26/07/2021 às 13h00min - Atualizada em 26/07/2021 às 13h00min

Para driblar crise, empresas de turismo apostam em ecoturismo regional

Setor oferece destinos turísticos nos arredores da cidade e passeios em pequenos grupos

GABRIELE LEÃO
Wesley aposta em passeios na cachoeira da Fumaça I Foto: Arquivo pessoal
Um dos setores que mais sofreu com a pandemia da covid-19 foi o turismo. Companhias com problemas financeiros, medo de viajar para determinados países e um sentimento de não saber o dia de amanhã fez com que turistas e pessoas ligadas ao segmento perdessem o sono. Um ano e meio depois do início do isolamento social, e agora com o avanço da vacinação contra o coronavírus, há uma tendência que tem se tornado a luz no fim do túnel: ecoturismo regional. Em Uberlândia, a tendência foi uma das alternativas para driblar a crise e potencializar a região mineira.

Segundo Wesley da Silva Anastácio, turismólogo e dono da Curupira Turismo, para enfrentar os danos causados pela pandemia, a agência precisou se reinventar. “Antes da pandemia, as viagens eram feitas em ônibus, eles levavam cerca de 90 a 160 pessoas todo mês. Atendíamos mais de 50 destinos, incluindo: Chapada da Diamantina, Jalapão, Bonito, no Mato Grosso do Sul, Chapada dos Veadeiros, litorais e viagens internacionais. Nosso atendimento era todo baseado em viagens aéreas, van e micro-ônibus. Mas, durante a pandemia, muitos municípios não aceitam grupos com muitas pessoas”, revelou.

Com o início da pandemia, a agência teve que suspender as atividades. ‘Ficamos seis meses parados, e o prejuízo chegou a mais de R$ 82 mil. Para mudar essa situação, lançamos o voucher, onde quem comprava concorria a vários prêmios como rapel, passeios em cachoeiras, entre outras atividades. Logo em seguida, buscamos alternativas com o turismo regional. Num raio de 100 km nós temos mais de 300 cachoeiras catalogadas, então nós começamos a levar pequenos grupos de no máximo 4 pessoas até lá”, contou Wesley.

Além do trabalho como guia, Wesley faz parte do projeto ‘Amigos da Cachoeira’, iniciativa que criou com um amigo, no qual eles retiram os lixos das cachoeiras, colocam placas com informações, advertências e sobre conscientização ambiental, plantam mudas nativas do cerrado e fazem alguns projetos dentro de escolas.

Rafaela Resende é brigadista ambiental e voluntária do Parque Estadual do Pau Furado. Desde 2017, ela é uma das praticantes frequentes do ecoturismo na região. “É um prazer estar em contato com a natureza e pelo menos a cada 15 dias procuro algum tipo de atividade, desde trilhas, cachoeiras até viagens pela região. Na pandemia, procurei destinos mais próximos, sempre guiados com profissionais para evitar acidentes no local e até mesmo trilhas perigosas, e busco fazer esse tipo de atividade no meio da semana para evitar aglomerações”, contou.

Voluntária e ativista de causas ambientais, a brigadista, em parceria com uma colega, cria projetos e os submetem, por meio de editais, para incentivar os cuidados com a natureza e vida dos rios da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

RAFTING
O ‘Bora Remá’ é uma agência que faz descidas de rio, mais conhecido como rafting. O esporte é feito em rios com cachoeiras e corredeiras, onde as pessoas descem em botes infláveis, com equipamentos de segurança, e equipe profissional que cuida da segurança de toda a operação.

João Paulo Hordones Faria, bacharel em Turismo e mestre em Geografia, é o responsável técnico da agência. Ele contou que, a empresa funciona através de agendamentos e em grupos. “Hoje, trabalhamos com quatro rios na região de Uberlândia, e esses rios compõem oito roteiros diferentes. Temos três roteiros na época da seca e outros cinco no verão. Mas, com a falta de chuvas, na última temporada, de 2020/21, os rios não encheram. Como empreendedor da área, percebemos que há uma procura maior com consultas, nas redes sociais, tem uma movimentação maior”, contou.

Ele ainda completou. “Se o período chuvoso for com enchentes, ou com essas chuvas que estão tendo na Europa ou na Ásia, isso tende a vir para o Hemisfério Sul também quando for o nosso verão. E mesmo agora, na seca, nós temos os incêndios florestais, que podem atrapalhar o turismo em algumas áreas”, apontou.

MEIO AMBIENTE
Mas, assim como qualquer espaço que tenha interação humana sofre alterações, com esses espaços não é diferente. Até mesmo o ecoturismo deixa impactos negativos, segundo Wesley d
a Silva Anastácio. “Muitas pessoas começaram a visitar essas áreas sem nenhum tipo de consciência, e (tem ocorrido) situações como aumento de lixo nos balneários, aumento de acidentes e alguns óbitos, erosão nas trilhas e contaminação dos rios. Isso acontece quando não há orientações de guias ou profissionais no local”, completou.

O ambientalista Gustavo Malacco, da ONG ANGÁ, afirmou que o ideal é sempre buscar um guia ou profissional na hora de fazer o turismo ecológico, pois além de ter os melhores roteiros para uma programação de laser, ele também orienta sobre as questões ambientais. “Muita gente não entende é que todo local tem certa capacidade para receber os turistas para proteger a natureza”, explicou.

Malacco completou. “Pelas restrições em viajar, o turismo local tem ganhado diversos adeptos, e isso é bom para manter o contato com a natureza e também na geração de empregos. No Brasil, essa sempre foi uma área muito rentável. E para um turismo mais consciente, é importante lembrar da preservação da natureza, recolher o lixo e resíduos e respeitar as restrições do local”, encerrou.




 
 
 

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