30/11/2021 às 12h25min - Atualizada em 30/11/2021 às 12h25min

Nova variante da covid-19 preocupa especialistas de Uberlândia

Infectologistas afirmam que flexibilização de medidas de segurança e falta de vacinação por parte da população podem auxiliar no surgimento de uma 4ª onda

MARIELLE MOURA
Segundo especialistas, é questão de tempo para nova variante chegar ao Brasil I Foto: PETER ILICCIEV/FIOCRUZ
A flexibilização das medidas sanitárias, a promoção de eventos com grande aglomeração de pessoas e a falta de vacinação por parte de algumas pessoas podem ser decisivas para a quarta onda da covid-19 no Brasil. O Diário de Uberlândia conversou com especialistas que afirmaram que a nova cepa Ômicron, descoberta na África do Sul, pode chegar ao país, mas que devido a cobertura vacinal a contaminação deve ser mais branda. Os especialistas ainda informaram que reuniões de fim de ano e Carnaval são preocupações para o aumento de casos.
 
Segundo o imunologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Rafael Rezende, não é possível prever quando a nova cepa Ômicron chegará ao Brasil em razão da falta de vigilância nas fronteiras. “Em relação ao espalhamento desta cepa em outros países do mundo isso, é inevitável que isso vai acontecer porque hoje não temos um controle de fronteiras pela vigilância genômica que consegue identificar qual a cepa que a pessoa está infectada”, disse.
 
Rafael informou que a nova cepa foi identificada na África do Sul na primeira quinzena de novembro. Segundo ele, os primeiros resultados mostram que a Ômicron é similar à variante Delta e que é preocupante devido a alta taxa de transmissão. “Nós acreditamos que a Ômicron tem o mesmo poder de transmissão que a variante Delta e um potencial maior de infecção”, informou.
 
O imunologista ainda informou que, de acordo com os primeiros casos analisados da  nova cepa, os pacientes apresentaram uma particularidade: “Os primeiros pacientes chegaram com sintomas muito parecidos com uma gripe comum e não perderam o paladar e nem o olfato, que é o sintoma particularmente relacionado à covid-19”, explicou.
 
4ª ONDA
Para o infectologista Abel Dib Rayashi é uma questão de tempo para a nova variante chegar ao Brasil e, consequentemente, à região de Uberlândia. Contudo, segundo ele, há uma diferença entre a 4ª onda e o surgimento de novas cepas da doença.
 
“É uma questão de tempo para a variante chegar, principalmente, com as fronteiras abertas, assim como foi com as outras cepas. Mas é importante dizer que não podemos associar ondas pandêmicas com o surgimento de novas cepas. Essa 4ª onda pode acontecer pelo relaxamento de medidas sanitárias”, explicou.
 
Segundo Abel, apesar de serem assuntos distintos, a quarta onda no Brasil pode ser patrocinada pela Ômicron.  “A quarta onda no Brasil pode ser patrocinada por essa nova cepa devido ao afrouxamento das medidas sanitárias, parte da população que não quer se vacinar e também pela permissão de festas como o Carnaval. Isso tudo junto à nova cepa é o cenário ideal para o aumento de casos”, explicou.
 
Outro infectologista, Henrique De Villa Alves também informou à reportagem que o afrouxamento das medidas sanitárias e festas com aglomerações podem ser fatores de risco para o aumento de casos. “Percebemos que a população está mais despreocupada em relação a higiene das mãos e uso de máscara. Quando abaixa a guarda abre um caminho para que o vírus retorne”, ressaltou.
 
Henrique finalizou dizendo que o surgimento de uma nova onda no país pode acontecer, principalmente, por causa das pessoas que ainda não receberam nenhuma dose das vacinas contra a covid-19.
               
“É possível que tenhamos uma nova onda entre aquelas pessoas que não tomaram a terceira dose ou que ainda não foram vacinadas. A cobertura vacinal é muito boa, mas ainda conhecemos aquelas pessoas que não tomaram a vacina por ideologia própria e isso é muito perigoso porque a vacinação não protege apenas você, ela protege a todos”, disse.
 
AGLOMERAÇÕES
Segundo os especialistas, as aglomerações de fim de ano e a liberação do Carnaval em algumas cidades é motivo de preocupação em relação à promoção da quarta onda no país. “Cada cidadão deve colocar a mão na consciência e pensar se vale a pena ou não se colocar e colocar a família em risco” disse Henrique de Villa Alves.
 
O infectologista Abel Dib Rayashi alertou que, assim que alguma pessoa apresentar qualquer sintoma da doença, ela deve se isolar. “Se eu estou doente eu me isolo, reforço às medidas higiênicas e, principalmente, não vou a festas que tem aglomeração”, completou.
 
VACINAS
O  imunologista da Fiocruz Rafael Rezende ainda informou que os estudos sobre a eficácia das vacinas contra a nova cepa são muito recentes, mas que não existe vacina que não proteja nada contra alguma doença.
 
“A Universidade de Oxford foi a única que divulgou que já iniciou os estudos para avaliar a eficácia da vacina em relação a nova variante. Acreditamos que na próxima semana podem surgir resultados sobre a eficácia das vacinas. Mas de uma coisa temos certeza, mesmo que a vacina não tenha uma eficácia muito alta para essa variante, alguma eficácia ela vai ter, por exemplo, prevenir a morte”, explicou. 

 

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