17/03/2021 às 14h45min - Atualizada em 17/03/2021 às 14h45min

Chuvas reacendem alerta sobre a dengue em Uberlândia

Nos últimos quatro meses, a cidade teve 221 casos prováveis da doença, segundo o Boletim Epidemiológico do Estado de Minas Gerais

FERNANDO NATÁLIO
A intensificação das chuvas registradas nos últimos dias em Uberlândia reacende o alerta sobre a dengue e a necessidade de combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da enfermidade. Nos últimos quatro meses, a cidade teve 221 casos prováveis da doença, segundo o Boletim Epidemiológico de Monitoramento dos casos de Dengue, Chikungunya e Zika da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) publicado no último dia 10. O levantamento leva em consideração as Semanas Epidemiológicas compreendidas entre o começo de novembro de 2020 e o início de março de 2021.

Segundo a Prefeitura de Uberlândia, o Programa de Controle de Zoonoses, da Secretaria Municipal de Saúde, desenvolve diversas ações durante o ano todo para combater a proliferação do mosquito. Entre os trabalhos, está a instalação de ovitrampas, que são armadilhas instaladas em diferentes regiões da cidade para monitorar em tempo real o comportamento do mosquito Aedes, bem como tornar mais efetivo o seu controle.

No início da ação, eram 960 armadilhas instaladas. Atualmente, já são 1.055, de acordo com o Programa de Controle de Zoonoses. De acordo com o coordenador do Programa de Controle da Dengue, José Humberto Arruda, com o aumento das chuvas nesta época do ano, os trabalhos com a ovitrampa são intensificados, pois as armadilhas permitem um monitoramento mais próximo e detalhado do comportamento do mosquito.

“É um monitoramento minucioso. Com o aumento das chuvas, ele se mostra ainda mais eficaz. Isso porque há uma oferta maior de água e, consequentemente, maior infestação de mosquito. Onde ele surge, onde está a maior infestação, é o que queremos saber. E a ovitrampa nos traz essas informações para direcionarmos de forma mais precisa as ações”, explicou o coordenador.

A armadilha é constituída por um vaso de planta preto, preenchido com água (elemento atrativo para o mosquito), que fica posicionado em um local e simula o ambiente perfeito para a procriação do inseto. Dentro do recipiente, há uma palheta de madeira que facilita que a fêmea bote os ovos. A partir disso, a equipe do Centro do Controle de Zoonoses começa a realizar a coleta do material semanalmente para a contagem dos ovos, definindo assim a população do mosquito num raio de nove quarteirões.
 
OUTRAS AÇÕES DE COMBATE
Mesmo com o monitoramento das armadilhas, o coordenador do Programa de Controle da Dengue, José Humberto Arruda, reforçou que as outras linhas de trabalho de combate ao Aedes permanecem na cidade. Ações de bloqueio, visita aos imóveis fechados, residências e condomínios, recolhimento dos pneus, entre outras estratégias, são feitas diariamente. O coordenador também destacou que os moradores podem auxiliar denunciando possíveis criadouros na cidade ao CCZ pelo número 3213-1470 ou pelo aplicativo “Udi Sem Dengue”. Por meio do aplicativo, a população pode enviar fotos, vídeos e mensagens de texto ou voz alertando as equipes sobre possíveis criadouros do mosquito.
 
CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO DA UFU
Uma ação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) também faz um alerta sobre a dengue na cidade e promove a conscientização das pessoas. A campanha contra a dengue "Conteúdo audiovisual com recomendações para lidar com a presença de Aedes aegypti" faz parte do projeto de extensão do Programa #UFUemCasa, promovido pela Prefeitura Universitária da Universidade Federal de Uberlândia (Prefe/UFU). Esta iniciativa busca informar a população quanto aos perigos da doença, de modo a evitar a proliferação do mosquito Aedes. Devido à pandemia de Covid-19, as atividades estão sendo realizadas de maneira remota.

Para o doutor em Geografia e professor da Escola Técnica de Saúde (Estes/UFU), João Carlos de Oliveira, a preocupação com o coronavírus tem ofuscado a atenção à dengue, o que jamais poderia acontecer. “Esta doença (dengue) não deveria ser subestimada. A pandemia não fez com que os outros vírus e patologias 'tirassem férias'. A dengue é um problema de saúde pública grave e, infelizmente, continua fazendo vítimas no Brasil, em meio à Covid-19. A prevenção é a única forma de evitar contrair o vírus da dengue”, alertou.

Além disso, o professor da Estes/UFU lembrou que a maioria dos focos de transmissão da dengue está no interior das residências das pessoas, o que requer maior cuidado por parte delas, mas também do poder público. “Fazemos um trabalho que mostra para a sociedade que dengue, chikungunya e zika ocorrem, principalmente, no período chuvoso e que as condições em que as pessoas moram, o estilo e hábitos delas em suas residências, facilitam o surgimento de criadouros”, explicou João Carlos de Oliveira.

“Mas não adianta criticar os moradores por eles não adotarem os cuidados exigidos, pois essa conscientização dessas pessoas, historicamente, não foi trabalhada pelo poder público. Elas se acostumaram com o poder público fazendo esse trabalho de limpeza em suas casas. Então, esse trabalho tem que ser intersetorial e feito com mais diálogos, inclusive com empresas, igrejas, Corpo de Bombeiros, escolas, entre outros”, completou o doutor em Geografia.
 
DENGUE PELA QUARTA VEZ
Moradora do bairro Shopping Park, em Uberlândia, a confeiteira Paula Regina de Souza está com dengue pela quarta vez. Ela disse que, dessa vez, os médicos chegaram a achar que ela estava com Covid-19. “Como os sintomas são parecidos, acreditam que eu estava com coronavírus. Tive muita dor de cabeça, dor no corpo, fraqueza, frio e até vomitei. Só tive a confirmação de que era dengue após fazer um exame de sangue”, afirmou.

Há cerca de uma semana com os sintomas, a confeiteira disse que espera se recuperar da dengue como ocorreu nas três vezes anteriores que teve a doença. “Em uma delas, cheguei a ter que internar, pois as plaquetas baixaram muito. Espero não passar por isso novamente e também não voltar a ter dengue”, disse.



 
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