ao Ministério Público conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente”.

 

Para o oficial, existem fatores que contribuem para a violência praticada entre os jovens. “A banalização da violência, certa impunidade e a perda dos valores básicos, como o respeito. A autoridade do professor, por exemplo, também foi enfraquecida. Uma forma de prevenção para essa situação é os pais fazerem o trabalho de educarem os filhos”, comentou.

 

A assistente social Daiane Mary, que trabalha com casos de violência nas escolas, cita vários motivos que podem levar jovens a cometer infrações nas escolas. “A estrutura familiar é um fator importante. Filhos de casamentos problemáticos ou com histórico de violência doméstica podem reproduzir comportamentos violentos, pois naturalizam essas atitudes”.

 

Ela também ressaltou o papel da assistência social na prevenção. O trabalho de identificação é feito pelos professores, que levam as situações para o assistente social. “A partir daí, podem ser realizadas visitas e diálogos com a família, tentando solucionar o problema antes que ele se agrave”, esclareceu.

• Compartilhe esta notícia no WhatsApp
• Compartilhe esta notícia no Telegram

 

AUXÍLIO

O Governo de Minas, em parceria com o Ministério Público, lançou recentemente o projeto Com Viver, uma ação voltada para capacitar professores e prevenir a violência nas escolas. O curso a distância, disponível até 6 de dezembro, abrange temas como bullying, cyberbullying, neonazismo e prevenção à violência escolar.

 

O curso pode ser acessado pela Escola Virtual do MPMG e pode ser realizado no site da instituição. Com carga horária de 49 horas e dividido em nove módulos, a formação também está aberta ao público externo.

 

A Prefeitura de Uberlândia também adota medidas de segurança nas escolas, como o uso do botão do pânico e o videomonitoramento, que visam proteger alunos e educadores. Essas ações são alinhadas a propostas em tramitação no Congresso Nacional para reforçar a segurança nas escolas de todo o país.

 

Em abril de 2023, o aplicativo “Escola Protegida” foi lançado, com um botão de pânico georreferenciado que aciona a Central de Monitoramento da Secretaria Municipal de Segurança Integrada, exclusivo para profissionais das escolas municipais. Além disso, todas as 122 escolas municipais contam com videomonitoramento interno, com 1,8 mil câmeras, e externo, com 340 câmeras em 134 pontos estratégicos, cujas imagens são compartilhadas com a Polícia Militar.

 

O Município também implementou um ramal telefônico em todas as escolas para contato direto com a Central de Monitoramento e desenvolveu uma página de denúncias no portal municipal. Ações pedagógicas incluem o Grupo Multidisciplinar de Atendimento Escolar (Gumae), que promove rodas de conversa sobre comunicação não violenta, e o Programa Justiça da Escola, que aproxima o Judiciário dos alunos. 


VEJA TAMBÉM:

• Semana deve ser de tempo chuvoso e mínimas de 20ºC em Uberlândia; veja a previsão

 


Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://diariodeuberlandia.com.br/.