02/01/2021 às 09h00min - Atualizada em 02/01/2021 às 09h00min

Águas passadas: 2020 fez alerta para replanejamento hídrico na cidade

Ano foi marcado por desabastecimento, acidentes com adutoras e enchentes por conta de chuvas

DHIEGO BORGES
Adutora se rompeu e causou transtornou na avenida Rondon Pacheco | Foto: Luciano Finotti
Em 2020, a água foi um dos assuntos que mais geraram notícia em Uberlândia. Este foi um ano em que a cidade registrou um consumo recorde por habitante. Mas, se por um lado, houve excesso, por outro também teve falta. A discussão sobre a segurança hídrica ganhou ainda mais espaço após o rompimento de adutoras do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), além de uma chuva torrencial no início de dezembro que causou diversos estragos. 

Relembre os principais fatos que marcaram 2020:

CONSUMO RECORDE
O último dia de setembro marcou um registro histórico na cidade. De acordo com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), a cidade atingiu um consumo recorde de 299 litros por habitante em Uberlândia, quando a temperatura máxima na cidade atingiu 37ºC. A produção diária acima de 207 milhões de litros foi a maior da história, segundo o órgão. 

ROMPIMENTO DE ADUTORAS
No mesmo mês, uma adutora rompeu na Estação de Tratamento de Água (ETA) Sucupira. Segundo o Dmae, o acidente foi causado por uma pessoa que trabalhava na obra de uma propriedade rural às margens da rodovia que liga a estação até o município. 

Na época, o sistema de abastecimento teve que ser desligado para que a manutenção na adutora fosse realizada. Houve falta de água em algumas regiões, como no bairro Santa Mônica, por exemplo. Após o ocorrido, o Ministério Público Estadual (MPE), através da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, voltou a cobrar da Prefeitura a elaboração de um projeto de lei de segurança hídrica no município. 

O Dmae também foi alvo de uma recomendação do MPE, que exigiu que o Município deixasse de cobrar por fornecimento de água de forma alternativa, como no caso dos caminhões pipa. O acidente na ETA Sucupira também motivou uma ação civil pública contra o Município cobrando dano moral coletivo, por conta do desabastecimento. 

 
“O Município ainda cobra para colocar caminhão pipa com água a serviço da população, sendo que deveria estar dando conta. Agora vou responsabilizar e entrar com uma ação civil pública. Cobrar dano moral coletivo. Que eles façam uma legislação para fins hídricos, entre outras situações. Estão tratando isso de maneira bem imatura, com falta de experiência e de vontade política”, disse o promotor Fernando Martins, em entrevista ao Diário na época.

Em novembro, outros três acidentes com adutoras foram registrados na cidade. O primeiro ocorreu no dia 20 na avenida Rondon Pacheco, onde um grande jato d’água atingiu comércios e casas da região, causando diversos prejuízos. Pelo menos 16 bairros tiveram o abastecimento interrompido para a manutenção da rede.

Um dia depois, outras duas adutoras romperam também na Av. Rondon Pacheco. Os transtornos causados foram acrescentados na ação civil pública feita pela Promotoria de Defesa do Consumidor de Uberlândia. O MPE também pediu que ao Dmae uma vistoria preventiva em todas as adutoras da cidade para uma manutenção imediata. 

CHUVA TORRENCIAL
No início de dezembro, os moradores de Uberlândia foram surpreendidos por uma forte chuva que atingiu a cidade e causou acidentes e diversos pontos de alagamento. De acordo com a Prefeitura, em aproximadamente 1h20 de chuva, choveu uma média de 120 milímetros. metro. Segundo levantamento do Executivo, a Prefeitura estimou gastos acima de R$ 1 milhão com os reparos na cidade.  

A precipitação causou a morte de um motociclista de 34 anos e o resgate de pelo menos outras 15 vítimas que ficaram ilhadas em decorrência das inundações. A tempestade iniciou por volta das 17h30 e durou pouco mais de três horas. De acordo com as informações do Corpo de Bombeiros, houve inundações e enchentes em vias do bairro Santa Mônica, Santa Luzia, Pampulha, Jaraguá, Residencial Gramado, entre outros. 

Em muitos pontos da cidade a situação se agravou por conta de rios e córregos que transbordaram. Na avenida Henry Valle, no bairro Jaraguá, o Rio Uberabinha subiu cerca de 1,5 metro e invadiu uma casa, onde havia uma pessoa acamada.

A maior parte das ocorrências se concentrou na avenida Rondon Pacheco. Um motorista que estava na avenida teve que sair pelo teto solar do veículo para se salvar, sendo resgatado em seguida. Outro resgate foi feito por um policial militar à paisana, que salvou uma mulher que se agarrou em uma árvore para não ser levada pela inundação na avenida. O militar utilizou uma corda e conseguiu socorrer a vítima, que não sofreu ferimentos. 

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram pessoas que ficaram ilhadas dentro do carro que foi levado pela força da água. Um deles mostra um casal, que tinha acabado de sair do carro, segurando-se a um poste para não ser arrastado pela enxurrada. 

Ainda na Rondon Pacheco, motociclistas foram levados pela água. Uma das vítimas conseguiu se segurar em uma árvore. Outro vídeo, que também viralizou nas mídias, mostra um homem descendo a enxurrada da avenida com uma boia. 

A água da chuva também invadiu estações do transporte público na avenida João Naves de Ávila. Um vídeo mostra que a estação em frente à Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do Pampulha ficou alagada. Passageiros tiveram que subir nos bancos para não serem arrastados. Diversas ocorrências de placas extraviadas e danos a veículos também foram registradas em variadas regiões da cidade. 

Um levantamento feito pelo Laboratório de Climatologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) mostrou que nos nove primeiros dias de dezembro choveu quase o esperado para o mês inteiro. 

SEGURANÇA HÍDRICA
Com as diversas ocorrências do ano, a Prefeitura decidiu atender a uma das recomendações feitas pelo Ministério Público e encaminhou à Câmara Municipal de Uberlândia um projeto de lei que institui a Política Municipal de Segurança Hídrica e Gestão das Águas na cidade. O projeto, de autoria do prefeito, foi aprovado por 20 votos favoráveis no início de dezembro.
 
Em comunicado enviado à imprensa, no dia 11 de dezembro, a Prefeitura informou que o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) vai apresentar um relatório trimestral sobre a situação hídrica de Uberlândia ao Comitê Técnico de Regulação dos Serviços Municipais (Cresan).
 
O projeto de lei aprovado na Câmara prevê também a adoção de um desconto ou tarifa de contingência em casos de situação crítica de escassez ou contaminação de recursos hídricos. Segundo o Executivo, tanto o desconto pela redução quanto o acréscimo terão por base um consumo médio de referência.
 
Ainda segundo a medida, hospitais, prontos-socorros, UAIs e demais centros de saúde, assim como penitenciárias, colônias penais, outros estabelecimentos prisionais e grupos específicos definidos pelo Cresan estarão isentos de qualquer tarifagem.

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