24/03/2021 às 07h15min - Atualizada em 24/03/2021 às 07h15min

Vereador Thiarles Santos renuncia ao cargo de segundo secretário da Câmara em Uberlândia

Parlamentar justificou decisão por divergências com os demais integrantes da Mesa Diretora

FERNANDO NATÁLIO
Vereador Thiarles Santos informou a renúncia ao cargo de segundo secretário em suas redes sociais I Foto: Aline Rezende/CMU
O vereador Thiarles Santos (PSL) renunciou ao cargo de segundo secretário da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Uberlândia. O anúncio foi feito pelo parlamentar em suas redes sociais nesta segunda-feira (22).

Em entrevista ao Diário de Uberlândia, o vereador justificou a decisão afirmando que estava se sentindo amarrado no cargo e que ele estava tendo divergências com os demais integrantes da Mesa Diretora em relação aos pensamentos e às decisões tomadas.

“Meus pensamentos não coadunam com o restante da Mesa Diretora. Além disso, os outros vereadores que integram a Mesa são da base do prefeito e eu tenho independência em relação ao governo (municipal). Acho que a Mesa Diretora não pode ser base do prefeito, tem que ser independente”, afirmou.  

Questionado pela reportagem do Diário sobre o motivo que o levou a participar da Mesa Diretora, mesmo sabendo que ela é formada, em sua maioria, por vereadores de partidos que integraram a aliança de sustentação da candidatura vencedora do prefeito Odelmo Leão (PP), Thiarles Santos afirmou que tentou articular, na Mesa Diretora, por uma Câmara independente, mas que não teve êxito.

O Diário solicitou à Câmara Municipal, por meio da Assessoria de Comunicação da Casa, um posicionamento sobre a justificativa apresentada pelo vereador para renunciar ao cargo, mas, até o fechamento desta reportagem não houve retorno.
 
ANÚNCIO FEITO NAS REDES
No comunicado feito em suas redes sociais no qual informa a renúncia ao cargo de segundo secretário do Legislativo uberlandense, o vereador Thiarles Santos, que também é advogado, disse que “diante de inúmeros atentados à dignidade humana e abusos por parte dos governantes, por mais que seja confortável para mim ocupar um cargo da Mesa Diretora da Câmara Municipal, inclusive com assessores a mais, nele estaria limitado ao não exercício da advocacia por proibição expressa da Lei Federal”.

Ainda na publicação feita nas redes, Thiarles Santos disse que “está estudando medidas como ações populares em defesa do povo de Uberlândia, bem como não ficarei inerte vendo amigos sendo condenados por exercerem o seu direito à liberdade de expressão”.

Em posição contrária ao prefeito, o parlamentar tem se posicionado a favor da reabertura das atividades econômicas em Uberlândia com medidas e cumprimento de protocolos, acompanhado de tratamento precoce e busca por vacinas. Atualmente, o Executivo municipal tem mantido fechadas várias atividades, como o comércio de Centro e de bairros, shoppings, academias e clubes.

O vereador Thiarles Santos também tem defendido mais transparência na vacinação contra a Covid-19 na cidade, assim como a colocação como serviço essencial das aulas presenciais no município de Uberlândia, que foram interrompidas desde o agravamento da pandemia.
 
DENÚNCIA CONTRA O PREFEITO
Questionado pela reportagem se a denúncia por infrações político-administrativas que fez contra o prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, pesou na sua decisão de renunciar ao cargo de segundo secretário da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Uberlândia, o vereador Thiarles Santos disse que seus pares da Mesa respeitaram sua ação e afirmou que não houve nenhuma retaliação ou pressão por parte deles relacionada a esse fato.

“O que me incomodou foi a Casa ter se negado a abrir a Comissão para apurar a denúncia. Percebi que meu mandato sozinho não seria suficiente para averiguar isso. Mas, em relação à minha decisão de renunciar ao cargo de segundo secretário, isso não pesou”, disse. “Influenciou, sim, o fato de que percebi que esse cargo é figurativo demais, já que as decisões da Mesa Diretora são tomadas pelo ordenador de despesas e, principalmente, pelo presidente da Câmara. E eu não sou um político que vou ficar sendo figurativo”, completou.

A denúncia por infrações político-administrativas contra o prefeito, de autoria do vereador Thiarles Santos, foi votada e rejeitada na Câmara Municipal de Uberlândia durante a sessão ordinária realizada na última quinta-feira (18). Foram 23 votos contrários à denúncia, que pedia a instauração de uma Comissão Processante para apurar fatos mencionados no documento. Foram registrados também dois votos favoráveis - dos vereadores Thiarles Santos (PSL) e Cristiano Caporezzo (Patriota) - e uma abstenção - da vereadora Cláudia Guerra (PDT).

Segundo a denúncia, o prefeito teria cometido uma série de abusos em suas ações de combate à pandemia do coronavírus, como decretar estado de calamidade pública devido à pandemia de forma precoce; limitar os horários de funcionamento das atividades comerciais, provocando maior aglomeração e abusar do poder ao impor o toque de recolher, sendo competência exclusiva do Presidente da República, com aprovação do Congresso Nacional.
 
 
 

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