19/09/2021 às 12h00min - Atualizada em 19/09/2021 às 12h00min

Lojistas de Uberlândia percebem aumento na procura por produtos usados

Com crise e consciência de gastos, consumidor tem procurado por opções de melhor custo-benefício; a nível nacional, aberturas de empresas do segmento cresceu quase 50%

GABRIELE LEÃO
Brechó conquistou população durante a pandemia | ARQUIVO PESSOAL
As vendas de produtos usados tiveram um crescimento significativo durante a pandemia da Covid-19. De acordo com um levantamento do Sebrae, o número de aberturas de estabelecimentos que comercializam produtos de segunda mão teve um crescimento de 48,58%, entre os primeiros semestres de 2020 e 2021. A realidade não é diferente para comerciantes de Uberlândia que registraram um grande aumento na procura de itens usados neste período de crise financeira.

Ainda de acordo com os dados do Sebrae, foram abertas, no primeiro semestre deste ano, 2.104 novas empresas no segmento de produtos usados, sendo 1.875 microempreendedores individuais (MEI) e 229 empresas de pequeno porte. No mesmo período do ano passado, haviam sido criados 1.298 MEI e 118 pequenas empresas.

Thiago Augusto é gerente de uma loja de revenda de celulares e nos últimos meses tem percebido o aumento na procura por produtos seminovos.  “Antes da pandemia, a cada 50 vendas, apenas 10 eram de produtos seminovos. Desde o início da pandemia, essa realidade foi alterada. Atualmente, se temos 100 vendas na semana, metade são de produtos usados e o restante de produtos novos”, comentou.

De acordo com o gerente, os clientes se atraem pelo custo-benefício dos aparelhos seminovos. a pouca diferença entre os valores. “Além do custo-benefício ser atraente, temos percebido que os clientes estão mais conscientes dos gastos e mais adeptos às novas tecnologias. Atualmente nossos clientes têm entre 20 e 40 anos e buscam aparelhos com sistema operacional mais atual”, explicou.

A loja cresceu durante a pandemia e multiplicou os atendimentos pelas redes sociais. “A pandemia também acelerou essa comercialização e vendas online, o que foi muito benéfico para o setor e ajudou a passar pelas oscilações causadas pelo fechamento do comércio”, contou o gerente.

BRECHÓ
A realidade também não foi diferente para a proprietária da Vestidas de Brechó, Carolina Portilho. A empresária começou a loja em 2015, pelo Facebook. A vontade de empreender no ramo da moda ficou adormecida e com a pandemia e com mais tempo para se dedicar ao trabalho a empreendedora resolveu investir nas redes sociais para oferecer os produtos de segunda mão.

“Existe uma realidade e aceitação mais abrangente do brechó ultimamente. E para empreender, comecei vendendo as minhas próprias peças que, mesmo guardadas, são atemporais e estavam em bom estado. A loja que foi reaberta na pandemia teve resultados positivos, pois além de ser mais fácil vender pela internet, consigo abranger um público que está mais consciente com o valor das coisas, principalmente agora da pandemia”, explicou.

Portilho não vive apenas da renda do brechó, mas com o crescimento e expansão no último ano, agora projeta novos planos, como uma loja física e e-commerce.

“Com a internet consigo vender cerca de 80% dos produtos que posto durante a semana, o que é um resultado muito bom. E pensando nessa grande aceitação do público com as peças de segunda mão, o próximo passo é montar uma loja física para ter mais peças e opções para atender o público na região, e futuramente um site com entregas nacionais”, comentou.

Carolina ainda comentou sobre a expansão do mercado na internet e a facilidade de empreender, mesmo em tempo de crise.  “As redes sociais abriram um leque de opções para empreendedores, fornecedores e clientes. Hoje em dia é muito mais fácil oferecer produtos online e tirar dúvidas sobre em qual ramo empreender”, completou a empresária.


 

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