14/07/2021 às 11h55min - Atualizada em 14/07/2021 às 11h55min

Após recomendação do MPE, famílias pedem vacinação de cuidadores de pessoas com deficiência

Prefeitura de Uberlândia disse que o Município ainda não foi notificado sobre a recomendação feita pelo promotor

GABRIELE LEÃO
Andrea Canabarro cuida exclusivamente do filho João Vicente, de 6 anos I Foto: Arquivo Pessoal
Nesta segunda-feira (12), o promotor de Justiça da Promotoria de Defesa do Cidadão, Fernando Rodrigues Martins, protocolou uma recomendação para que o Município ofereça imunização aos acompanhantes das pessoas com deficiência e doenças raras contra a Covid-19. Em março, a Prefeitura de Uberlândia começou a vacinação de pessoas com deficiência permanente, entre pessoas de 18 e 59 anos.

Seguindo as recomendações do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, do Ministério da Saúde, “o município considerou as pessoas com deficiência, aquelas que têm impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Este grupo inclui pessoas que tenham grande dificuldade ou incapacidade de locomoção, audição, mesmo com aparelho auditivo, visão ou com alguma deficiência intelectual permanente”, segundo informações disponíveis no site do Município.

Aline Giuliani é presidente do Instituto Viva Iris e mãe de Iris Giuliani Oliveira, de 16 anos, diagnosticada com atrofia muscular espinhal (AME), doença genética rara, progressiva e muitas vezes letal, que afeta a capacidade do indivíduo de caminhar, comer e, em última instância, respirar. Desde o início da vacinação, Aline tenta se cadastrar para receber a imunização, como cuidadora da filha, e pede pela vacinação dos cuidadores principais.


"Desde o início da vacinação tento fazer meu cadastro, além de ser profissional da saúde, atuando como neuropedagoga, eu e meu marido somos os principais responsáveis da minha filha, que também é cadeirante. Desde o início da pandemia, ouvimos relatos de pessoas que participam dos grupos de doenças raras que por conta do covid-19 perderam os principais cuidadores de pessoas com algum tipo de deficiência. É muito complexo entender essa falta de amparo e cuidados pelos responsáveis por essas pessoas que não conseguem cuidar de si", comentou.

Aline ainda contou que "tenho contato com mais de 700 famílias de todo o país que têm algum ente com doenças raras e deficiência físicas e temos movimentos na internet, como petições online, assinaturas e solicitação em vários locais para buscar mais atenção a este público, assim como a imunização para os acompanhantes”. Para ela, as pessoas com doenças raras vão acabar ficando órfãs e sem cuidados.

Aline foi imunizada na última semana, após ser chamada com o grupo de educadores. O marido, de 40 anos, ainda não foi vacinado.

OUTRO CASO
Andrea Canabarro cuida exclusivamente do filho João Vicente, de 6 anos. "Saí do meu trabalho há três anos para cuidar do João, que tem paralisia cerebral e microcefalia, como sequelas das lesões cerebrais se alimenta por sonda e tem epilepsia de difícil controle. A condição do meu filho é estável, mas ele está muito mais suscetível para outras doenças e durante a pandemia o tratamento dele foi prejudicado, pois pararam com as terapias. As crianças e adolescentes, nessa condição, ainda não estão autorizadas a tomar as vacinas, algumas não podem ficar sem alguns tipos de atendimentos. Se o cuidador vier a falecer, quem vai ficar responsável por esse paciente? O governo não tem condições de assumir essa responsabilidade", pontuou.

Ainda de acordo com Andrea, "o meu filho de 12 anos estuda em escola particular e com o retorno das aulas em formato híbrido optei por não o mandar para a escola, com medo de pegar covid-19 e passar para os familiares, já que nem todos os profissionais da educação estão imunizados”.

Idari Alves da Silva, presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de Uberlândia (COMPOD), afirmou que o Município está correto nas medidas adotadas para o combate do covid-19, mas o Ministério da Saúde deveria ter colocado as pessoas com deficiência como prioridade. “Dessa maneira, não teríamos perdido tantas vidas, como aconteceu", avaliou.

Em Uberlândia, ainda nesta terça-feira (13), o número de mortos por coronavírus, desde o início da pandemia, chegou a 2.643. O número de contaminados pela doença é de 105.311, desde o primeiro caso.

POSICIONAMENTO DA PREFEITURA
O Diário de Uberlândia entrou em contato com a Prefeitura de Uberlândia para saber se o Município seguirá a recomendação feita pelo promotor para “dar/oferecer imunização aos acompanhantes das pessoas com deficiência e doenças raras". Em resposta dada por meio de nota, a Prefeitura disse que “O Município ainda não foi notificado”. 

 

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