16/03/2021 às 12h45min - Atualizada em 16/03/2021 às 12h45min

Em 12 meses, cesta básica fica quase 30% mais cara em Uberlândia

Alimentos importantes, como o arroz e a carne, tiveram aumento de 71,08% e 31,85%, respectivamente

FERNANDO NATÁLIO
Arroz ficou 71,08% mais caro nas prateleiras dos supermercados I Foto: Marcello Camargo/Agência Brasil
Os alimentos foram os principais responsáveis pelo aumento no custo de vida dos uberlandenses verificado ao longo da pandemia do coronavírus. Em 12 meses, a cesta básica ficou 28,35% mais cara. Em janeiro de 2021, o valor chegou a R$ 565,55, enquanto no mesmo mês de 2020, o preço era de R$ 440,63.

Com as pessoas ficando mais tempo em casa em períodos de isolamento social e consumindo mais alimentos nos supermercados, a cesta teve acréscimo de R$ 125 e pesou no bolso do consumidor. Os dados são do Índice de Preços ao Consumidor de Uberlândia do Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-sociais (IPC-Cepes) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Alimentos importantes na alimentação do brasileiro, que compõem a cesta básica, como o arroz e a carne, tiveram participação decisiva nesta alta. O arroz, por exemplo, teve aumento de 71,08% neste intervalo de tempo. Três quilos do cereal custavam R$ 9,50 em janeiro de 2020 e, no mesmo mês de 2021, tinham valor de R$ 16,50. Seis quilos de carne (coxão mole, patinho e lagarto), que tinham custo de R$ 167,82, no primeiro mês do ano passado, passaram a valer R$ 221,27 em janeiro de 2021, uma inflação de 31,85% ao longo dos 12 meses entre os períodos pesquisados.

Segundo o pesquisador do Cepes/UFU Henrique Barros, estas altas explicam as dificuldades que os trabalhadores têm para custear suas despesas básicas, como a do grupo de alimentos, já que o aumento do salário mínimo não acompanha este ritmo de elevação. Em janeiro de 2020, o salário mínimo era de R$ 1.039, enquanto no mesmo mês de 2021, era de R$ 1.100, R$ 61 a mais, valor equivalente a menos da metade da alta da cesta básica nesse período (de R$ 125).

“Também reforça esta avaliação o levantamento que mostra o número de horas trabalhadas para aquisição da cesta básica que era de 93 horas e 18 minutos em janeiro de 2020 e passou para 113 horas e 7 minutos em janeiro de 2021, ou seja, quase 20 horas a mais de trabalho que passaram a ser necessárias para a compra da cesta. É mais um parâmetro que evidencia este aumento do custo de vida neste período”, explicou Henrique Barros.
 
SALÁRIO MÍNIMO
Ainda de acordo com o levantamento do Cepes/UFU, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família constituída por dois adultos e duas crianças (ou três adultos), em Uberlândia, também teve alta no período de 12 meses.

Em janeiro do ano passado, antes do início da pandemia da Covid-19, o salário mínimo seria de R$ 3.701,76, enquanto que, um ano depois, no primeiro mês de 2021, no início da segunda onda da pandemia, o salário mínimo necessário seria de R$ 4.751,17, ou seja, uma diferença de mais de R$ 1.000,00 em 12 meses.

O resultado do primeiro mês de 2021 também mostra que o salário mínimo oficial, de R$ 1.100,00, equivale a 23,15% do salário mínimo necessário para a cidade de Uberlândia, que seria de R$ 4.751,17.
 
OUTROS GRUPOS
Também segundo a pesquisa do Cepes/UFU, outros grupos de despesas, como o de transportes e vestuário, não pesaram no aumento do custo de vida. Eles tiveram deflação de 0,36% e 4,76%, respectivamente, no decorrer do ano de 2020.

Para o pesquisador do Cepes/UFU Henrique Barros, isso é reflexo da pandemia. “Com o isolamento, as pessoas priorizaram gastos com alimentação e deixaram o vestuário em segundo plano. E o custo dos transportes teve queda, principalmente, devido à redução de preços dos combustíveis durante os períodos de paralisação das atividades, quando as pessoas saíam menos de casa. No entanto, os sucessivos e recentes aumentos dos valores dos combustíveis terão reflexos em 2021”, analisou.



 
 
 
 
 

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