28/11/2021 às 13h00min - Atualizada em 28/11/2021 às 13h00min

Uma a cada quatro mulheres sofre de depressão pós-parto e especialista de Uberlândia fala sobre sintomas e tratamentos

O Diário conversou com uma mãe que teve a doença; cuidados na gravidez e nascimento do bebê podem influenciar o distúrbio

MARIELLE MOURA
Depressão pós-parto atinge 25% das mulheres | Foto: PIXABAY
A depressão pós-parto atinge 25% das mulheres no Brasil, sendo os dados da Fiocruz. Em Uberlândia, uma mãe que teve o transtorno contou ao Diário como foi passar pela doença. Uma especialista da cidade comentou sobre causas e tratamentos do transtorno. 

A auxiliar de produção Luciene Vieira Gomes Ferreira teve depressão pós-parto em 2020 quando deu à luz a primeira filha. Segundo ela, a gravidez não foi planejada e depois do nascimento da bebê ela não tinha vontade de cuidar da criança.

“Eu passeava muito com meu marido e quando engravidei pensei que aquilo tinha acabado, parece que estava me impedindo de fazer as coisas. Quando sai do hospital eu só queria ficar chorando,”, disse

Luciene ficou cerca de oito meses com o transtorno e só conseguiu se recuperar da doença com medicamentos. “É um sentimento que você não sabe de onde vem, tive que fazer acompanhamento no CAPS com psicólogos e medicamentos”, informou.

A auxiliar ainda disse que o apoio do marido e da mãe dela foi fundamental para conseguir vencer a doença. “Minha mãe ficava comigo, mas não tomou frente nos cuidados com a minha filha, ela me falava que eu precisava fazer, se não fosse isso, eu teria ficado pior”, completou.

A psicóloga Maria Augusta Silvestre informou que a doença tem vários fatores que a influenciam, dentre eles a mudança no corpo da mulher, o cuidado e a atenção que a grávida tem na gestação e a experiência vivenciada no nascimentos. 

Maria Augusta ainda comentou que a maioria das mulheres têm um distúrbio chamado “baby blues” logo após o nascimento que, muitas vezes, pode ser confundido com a depressão pós-parto. “A maioria das mulheres tem o baby blues logo depois que o bebê nasce, até uns 15 dias. A depressão vai aparecer depois desses 15 dias e consideramos até um ano do bebê”, explicou.

A psicóloga listou que entre os sintomas estão dificuldade de se alimentar, insônia, não conseguir se relacionar com as pessoas, sentimento de vazio e falta de vontade. E que em alguns casos mais graves o mais perigoso é o suicídio materno.

Maria Augusta também comentou que também é perigoso para o bebê conviver em um ambiente em que a mãe está passando pela depressão pós-parto. “Também tememos pela saúde da criança, pois ela não precisa somente dos cuidados físicos, mas do olhar, da atenção e do carinho dessa pessoa que cuida dela”, informou.

Por fim, a psicóloga explicou que a depressão pós-parto não se limita só às mulheres. Os homens também podem desenvolver a doença. “Ter um filho é uma situação que altera a forma de viver e se apresentar na sociedade para ambos e não só para a mulher”, completou. 

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