15/03/2021 às 12h11min - Atualizada em 15/03/2021 às 12h11min

Desempregados relatam dificuldades durante a pandemia

Ansiedade e medo fazem parte da rotina das pessoas que perderam o emprego durante a pandemia da Covid-19

BRUNA MERLIN
A crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus prejudicou muitas pessoas. O fechamento dos comércios e a tentativa das empresas em economizar recursos deixou muitos moradores de Uberlândia desempregados, gerando um sentimento de desespero e medo em relação à situação.

A doméstica Fabiana Silva Mendonça, de 36 anos, está há quase um ano sem trabalhar e impossibilitada de ajudar com as despesas da casa. Ela, que atuava como informal em uma loja de departamentos, foi dispensada com a chegada da pandemia.
“Eles fizeram um corte de gastos e como eu não tinha carteira assinada fui uma das primeiras a ser dispensada”, explicou.

Fabiana está até os dias de hoje procurando um novo emprego, mas, segundo ela, não é fácil pois muitas empresas estão optando por pessoas com experiência. A ansiedade acomete ela todos os dias já que, além de pagar contas, precisa cuidar dos três filhos. “Todo dia temos que abrir mão de algo para conseguir ter alimento e conseguir pagar as contas”, destacou.

Durante alguns meses, a uberlandense contou com o auxílio emergencial do Governo Federal que ajudou em determinados momentos. O marido de Fabiana, que também ficou desempregado, começou a trabalhar como motorista de aplicativo para tentar complementar a renda que era baixa.

“Buscamos várias soluções para tentar sobreviver. Contamos com o apoio de algumas pessoas que nos deram cestas básicas e doações. Mas, não é todo os dias que podemos ter isso. O que nos resta é esperança de que iremos conseguir sair dessa situação”, disse ela.
 
DE EMPRESÁRIA A DIARISTA
O desemprego e os problemas financeiros também acometem comerciantes que precisaram fechar as portas por causa do isolamento social. A empresária Karla Maria Cristina de Oliveira Saramago, de 43 anos, foi forçada a abandonar o comércio e buscar outras soluções para conseguir levar dinheiro para casa.

A moradora do bairro Roosevelt é proprietária de uma quadra esportiva há mais de 18 anos. Com a chegada da Covid-19, ela teve que fechar o local devido às regras de distanciamento social.

“Em 2020, consegui abrir somente por três meses e tive que fechar novamente neste ano por causa do avanço da doença. Está sendo uma situação muito complicada porque as contas não param”, ressaltou.

Para tentar driblar a situação, Karla fugiu da zona de conforto e começou a oferecer serviço de diarista para amigos e familiares. Segundo ela, a nova profissão proporcionou uma renda para que ela conseguisse se manter.

“Estou à procura de um emprego fixo agora. Estou mandando currículos e já participei de algumas entrevistas, mas não está sendo fácil. Como sempre atuei como autônoma, não tenho experiência comprovada em carteira e as empresas estão resistentes em relação à isso”, complemento.

Em relação à algumas despesas, como as contas de energia, água e também os impostos da quadra esportiva que está parada, Karla com a ajuda dos pais para quitar. “Graças a Deus posso contar com o auxílio deles porque sem isso tudo seria mais difícil”, disse.

Karla também conta com a esperança e fé de que esse cenário caótico irá melhorar para todos aqueles que estão passando por necessidade. “Precisamos agarrar na confiança de que dias melhores virão. É isso que nos mantém de pé e com forças para poder buscar alternativas”, finalizou.



 
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