15/05/2022 às 15h00min - Atualizada em 15/05/2022 às 15h00min

Mesmo com aumento no preço dos materiais de construção, demanda imobiliária segue alta em Uberlândia

Índice do INCC apresentou variação acumulada de 28,12% no valor dos insumos em 2021; empresários do setor acreditam em mudança de comportamento dos clientes

IGOR MARTINS | DIÁRIO DE UBERLÂNDIA
Construtoras acompanham demanda e planejam mais lançamentos imobiliários em 2022 | Foto: Pixabay
Em 2021, o custo com materiais de construção civil teve variação acumulada de 28,12%, segundo o Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Apesar da alta nos preços, o setor teve o melhor desempenho no Produto Interno Bruto (PIB) desde 2010, com crescimento de 9,7%. Com o mercado aquecido, diversas construtoras de Uberlândia têm registrado aumento na demanda por empreendimentos imobiliários na cidade.

Segundo a gerente da Bari Construtora, Dalyana Campos Porfírio, desde a pandemia da covid-19, os custos com materiais aumentaram, o que afetou diretamente a margem de lucro da empresa, assim como os prazos de entrega de alguns produtos. Durante os períodos mais conturbados causados pelo coronavírus, Dalyana afirmou que insumos, que costumeiramente tinham prazo de entrega de 20 dias, passaram a ser entregues em seis meses. 

Além disso, a gerente disse que com a instabilidade econômica os imóveis ficaram mais caros, mas isso não afetou a procura em nenhum momento. Na visão dela, o aumento da demanda passa por uma mudança de comportamento da população uberlandense. Com o setor em ascensão, Dalyana acredita que os próximos anos serão relevantes no ramo e afirmou que a empresa possui planos de lançar novos empreendimentos ainda em 2022.

“A procura por imóveis cresceu muito. Acredito que tenha sido porque o pessoal começou a ficar mais em casa e passaram a procurar por mais conforto e qualidade de vida. Muitas construtoras têm surgido em Uberlândia e isso é um sinal de que realmente o mercado está aquecido. A cidade é muito boa, porque oferece emprego, educação e saúde, e isso atrai muito investimento, especialmente no ramo imobiliário”, explicou.

BALANÇO POSITIVO
O diretor da Inconew Construções, Pedro Paulo Pina avaliou positivamente o ramo de construção civil em Uberlândia nos últimos dois anos. Em sua visão, a alta capacidade de renda e geração de emprego fez com que o setor se sobressaísse em comparação a outras áreas da economia. Apesar disso, ele relatou dificuldades durante a pandemia da covid-19.

“Nós tivemos um impacto da falta de mão de obra e dos aumentos dos materiais durante a pandemia. Agora, chegamos a um ponto em que os preços estão se estabilizando, mesmo que ainda tenha alguns aumentos. O setor continua aquecido e batendo recordes de vendas. É um setor que não parou, isso também contribui com os números”, disse.

Ainda segundo Pina, a instabilidade econômica vivida no país fez com que várias pessoas começassem a direcionar seus investimentos para o ramo imobiliário e da construção civil. De acordo com o construtor, o mercado financeiro deixou de ser vantajoso para muitas pessoas. “O setor imobiliário é mais previsível e estável. Não conheço ninguém que investiu no ramo e perdeu dinheiro. Já o mercado financeiro é muito instável. Hoje você está ganhando dinheiro, amanhã você perde”, explicou.

Para o restante do ano, Pedro Paulo Pina espera ainda mais movimentação no mercado e aumento no número de contratações e lançamentos de empreendimentos imobiliários. “Uberlândia atrai muitos investimentos e tem investido muito em mobilidade urbana, saúde e educação. Esse conjunto de fatores atrai muita gente para a cidade”, complementou o diretor.

MATERIAIS
Dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi) registraram uma variação de 0,99% em março no preço dos materiais. Segundo o levantamento, o acumulado do primeiro trimestre de 2022 ficou em 2,29% e a alta no indicador nos últimos 12 meses foi de 15,75%.

O Sinapi produz séries mensais de custos e índices para o setor habitacional, salários de mão de obra, preços de materiais, máquinas e equipamentos e serviços da construção para os setores de saneamento básico e habitação. As estatísticas levantadas ajudam na análise de avaliação de orçamentos e atualização de valores das despesas nos contratos.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Sinduscon-TAP), Efthymios Panayotes Emmanuel Tsatsakis, foi possível notar no último ano aumentos consideráveis em materiais como aço, cobre e PVC. O principal motivo da alta, segundo ele, foi o fechamento de usinas devido à pandemia.

Mesmo com o impacto no preço final de empreendimentos imobiliários, Panayotes afirmou que o coronavírus resultou em uma mudança de mentalidade do consumidor, que passou a valorizar mais o imóvel, e também por parte das construtoras, que perceberam a demanda e criaram uma oferta significativa na construção civil.

O presidente da Sinduscon afirmou que atualmente é possível encontrar imóveis com grande diversidade na cidade, com diferentes localizações e preços, o que contribui ainda mais para o aquecimento do mercado na região.

“O empresariado está com cada vez mais lançamentos e com maiores ofertas. Todos esses fatores geram positividade na quantidade de imóveis ofertados, tanto para pessoas que buscam uma residência como para os que procuram um imóvel como fonte de investimento”, relatou Efthymios.


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