05/06/2021 às 12h00min - Atualizada em 05/06/2021 às 12h00min

Estagiários de Medicina e Odontologia e profissionais da Psicologia reivindicam a vacinação em Uberlândia

Categorias alegam que se encaixam no grupo de profissionais da saúde que precisam ser imunizados

FERNANDO NATÁLIO
Estudante de Medicina da UFU, Thiago Alves defende vacinação para o grupo I Foto: Arquivo pessoal
Estudantes de Medicina e Odontologia que fazem estágios atendendo a população e profissionais da Psicologia reivindicam a vacinação contra a Covid-19 em Uberlândia. Para eles, suas categorias se encaixam no grupo de profissionais da saúde e, portanto, já deveriam ter sido imunizados.

Segundo o estudante de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Thiago Henrique Evangelista Alves, que já está no ciclo clínico do curso, é fundamental que este grupo do qual ele faz parte seja imunizado.

“Durante o curso, o estudante de Medicina é apresentado à consulta médica convencional em diversas áreas. Por ser componente obrigatório da graduação, na qual é exposto ao contado com o público, o estágio faz com que o estudante de medicina deva ser priorizado na vacinação, já estipulado pelo Ministério da Saúde no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação da Covid-19, 6ª edição1, Anexo I, que trás a descrição dos grupos prioritários e recomendações para vacinação”, defendeu Thiago Alves, que, juntamente com outros estudantes, já ingressou com uma ação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo a imunização destes grupos.

Ainda de acordo com o estudante de Medicina, esta classificação do Ministério da Saúde enquadra como profissionais da saúde acadêmicos em saúde, estudantes da área técnica em saúde em estágio hospitalar, atenção básica, clínicas e laboratórios.

"Temos 295 alunos que estão também no quadro clínico, sendo que 118 destes já atuam no Hospital de Clínicas da UFU, no chamado pré-internato. Todos estes precisam ser vacinados e ainda não foram”, apontou. “Destaco que em vários municípios vizinhos que possuem faculdades de Medicina já foram vacinados os alunos de vários períodos dos cursos, e segundo a normativa do Plano Nacional de Imunização (PNI), todos os alunos de saúde devem ser vacinados, até mesmo aqueles que não estão no ciclo clínico”, completou Thiago Alves, que também é representante jurídico do Diretório acadêmico de Medicina da UFU.
 
ODONTOLOGIA
Conforme o estudante de Odontologia Wyllyan de Araújo Braz Mahon, os alunos de graduação nesta área em Uberlândia que fazem estágio atendendo ao público também já deveriam ter sido vacinados contra o coronavírus. “Atendemos a população em um serviço de estágio integrado que a universidade tem. Minha turma tem 80 alunos que fazem este trabalho e não foram imunizados. Já tentamos diálogo com a Prefeitura de Uberlândia para que essa situação pudesse ser resolvida, mas nunca quiseram ouvir a gente”, disse o estudante de Odontologia que está no último ano do curso na universidade particular Unitri.

Para Wyllyan Mahon, a situação deveria ser diferente. “No Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação da Covid-19, estudante da área de saúde é considerado como profissional da saúde. Portanto, já deveríamos ter recebido a vacina. Estão pulando fases da imunização em Uberlândia. A etapa da vacinação dos profissionais de saúde não termina na cidade”, criticou o estudante que faz estágio na área odontológica.
 
PSICOLOGIA
Um abaixo-assinado com assinaturas de mais de 290 psicólogos foi feito em Uberlândia para questionar o Município sobre os critérios de vacinação contra a Covid-19 na cidade.  Segundo a psicóloga Paula Lemes, que trabalha na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o questionamento deve-se ao fato de que a Prefeitura de Uberlândia informou à categoria que os psicólogos que têm Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) seriam vacinados, mas há psicólogos com o CNES que, até o momento, não foram imunizados, enquanto outros profissionais da categoria, que não têm o CNES, já receberam vacina.

“Eu e vários colegas de Psicologia que atuam em Uberlândia organizamos esse abaixo-assinado e a campanha “Por Que Não?” nas redes sociais porque ficamos confusos quanto aos critérios da Secretaria Municipal de Saúde para definir quem será vacinado. E a Prefeitura costuma responder, de forma vaga, que à medida que chegarem vacinas, vão chamar os profissionais que têm o CNES. Mas isso não vem ocorrendo. Portanto, essa situação é de indignar a gente”, desabafou Paula Lemes. “E se não recebermos respostas satisfatórias da Prefeitura, certamente entraremos com uma ação no Ministério Público cobrando uma solução para isso”, finalizou a psicóloga.
 
POSICIONAMENTO DA PREFEITURA
Questionado pelo Diário sobre o assunto, o Município disse, por meio de uma nota, que já aplicou todas as doses enviadas pelo Ministério da Saúde voltadas aos trabalhadores da Saúde. Disse ainda que essas doses foram recebidas mediante o número de trabalhadores cadastrados no CNES até janeiro de 2021.

Ressaltou, também, que solicitou ao Ministério da Saúde o reconhecimento de novas inclusões no CNES, feitas em momento posterior pelos estabelecimentos de saúde, a fim de receber um quantitativo complementar para contemplar os que faltam. E terminou reforçando que, tão logo sejam enviadas estas doses adicionais, retomará a vacinação desse grupo prioritário.

 

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