05/05/2021 às 13h45min - Atualizada em 05/05/2021 às 13h45min

Receita Federal registra fechamento de 14 escolas particulares de ensino infantil durante a pandemia em Uberlândia

Crise econômica e dificuldade de ofertar atividades online para a faixa etária são alguns dos fatores

BRUNA MERLIN
Muitas escolas particulares de Uberlândia tiveram que fechar as portas I Foto: Pixabay
Faz mais de um ano que a educação foi totalmente impactada pela pandemia da covid-19. Devido à crise econômica e diversos outros fatores que afetaram o serviço educacional, muitas escolas particulares de Uberlândia tiveram que fechar as portas, principalmente aquelas que eram especializadas em ensino infantil.
 
Segundo dados da Receita Federal, de janeiro de 2020 a abril de 2021, foram fechadas 14 instituições de ensino particular na cidade. Os meses que mais registraram fechamentos de escolas foram maio (2) e junho (2) de 2020 e março (3) deste ano. Já em todo o ano de 2019, somente quatro escolas foram desligadas no município.
 
Contudo, a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Triângulo Mineiro (Sinepe-TM), Átila Rodrigues informou que o número é maior do que o registrado pela Receita Federal. Ela explicou que muitas outras empresas estão fechadas, mas ainda não conseguiram dar baixa na junta comercial, já que por causa da dificuldade financeira, não realizaram os acertos dos profissionais e outras burocracias necessárias para fazer o registro.
 
“Não tem como mensurar a quantidade de escolas que ainda não realizaram esse processo, mas são muitas. Para fazer o registro de fechamento precisa de tudo quitado e nenhuma pendência. É um processo difícil, principalmente neste período”, complementou.
 
Ainda conforme dito por Átila, muitos fatores influenciaram o cenário. O principal é a dificuldade de ofertar ensino online aos alunos do ensino infantil, que têm idades de 0 a 5 anos. “É uma faixa etária difícil de prender a atenção com atividades digitais porque ainda não estão na fase da alfabetização”, disse.
 
Além disso, a crise econômica atingiu muitos pais que não conseguiram manter a despesa com a matrícula. Aqueles que precisam ir trabalhar acabaram contratando profissionais para ficar com os filhos em casa e preferiram não ter dois gastos.
 
Por fim, a presidente do Sinepe falou sobre a dificuldade de muitos responsáveis de acompanhar o ensino dos filhos, seja por falta de tempo, falta de aparelhos eletrônicos ou de conhecimento em determinadas atividades. “Em razão de tudo isso, as escolas foram perdendo renda e, infelizmente, precisaram fechar por não conseguir se manter mais”, frisou.
 
PREJUÍZO
Ester Guimarães Oliveira é proprietária da Escola Cidade em Uberlândia. Até o fim do ano passado, eram duas unidades que operavam na cidade, mas devido à pandemia, uma teve que ser fechada.
 
A unidade desligada funcionava somente o ensino infantil para crianças de 0 a 3 anos de idade. Vendo que os pais estavam cancelando matrículas e que a disponibilidade de atividades online não seria favorável, Ester decidiu fechar as portas da instituição. Cerca de 50% dos funcionários foram demitidos e o prejuízo da empresária ficou em torno de R$ 250 mil.
 
“Ficamos com a outra unidade que funciona o ensino fundamental e uma pequena parte do ensino infantil com aqueles alunos que não saíram da escola”, detalhou.
 
A dona da instituição lamenta a situação em que a educação nacional se encontra. Para ela, até o fim da pandemia, muitas escolas ainda irão fechar por causa da falta de incentivo público e da falta de preocupação com o sistema educacional do país.
 
“Iremos ter um déficit educacional muito grande que levará anos para ser recuperado. Essas crianças estão sendo muito prejudicadas. É muito triste ver que os representantes políticos não estão se preocupando com isso”, concluiu.
 
 

 

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