28/04/2021 às 12h10min - Atualizada em 28/04/2021 às 12h10min

Usuários reclamam de aglomeração e falta de higiene dos ônibus do transporte público de Uberlândia

Resolução que proíbe permanência de passageiros em pé não é respeitada; falta de higiene dos veículos e fiscalização indigna usuários

BRUNA MERLIN
Motorista diz que diariamente os veículos transportam cerca de 70 passageiros | Foto: Arquivo Pessoal

A situação do transporte público de Uberlândia segue causando indignação entre os usuários. Desta vez, a população reclama sobre a falta de limpeza e higienização dos ônibus, além da aglomeração de passageiros durante os horários de picos, mesmo após a Prefeitura de Uberlândia ter proibido a permanência de usuário em pé nos veículos.
 

Em meio à precariedade, greves e redução de frotas, o serviço de transporte público da cidade vem sendo alvo de críticas das pessoas que o utilizam diariamente. É o caso da vendedora Lucirene da Silva, de 42 anos, que pega o ônibus da linha A144 todos os dias para ir trabalhar. 
 

Segundo a uberlandense, o descaso com a segurança dos usuários e motoristas é muito grande. Todos os dias, ela pega o ônibus lotado de pessoas empurrando umas as outras para conseguir um espaço no veículo.
 

Para Lucirene, isso acontece devido à falta de veículos disponibilizados. “O número de pessoas que utilizam o serviço não diminuiu, pelo contrário, acredito que só aumentou por causa da crise. Como eles querem que não haja aglomeração se todo mundo precisa trabalhar em um horário e não tem ônibus para todos”, ressaltou.
 

Outro problema notado pela vendedora é a falta de fiscalização dos órgãos competentes. Conforme dito por ela, não adianta impor medidas se não há fiscalização. 
 

A passadeira de roupas, Lindaura Maria da Cunha, de 69 anos, também concorda que falta uma coordenação melhor das medidas impostas. Ela, que utiliza o ônibus da linha A211 todos os dias para ir trabalhar, reclama ainda da falta de higienização dos veículos.
 

“Pego o ônibus 5h30 e ele está sujo, com lixos jogados e sem higienização nenhuma. As empresas não estão cumprindo com o que foi solicitado. Preciso andar com um álcool 70% para borrifar nos bancos antes de sentar”, detalhou. 
 

CAPACIDADE

No fim do mês de março deste ano, a Secretaria Municipal de Trânsito de Transporte (Settran) publicou uma resolução para que o limite de ocupação dos ônibus fosse restrito à quantidade de pessoas sentadas. Caso os assentos ficassem todos ocupados, não seria permitida a entrada de mais passageiros nos veículos. Contudo, a medida não está sendo respeitada.
 

Um motorista do transporte público, que preferiu não se identificar, informou que diariamente diversos ônibus transportam cerca de 70 a 80 usuários, principalmente nos horários de pico. A maioria vai em pé já que o número de assentos é 26. 
 

Ainda de acordo com o profissional, a responsabilidade da fiscalização fica por conta dos motoristas que já estão encarregados de dirigir, cobrar a passagem e auxiliar na entrada e descida de pessoas com deficiência. “Não há como ter controle. Iremos parar tudo o que estamos fazendo para contar quantas pessoas já entraram no veículo? Estamos fazendo diversas funções e nem recebemos o salário direito. É um absurdo”, destacou.
 

O motorista disse também que teme por sua integridade já que muitos usuários podem se demonstrar agressivos, caso haja proibição da entrada. “E eu entendo eles porque precisam trabalhar. Como iremos impedir pessoas que precisam desse serviço para ir trabalhar e conseguir a renda que sustenta a família. É desumano o que estão fazendo com os passageiros e motoristas”, complementou.
 

POSICIONAMENTOS

O Diário de Uberlândia entrou em contato com o Município que, por meio de nota, informou que o transporte coletivo está operando com a frota disponível e a fiscalização é feita diariamente, conforme determinação da justiça.
 

A reportagem também procurou o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Triângulo Mineiros (Sindett) e solicitou um posicionamento sobre as alegações dos usuários. 
 

Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Triângulo Mineiro (Sindett) e empresas de transporte urbano de Uberlândia disseram que continuam trabalhando para o bom funcionamento do transporte coletivo na cidade com todo cuidado necessário nesse momento de pandemia ocasionada pelo Covid-19.
 

Para isso, informam que os veículos contam com avisos e sinalizações para conscientizar a população quanto aos cuidados que devem ser tomados na utilização do transporte público, evitando a utilização em horários de pico, preservando o uso desnecessário e aguardando um próximo veículo quando observado um número acima do designado para esse período.
 

Ainda reforçam que os veículos passam por sanitização diária na garagem e durantes as paradas técnicas para minimizar a disseminação da doença. E que a Prefeitura tem dado suporte na organização das linhas e sinalização nos pontos de embarque. 

No entanto, ainda de acordo com a nota, o Sindett e empresas de transporte urbano de Uberlândia afirmaram que “é fundamental a conscientização e a cooperação da população para que seja feito o uso correto do transporte público”.

 

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