17/10/2021 às 11h00min - Atualizada em 17/10/2021 às 11h00min

Doutoranda da UFU realiza estudo sobre a influência da imprensa na criação da identidade feminina

Estudo tem como objetivo mostrar como as mídias são responsáveis pelos padrões femininos; pesquisa será aperfeiçoada nos Estados Unidos

LORENA BARBOSA
Gisllene Rofer vai ficar seis meses na Universidade da Califórnia Berkeley fazendo um estudo comparativo entre Brasil e Estados Unidos | ACERVO PESSOAL
Uma pesquisa sobre a imprensa feminina, realizada pela doutoranda Gisllene Roffer, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Uberlândia (PPGED/UFU), será aperfeiçoada na Universidade da Califórnia Berkeley, nos Estados Unidos. O objetivo do estudo é mostrar uma análise da influência exercida pela imprensa sobre a criação da identidade feminina.
 
De acordo com a doutoranda, a decisão de aprofundar os estudos sobre a imprensa feminina se deu depois da percepção da diferença de abordagem de assuntos escritos para mulheres e homens. O objeto da análise foi a revista Cruzeiro que teve grande influência não apenas no jornalismo, mas nas famílias de todo o Brasil no século 20.
 
Ao estudar mais a fundo, Gisllene percebeu a influência da revista americana Ladie's Home Journal na forma de escrita da publicação brasileira. Nas bibliotecas da universidade da Califórnia, ela pretende fazer um levantamento de referencial bibliográfico e visitar os arquivos para coletar materiais que vão fazer parte do estudo, comparando as publicações do Brasil e Estados Unidos.
 
Com a comparação, será possível compreender de que forma revistas norte-americanas, em especial entre os anos de 40 e 50, publicavam textos e imagens para educar as mulheres para um modo de ser e estar no mundo. Ensinando qual tipo de corpo, beleza e comportamento deveriam buscar para serem aceitas socialmente e também qual era o papel delas na família e o lugar delas na sociedade.
 
“O meu olhar principal é entender o jornalismo como uma instituição. Assim como a escola nos educa. O jornalismo também. Aqueles textos educavam as mulheres pela forma de ser e pensar”, explicou Roffer.
 
De acordo com a doutoranda, embora a mídia tenha mudado bastante com o avanço do tempo, os discursos e representações do século 20 ainda são muito fortes nos dias atuais. Hoje essa influência acontece ainda pelas redes sociais. Enquanto a mídia do século 20, usava modelos perfeitas de Hollywood para fazer essa influência, hoje programas de edição também exercem essa função.
 
“As pedagogias da beleza, do corpo e de que existem uma ideia de perfeição. Isso teve no passado e hoje nas mídias sociais. Uma imagem de corpo perfeito vende, mas o que isso causa nas mulheres?”, questionou a doutoranda.
 
A pesquisadora explica que ainda está no processo de levantamento, mas que já tem pensado na conclusão do projeto. E um dos objetivos do estudo é mostrar que o valor feminino ainda está muito ligado à questão da busca pela beleza e dos padrões de corpo e comportamento muitas vezes ditados pela imprensa, e atualmente também pelas mídias sociais.
 
“O que eu quero mostrar é isso, que a identidade feminina vai muito além de questões de beleza, padrões de corpo ou habilidades. Nosso valor está em sermos mulheres. E não em aparentamos ter as representações que se esperam de mulher para o tempo social, histórico e cultural que a gente vive”, finalizou Gisllene Roffer.
 
 

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