11/12/2021 às 13h00min - Atualizada em 11/12/2021 às 13h00min

Aumento da taxa Selic deve afetar 60% das micro e pequenas empresas de Uberlândia

Empresas do município que buscaram opções de empréstimos para evitar fechamento causado pela pandemia de covid-19 vão pagar juros mais altos

GABRIELE LEÃO
Estimativa é que a taxa básica de juros chegue a 11,25% no fim de 2022 | Foto: Agência Brasil
O reajuste de 9,25% da taxa básica de juros, a Selic, anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), deve afetar micro e pequenos empresários que optaram por realizar empréstimos para evitar o fechamento dos negócios por causa da pandemia de covid-19. A estimativa é que o aumento represente um impacto negativo em mais de 60% das empresas de Uberlândia, de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Uberlândia (CDL).

Esse é o maior patamar desde julho de 2017, mês em que a Selic também atingiu o índice de 9,25% ao ano. Essa última alta foi de 1,5 ponto percentual, o sétimo aumento consecutivo no ano. Com o reajuste, os juros subiram 7,25 pontos percentuais ao longo de 2021. A taxa é o principal instrumento para controlar a inflação. 

Mas, essa não é uma notícia nova para os economistas, que já esperavam o clima de recessão causado pelo aumento da inflação. De acordo com o economista Benito Salomão, as estimativas das principais instituições já indicavam este resultado. 

“No contexto geral, por causa da instabilidade do governo e alta da inflação, a expectativa é que esse aumento permaneça pelo menos para os próximos trimestres de 2022. O aumento da Selic causa juros mais altos que provocam redução dos índices de bolsas de valores e isso impacta, em médio prazo, o setor de empregos e renda da população, por exemplo. Por causa disso, para o próximo ano, a projeção é de recessão”, comentou o especialista. 

O economista ressaltou ainda que o efeito natural sobre os juros de crédito impacta diretamente na redução do consumo e investimentos. “Os setor de serviços será o mais afetado, pois está ligado à geração de empregos e possui menos capital. No próximo ano teremos um cenário político e até o final de 2022 ainda teremos muitas altas”, explicou. 

BUSCA POR CRÉDITO NA CIDADE
Em entrevista ao Diário, o consultor da Câmara de Dirigentes e Lojistas de Uberlândia (CDL) pontuou que em 2020 diversos pequenos e microempreendedores do município buscaram soluções em empréstimos para manter os negócios abertos durante a pandemia. Um dos bancos associados da CDL liberou crédito de mais de R$ 99 milhões para empréstimos entre 2020 e 2021. 

No ano passado, a taxa de juros para os empresários era de 1,25% mais a taxa Selic, até então fechada em 2%.  Com o ajuste de 2021, em 9,25%, o empresário agora terá taxas mais altas e isso afeta mais de 60% das empresas de Uberlândia, segundo a CDL. 

“Nós sabemos das dificuldades enfrentadas pelos comerciantes, principalmente quando houve o fechamento do comércio, e aqueles que recorreram para a alternativa de empréstimos para se manterem abertos, a partir deste ano, já tem valores mais altos para quitar o débito e a maioria não sabia que seria todo esse aumento”, destacou. 

CONSEQUÊNCIAS
O aumento do juro básico da economia já está resultando em taxas bancárias mais elevadas e a tendência é de que novos reajustes também sejam repassados aos clientes.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2020 em 4,25%, acima da meta, que era de 4%. A taxa de juros estava em 2% ao ano, o menor patamar da série histórica.

Agora, os dados mais recentes de inflação mostram que a taxa chegou a 10,67% no acumulado de 12 meses, até outubro. Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, o mercado financeiro estima que o índice de preços ficará em 10,18%.

Ainda de acordo com o relatório, em uma pesquisa com mais de 100 instituições financeiras, a Selic deve chegar a 11,25% ao ano no fim de 2022.


 

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