07/09/2021 às 08h30min - Atualizada em 07/09/2021 às 08h30min

Especialista de Uberlândia fala sobre importância da educação financeira para crianças

Moradora da cidade ensina aos filhos como guardar e economizar dinheiro para o futuro

DA REDAÇÃO
Consultora financeira Gabriela Lima Aidar explica que educação financeira deve começar na infância | ARQUIVO PESSOAL
Para muitos, dinheiro não é assunto de criança, principalmente, no Brasil onde historicamente as pessoas não têm fácil acesso a estudos sobre finanças pessoais. Segundo a consultora financeira, Gabriela Lima Aidar, o reflexo disso é a grande busca das pessoas por ajuda para lidar com as próprias contas na vida adulta. Para a especialista, é preciso mudar esse cenário, inserindo no cotidiano das crianças o tema desde o momento em que elas passam a entender o que é certo e errado e o que podem ou não fazer.
 
Seguindo bem esse conselho, a professora Iara Bernardes tem instruído desde cedo os três filhos, Benjamin, Isadora e Maria Luísa, de 5, 7 e 8 anos de idade, a cuidarem do próprio negócio. Um brechó online que os pequenos administram com a ajuda da mãe. As irmãs mais velhas colocam a mão na massa e o caçula ajuda fazendo a divulgação na escolinha.
 
A ideia partiu da filha do meio, Isadora. Há cerca de dois anos, ela sugeriu vender as roupas para arcar com os custos de uma aula de balé, que a mãe disse que não poderia pagar.
 
“Ela queria fazer uma venda na garagem para pagar pelas aulas. Disse que venderia as roupas que não usava mais. Ela já tinha tudo planejado, onde seria, como faria, o nome. Com a pandemia, nós criamos um Instagram e passamos a anunciar as peças nesse perfil”, explicou Bernardes.
 
Com a pandemia, os planos das duas meninas mudaram e, ao invés do balé, as irmãs decidiram investir em aulas online de música. “Devido a esse período, não foi possível o balé. Mas, elas ganharam teclado e violão dos avós e decidiram investir na música. As aulas já vão começar e elas mesmas vão arcar com os valores”, detalhou a mãe.
 
Iara contou ainda que o gosto pelo empreendedorismo vem de família. A mãe dela, avó das crianças, sempre vendeu artesanatos, assim como a professora que também já foi consultora de vendas de produtos de maquiagem e também de semijoias. Depois da criação do brechó, Iara passou a ensinar as crianças a como lidar com o dinheiro das vendas. A mãe também orientou que é preciso guardar parte do valor, investir no negócio e depois obter lucro e dividir entre elas. Ela disse que ensiná-los sobre isso é uma lição para toda a vida.
 
“O brasileiro não tem uma cultura de guardar e investir. Além do brechó, eles têm as mesadas e o dinheiro que ganha dos avós e tios. Eu trabalho com eles a importância em saber definir prioridades e o que eles vão precisar para comprar o que eles querem. Hoje, eles se programam para comprar um patins, mas amanhã é um carro ou uma casa. A gente precisa aprender a trabalhar com o dinheiro”, complementou.
 
A consultora financeira Gabriela Lima destacou ainda que é preciso trabalhar essa questão com as crianças de forma lúdica, com leveza. “Com 3, 4 anos elas já conseguem entender que o dinheiro pode dar a ela algumas coisas. Então a partir daí pode-se introduzir o uso do cofrinho, por exemplo. Quando a criança chega aos 6, 7 anos, podemos ensiná-las que o fato de guardar dinheiro, como parte da mesada, pode trazer benefícios. Alimentando nelas a importância de investir”, explicou Lima.
 
Além disso, é importante ter muito cuidado para não associar o dinheiro a obrigações que podem gerar uma ideia negativa na criança, que acaba entendendo que juntar dinheiro é ruim ou que está conectado a tarefas que nem sempre elas querem fazer. Gabriela disse também  que instruir os pequenos pode torná-los adultos capazes de controlar a própria vida financeira.
 
“Quando a gente tem uma boa relação com o dinheiro, entendemos até onde é possível ir. A vida fica mais leve, sem aquele sufoco de saber se vai conseguir ou não pagar as contas no fim do mês. Você ganha mais confiança e tranquilidade para tomar decisões e atingir os objetivos”, afirmou a consultora.



 

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