28/01/2022 às 11h48min - Atualizada em 28/01/2022 às 11h48min

Escolas particulares e estaduais não pretendem exigir comprovante de vacinação dos alunos para retorno das atividades

Início do ano letivo está previsto para acontecer na próxima semana; Prefeitura ainda não esclareceu se haverá obrigatoriedade da imunização nas escolas municipais

GABRIELE LEÃO
Prefeitura ainda não esclareceu se haverá obrigatoriedade da imunização nas escolas municipais I Foto: AGÊNCIA BRASIL
O início do ano letivo em algumas redes educacionais está previsto para acontecer na próxima semana e, até o momento, as escolas estaduais e particulares de Uberlândia não pretendem exigir o comprovante de vacinação contra a covid-19 para a realização das matrículas e participação dos alunos nas atividades. Em relação às escolas municipais, a Prefeitura ainda não esclareceu se haverá obrigatoriedade da imunização para o retorno das aulas.
 
De acordo com a presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Triângulo Mineiro, Átila Rodrigues, até o momento, não há estudos sobre a possibilidade de cobrar o comprovante, mas que a resposta definitiva só será pronunciada caso a Prefeitura de Uberlândia decida optar pela obrigatoriedade. Nas escolas particulares da cidade, as aulas voltam no dia 2 de fevereiro.

“As atividades voltarão com todas as medidas de biossegurança, mas, até o momento, não existe nenhuma exigência do comprovante de imunização das crianças”, explicou.

Questionada sobre o ensino híbrido, Átila Rodrigues informou que algumas escolas podem oferecer o sistema online para o público de 5 a 11 anos, que começou a ser vacinado no último dia 19 de janeiro. Contudo, para crianças a partir dos 12 anos, o ensino passa a ser obrigatório de forma presencial.

“Percebemos diversos furos no ensino online, e sabemos que isso impacta no aprendizado dos alunos, dessa maneira, os pais estão adeptos ao retorno das aulas. Percebemos, é claro, o aumento dos casos de covid-19 nos últimos dias, mas a expectativa é que esses números caiam até o retorno oficial do ensino”, explicou.

A presidente do sindicato ainda reforçou que os pais que observarem que os filhos estão com sintomas da doença entrem em contato com a escola e façam o tempo necessário de isolamento para evitar o contágio. “Sabemos que a vacinação é algo extremamente importante para evitar internações e complicações causadas pelo vírus, principalmente entre as crianças e adolescentes, que também são alvos do covid-19”, contou.

ESTADO
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou que na rede estadual de ensino não é necessária a apresentação de cartão de vacinação para a matrícula dos alunos ou para a participação das atividades letivas e não está prevista a exigência do documento.

Em Uberlândia, as aulas nas escolas estaduais estão previstas para começar no dia 7 de fevereiro em formato presencial nas 66 unidades da cidade.

MUNICÍPIO
No Município, o início do ano letivo está previsto para acontecer no dia 7 de fevereiro. Para isso, a Prefeitura de Uberlândia realizará, neste sábado (29) e domingo (30), um mutirão de vacinação para o público de 5 a 11 anos. Serão convocadas cerca de seis mil crianças que estão cadastradas no Portal da Prefeitura e aptas a receber as doses.

A vacinação deste público será nas 16 salas de vacina definidas pela Secretaria Municipal de Saúde e que devem ser escolhidas pelos pais no momento do cadastro da criança.  O Município reforça que devem comparecer aos locais de vacinação somente quem recebeu a confirmação do agendamento e que serão vacinadas somente as crianças que estiverem na presença de um dos responsáveis registrados no ato do cadastro.

O Diário de Uberlândia procurou a Prefeitura de Uberlândia para saber se há expectativa de o Município cobrar o passaporte vacinal nas escolas da cidade, mas até a publicação desta matéria não houve retorno.

VACINAÇÃO
De acordo com a Prefeitura de Uberlândia, 26 mil crianças de 5 a 11 anos de idade já estão cadastradas no portal de vacinação. O Município estima que há 56 mil crianças aptas para a imunização na cidade.
 
A pediatra e oncologista infantil, Maina Tavares Zanoni, relatou que os meses de dezembro e janeiro registraram aumento no número de casos de covid-19 entre as crianças, além dos sintomas da síndrome gripal. Segundo ela, a vacinação deste público é muito importante para a prevenção da doença, principalmente no período das aulas escolares.

“Esse surto da pandemia também é visível nas crianças. Se no início esse público apresentava menor preocupação, agora o cenário já se torna diferente. Com a volta às aulas, a vacinação é um fator essencial para a proteção das crianças, da comunidade educacional e da família. Se a criança está vacinada, há menos chances de complicações causadas pela covid-19. Além do mais, a imunização ajuda a frear a evolução do vírus e evita que outras cepas sejam disseminadas”, completou.

Uma cartilha publicada pela Sociedade Brasileira de Pediatria mostra que, em 2021, cerca de 34 mil pessoas, de até 19 anos, foram diagnosticadas com covid-19. Dessas, 2.500 morreram por complicações da doença.

A pesquisa ainda aponta que crianças maiores de 5 anos e adolescentes representaram aproximadamente 50% destas mortes. Entre as crianças e adolescentes hospitalizados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por covid-19 no Brasil, a taxa de letalidade foi de 7%.

A médica ainda comentou que a vacina contra covid-19, assim como de outras doenças, apresenta efeitos colaterais, mas que os benefícios ainda são maiores do que as complicações.

“Foram feitos muitos estudos e testes antes de serem liberados para crianças e percebemos a desconfiança dos pais para aderir à vacinação, mas podemos afirmar que existem muito mais benefícios do que malefícios, de acordo com as pesquisas realizadas”, comentou.

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