30/07/2021 às 21h44min - Atualizada em 30/07/2021 às 21h44min

Correios registram 44 ataques de animais no estado neste ano

Em Uberlândia, médica veterinária comenta sobre a raiva animal e os cuidados necessários

GABRIELE LEÃO
Mesmo já tendo sofrido ataques de cães, Bruno Darcio tem animais de estimação e brinca com eles frequentemente I Foto: Arquivo Pessoal
Conhecer os sintomas da raiva canina é um dos primeiros passos para identificar essa temida doença, conhecida por ter uma taxa altíssima de mortalidade. A imunização é um passo importante para evitar acidentes entre homem e animal. Segundo informações dos Correios, foram registrados 88 acidentes de trabalho em Minas Gerais, nos últimos três anos, cuja causa possível é mordedura canina. Foram 33 ataques no ano de 2019, 11 no ano de 2020 e 44, até o momento em 2021. 

A veterinária e professora de Saúde Pública da Faculdade de Medicina Veterinária da UFU, Roberta Torres de Melo, comentou sobre a doença que possui mortalidade em grande escala entre cães e gatos. “A raiva canina é uma zoonose, doença que afeta animal e humanos, gravíssima e fatal, que pode ser transmitida através da mordida ou arranhadura do animal. Em cães e gatos que têm a doença, os principais sintomas são agressividade, sensibilidade da luz, dificuldade de se alimentar, salivação abundante e dificuldade de engolir água”, apontou.

Roberta ainda comentou que o diagnóstico da raiva canina é post mortem, ou seja, só pode ser feito após a morte do animal. “Isso acontece porque são necessárias amostras do cérebro para realizar exames laboratoriais e, então, ter certeza. O importante é que para evitar a fatalidade do animal o dono leve o pet para ser vacinado. Todos os anos, a Prefeitura de Uberlândia oferece a vacinação gratuita, e caso não seja possível levar o animal nessa época, é importante que o responsável procure atendimento veterinário para fazer a imunização”, orientou.

ACIDENTES
“Durante uma entrega, entrei para colocar a carta e fui atacado pelo cachorro da vizinha, que deixou o portão aberto. O animal mordeu minha perna e avançou na bicicleta que eu estava. Acabou nos derrubando. Além da mordida, tive alguns arranhões pelo corpo. Logo após o expediente, procurei atendimento e avisei na empresa sobre o ataque”, relatou o porteiro Arlan Santos Silva, que era carteiro na época do ocorrido. Depois de sofrer o ataque, Arlan ficou com receio de passar por este tipo de problema novamente, mas começou a ficar mais atento para evitar novos episódios.

O engenheiro civil Bruno Darcio Dias de Oliveira também foi vítima de ataques de cães. “Quando tinha 12 anos, ao brincar na casa de parentes, um cachorro me atacou. Na época, minha mãe precisou me levar ao atendimento médico, pois precisei dar pontos no local da mordida. Além disso, precisei tomar a vacina antirrábica humana”, contou. Mas esse não foi o único caso de ataque que o engenheiro sofreu. Ele contou que já foi atacado mais de seis vezes. “Em uma visita a uma obra, o cão que estava de aguarda acabou me mordendo quando tentei segurá-lo para entrar. Além disso, já fui atacado em outros lugares, e fui mordido no braço e cabeça”, contou. Mas, mesmo após os episódios, o engenheiro tem quatro animais de estimação.

MEDIDAS APÓS O ATAQUE
A enfermeira Elisangela Santos Silva disse que após a mordida, o paciente precisa buscar atendimento na unidade de saúde, e ser avaliado. “Além disso, os cuidados com o local são necessários, como lavar com água e sabão e ficar atento às reações do animal. Caso necessária a vacinação (antirrábica), são quadro doses da vacina para o tratamento, podendo ser completada por antibióticos e medicamentos”, explicou.

A veterinária Roberta Torres de Melo ressaltou. “Imediatamente após o acidente, o animal agressor também é assistido, e caso ele venha à óbito (no período) entre 7 e 10 dias, pode ser que a vítima tenha que receber mais doses da vacina”, alertou.

EM NOTA
Os Correios preferiram não se manifestar sobre os tipos de acidentes. Em nota enviada ao Diário de Uberlândia, eles informaram que “realizam treinamento com todos os carteiros visando a orientá-los sobre como evitar um ataque canino. Esse treinamento aborda conteúdos como comportamento e características dos cães; como identificar sinais e situações de risco; comportamentos e atitudes recomendadas na iminência de um ataque, além das providências em caso de acidentes e eventual contaminação com raiva canina”.

Para diminuir as chances de um ataque não só ao carteiro, mas também a outros profissionais que atuam no atendimento domiciliar (entregadores, garis, técnicos de serviços elétricos e hídricos etc.), o morador deve:
 
- Sinalizar a presença de cachorro com uma placa;

- Manter o portão do domicílio sempre fechado;

- Instalar a caixa receptora de correspondências junto ao portão, grade ou muro, em local de fácil acesso ao carteiro e fora do alcance do cão”.



 

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