15/09/2021 às 18h23min - Atualizada em 15/09/2021 às 18h23min

Pesquisadores da UFU encontram duas novas espécies de plantas em Uberlândia

Espécimes foram catalogadas em área do Clube Caça e Pesca e no alto do Rio Uberabinha

SÍLVIO AZEVEDO
Microlicia deflexa foi encontrada na área do Caça e Pesca em Uberlândia | Foto: Divulgação

Em meio a diversas notícias negativas relacionadas ao desmatamento e queimadas, que deterioram o bioma do cerrado diariamente, pesquisadores de Uberlândia descobriram duas novas espécies de plantas do cerrado na região. 

 

Denominadas Microlicia deflexa e Microlicia johnwurdackiana, as espécies foram coletadas no Clube Caça e Pesca e Itororó e em áreas no alto do Rio Uberabinha. As descobertas foram feitas pela bióloga Rosana Romero, doutora e professora do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Rodrigo Valentim, aluno de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, do Instituto de Biologia da UFU, com apoio da FAPEMIG, CNPq e UFU, e publicada como artigo científico na revista especializada, Phytokeys, nesta segunda-feira (13). 

 

A Microlicia deflexa foi encontrada, além da área do Caça e Pesca, no Santuário do Caraça, que fica em Catas Altas (MG) e na Serra dos Pireneus, em Goiás. Já a Microlicia johnwurdackiana foi encontrada apenas em Uberlândia e Uberaba.

 

“O Brasil é um dos países mais diversos com cerca de 40 mil espécies de plantas e, certamente, este número é muito maior, pois muitas espécies ainda não foram descobertas, pois com mencionado acima, este processo é bastante minucioso. Estas descobertas são importantes, pois mostra que ainda conhecemos pouco a biodiversidade que nos cerca e que estamos perdendo áreas importantes, cuja flora ainda nem conhecemos”, disse Rosana.

 

As descobertas, para a professora, deveriam desencadear mais ações de preservação do cerrado, cada vez mais degradado pelo desmatamento para ocupação e as queimadas. A preocupação da pesquisadora é que a Microlicia johnwurdackiana estavam em áreas que não protegida por nenhuma unidade de conservação.

 

“Uma das espécies descritas neste artigo, Microlicia johnwurdackiana, é conhecida somente por duas populações: uma no Clube Caça e Pesca Itororó e em uma área particular, no alto curso da Bacia Hidrográfica do Rio Uberabinha, município de Uberaba. Por apresentar uma ocorrência bastante restrita, neste artigo nós avaliamos esta espécie como “criticamente em perigo”, ou seja, ela tem sido fortemente ameaçada pelos incêndios frequentes, coletas predatórias, especulação imobiliária e expansão agrícola”.

 

PROCESSO

Para se chegar ao reconhecimento de uma nova planta, é necessário que o pesquisador da área de botânica tenha conhecimento de todas as espécies de gêneros de plantas. Com isso, deve-se excluir todas as possibilidades de que ela já foi descrita por um outro pesquisador. Um trabalho que pode levar muito tempo para ser concluído. 

 

“Com relação ao gênero Microlicia, ele é composto de aproximadamente 300 espécies. O que isso significa? Significa que eu conheço as 300 espécies já descritas e que, no caso das espécies de Uberlândia, eu excluí a possibilidade que de que ela fosse uma dessas espécies. Feito isso, é preciso organizar um manuscrito com descrição detalhada, ilustrações e imagens da planta. Só depois que a planta é publicada em uma revista especializada, ela passa a existir para a ciência”, explicou Rosana.

 

Já a escolha pelo nome é algo mais particular do pesquisador. No caso da Microlicia johnwurdackiana, Rosana homenageou o botânico americano John Wurdack (1921-1998), que dedicou parte de sua vida ao estudo das Melastomataceae, da família das quaresmeiras, e que descreveu mais de 900 espécies. “Há 25 anos, quando iniciei meus estudos com esta família de plantas, ele gentilmente me recebeu no Instituto Smithsonian, em Washington, por um período de três meses me ensinando muito sobre esta família”.



 

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