26/05/2021 às 10h55min - Atualizada em 26/05/2021 às 10h55min

Suspensão das aulas presenciais da UFU afeta comércio e locação de imóveis na região

Maior parte da clientela de bares e restaurantes dos bairros Santa Mônica e Umuarama era composta por universitários; Sindicato de Habitação registrou mais de 200 deslocações de imóveis

BRUNA MERLIN
Aulas presenciais da Universidade estão suspensas há mais de um ano | Foto: Comunica UFU

Já faz mais de um ano que as aulas presenciais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) foram suspensas devido à pandemia da covid-19. A situação teve um reflexo negativo para o comércio e imóveis já que os estudantes e docentes pararam de circular pelas regiões em que estão instalados os campi da instituição.

 

Wesley Adriano Campos é dono do restaurante Tia Leila, localizado no bairro Santa Mônica próximo ao campus da UFU, e viu o movimento do estabelecimento cair significativamente com a chegada da pandemia. Segundo ele, atualmente, a quantidade de clientes atendidos diariamente gira em torno 30%.

 

O estabelecimento foi inaugurado em janeiro de 2020. Wesley não esperava que depois de dois meses teria que fechar as portas. “Investi cerca de R$ 300 mil nesse restaurante e foi uma decepção muito grande quando tive que fechar e vi a redução do número de clientes que eram estudantes, professores e outros moradores do bairro”, detalhou.

 

Para tentar recuperar pelo menos um pouco da clientela e da renda perdida, o empresário decidiu expandir as vendas e começou a fazer delivery. Além disso, está utilizando das redes sociais para divulgar o estabelecimento. As soluções estão dando certo e já aumentaram o faturamento do restaurante.

 

“O único jeito era começar a levar a comida até o cliente por meio do delivery que cresceu muito com a pandemia. Antes, isso representava 5% do meu faturamento. Agora, faz parte de 60% da minha renda”, complementou.

 

O Bullteco Bar, situado também no bairro Santa Mônica, perdeu um dos principais públicos que ocupavam as mesas do estabelecimento: os universitários da UFU. De acordo com o proprietário do comércio, Lennon Araújo, em três anos de funcionamento, o local nunca havia passado por essa situação.

 

A alternativa encontrada pelo responsável pelo local foi continuar investindo no público jovem da região e de outros bairros da cidade. “Felizmente, continuamos contando com os outros clientes que não são universitários, mas que curtem nosso bar. Investimos mais ainda nesse público para continuar com o comércio aberto”, afirmou.

 

IMÓVEIS

Outro setor afetado pela suspensão das aulas da UFU foi o de imóveis. De acordo com o presidente do Sindicato de Habitação Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Secovi-Tap), Ronaldo Arantes, muitos estudantes voltaram para a casa dos pais que, geralmente, ficam em outras cidades da região.

 

Os bairros mais ocupados por universitários são o Santa Mônica, Finotti e Umuarama, justamente as regiões mais próximas dos campi da instituição. Ainda segundo Ronaldo, todos tiveram uma taxa de desocupação de imóveis altíssima durante a pandemia. Ao todo, mais de 200 imóveis foram desalocados.  

 

“Muitos contratos de aluguel foram negociados com desconto de até 40%. Mas, no ano passado, quando houve a confirmação de que as aulas presenciais não voltariam, registramos um alto índice de desocupação”, explicou.

 

As imobiliárias e proprietários se preocuparam com o cenário, mas novas portas se abriram e outros perfis de locatários surgiram. Ronaldo Arantes afirmou que a maioria dos imóveis foram realocados por famílias e casais.

 

"Os preços dos imóveis para aluguel congelaram e isso compensou demais. O aluguel está muito atrativo e, devido à isso, novos públicos foram atraídos”, frisou.

 

O presidente do sindicato também ressaltou que a expectativa é que o mercado fique mais aquecido com o retorno das aulas presenciais da UFU. Para ele, será uma oportunidade imperdível de investir em novos empreendimentos para locação já que a demanda estará alta e o preço irá valorizar.




 
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