24/07/2021 às 10h00min - Atualizada em 24/07/2021 às 10h00min

Alunos da UFU fazem estudo para incentivar redução de transportes individuais

Trabalho também visa melhorar condições de tráfego dos pedestres e estimular o uso de transportes coletivos

LORENA BARBOSA
Segundo o estudo, mais caminhadas podem promover qualidade de vida e redução da emissão de CO2 | Grupo Flutua/Divulgação
Uma simples caminhada que pode mudar o trânsito. Estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) produziram um estudo voltado aos pedestres da cidade. O informativo “Flutuanda - por uma cidade mais caminhável” traz um estudo sobre o trânsito, com um olhar mais atento às condições daqueles que circulam pela cidade sem um veículo motorizado e que incentiva a redução de transportes individuais.

Segundo dados da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), cerca de 40% dos deslocamentos nas cidades brasileiras são feitos a pé (36,5%), ou de bicicleta (3,8%), mas a maior parte do espaço viário é destinado aos automóveis individuais. São Paulo, por exemplo, tem 80% do espaço destinado ao trans-porte automotivo.

A aluna e pesquisadora Beatriz Justo acredita que o estudo pode auxiliar na melhoria da mobilidade urba-na na cidade, ao despertar nas pessoas uma visão crítica sobre as condições das calçadas, travessias, além da iluminação e arborização de onde elas passam diariamente.

“É uma conscientização sobre o que é o caminhar e como isso pode ser benéfico para a cidade. Alcançar o poder público é bacana, mas melhor é chegar às pessoas, para que elas percebam o quanto pode ser legal ter condições de circular pela cidade caminhando com qualidade”, disse Beatriz.

O informativo faz um alerta sobre as consequências do uso crescente de transportes individuais, como carros e motos. Esses veículos emitem cerca de 32 milhões de toneladas de CO2 durante um ano de des-locamentos, o que faz com que a população tenha um aumento de problemas respiratórios. O uso de veículos motorizados também gera um maior índice de sedentarismo e o acréscimo do estresse devido a longos congestionamentos e aumento da poluição sonora. Segundo Beatriz, a mudança dessa realidade pode começar com pequenos passos.

“É preciso que as pessoas caminhem para saberem se é possível ou não fazer esse trajeto. Caso não seja, é preciso reivindicarmos melhorias para o poder público. E não é preciso caminhar para todos os lugares, a gente sabe que não é possível andar 10 quilômetros para ir ao trabalho. Mas ir até um mercado na esqui-na de casa já é o começo. E caminhar é qualidade de vida”, explicou a estudante.
Uma preocupação apresentada pelo estudo é a falta de dados que contribuam com a melhora da experi-ência dos pedestres. Os pesquisadores defendem que é preciso que as pessoas registrem boletins de ocorrência em casos de queda e lesões provocadas por acidente em pontos com problemas estruturais. Tudo para que o poder público esteja ciente dos locais que precisam de melhorias.

Outro ponto levantado pelo trabalho dos estudantes é que a maioria dos pedestres é formada por mu-lheres e elas são expostas a riscos durante o seu deslocamento. Uma pesquisa da Campanha Cidades Seguras para Mulheres revelou que 86% das brasileiras entrevistadas já foram assediadas no espaço pú-blico e 44% no transporte coletivo.

O estudo mostra que a conscientização pode fazer com que a estrutura do trânsito seja alterada, possibilitando mais qualidade no tráfego de pedestres e usuários das formas não motorizadas de locomoção, que são alternativas mais saudáveis, tanto para a sociedade, quanto para o meio ambiente.
 
 

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