29/12/2020 às 18h13min - Atualizada em 29/12/2020 às 18h13min

Ciclismo conquista população e aquece vendas de bicicletas em Uberlândia

Muitas pessoas se tornaram adeptas do esporte já que academias ficaram fechadas; lojistas se surpreenderam com número de vendas

BRUNA MERLIN
Procura por trilhas de grupos também aumentou nos últimos meses | Foto: Trilha Bike/Divulgação
A pandemia da Covid-19 mudou a vida de muitas pessoas e ela também abriu espaços para novas oportunidades. Em Uberlândia, muitos moradores se tornaram adeptos ao ciclismo e aqueceram o mercado de bicicletas, recuperando a economia do setor que demonstrava preocupação com o cenário de crise financeira.

Wagner Ferreira Borges é dono da loja Trilha Bike há 22 anos e se surpreendeu com a quantidade de pessoas que começaram a praticar o ciclismo durante os últimos meses. Segundo ele, neste ano o número de vendas aumentou em cerca de 90% em relação ao ano passado.

O estabelecimento de Wagner chegou a ficar fechado durante alguns dias no mês de março, mas muitas pessoas começaram a ligar para comprar bicicletas, acessórios e realizar manutenções, e o empresário teve que reabrir a loja para atender a demanda de clientes. “Foi uma surpresa porque estávamos esperando um ano ruim assim como aconteceu com vários segmentos. Foi um período muito bom para nosso setor”, disse.

Para Wagner muitos praticantes de atividades físicas tiveram que se reinventar já que as academias ficaram fechadas por muito tempo. Sendo assim, as pessoas investiram no ciclismo que é um esporte que trabalha todo o corpo e é praticado ao ar livre.

“A maioria dos meus clientes tem entre 20 e 50 anos. São pessoas que costumavam fazer alguma atividade física, mas tiveram que parar porque os locais ficaram impedidos de abrir. O ciclismo foi uma ótima oportunidade para essas pessoas”, destacou. 

Ainda de acordo com o lojista, as trilhas em grupos também ganharam mais participantes no decorrer dos últimos meses. Wagner é o responsável por um grupo que realiza trilhas noturnas e diurnas na cidade, e notou a grande procura de novos ciclistas com interesse em fazer parte da comunidade.

“Muitas pessoas vieram me procurar para participar das trilhas que organizo. Hoje, temos diversos ciclistas novos que começaram neste ano e que estão gostando dessa prática”, complementou. 

Crescimento do esporte
Vitor Rodrigues, proprietário da loja Bike Center, acredita que o ciclismo teve uma grande visibilidade neste ano e se tornou um esporte importante para diversas pessoas, acrescentando saúde e uma nova rotina em suas vidas. “Acredito que em todo o país o número de praticantes do ciclismo aumentou. Foi um ano em que a população se preocupou mais com a saúde e a bicicleta proporciona isso”, comentou.

O empresário também teve um aumento significativo no número de vendas na loja. O estabelecimento, que oferece bicicletas, peças e acessórios, registrou uma elevação de 100% na quantidade de vendas se comparado com 2019. 

Há sete anos no mercado, Vitor teve um dos melhores em relação à procura pelos produtos. “Pensamos que seria um período difícil porque outros setores estavam enfrentando dificuldades, mas fomos surpreendidos com tamanha procura pelos equipamentos”, ressaltou. 

Entretanto, algumas dificuldades atingiram o comércio de Vitor. De acordo com ele, em razão das restrições de distanciamento social e da crise financeira que atingiu a indústria, a produção de peças e bicicletas diminuiu, fazendo com que a oferta desses produtos fosse menor.

“Faltou bastante mercadoria no mercado e isso prejudicou um pouco as vendas já que a procura era muito maior que a demanda. Mas, felizmente, ainda tivemos bons lucros”, finalizou. 

Superando os desafios
A esteticista Delza Maria Leandro, de 52 anos, trocou as aulas de musculação pelas pedaladas em grupo. Ela superou o medo de andar de bicicleta e investiu na atividade em julho deste ano.

“Sempre tive interesse em ciclismo, mas não tinha muito jeito com a bicicleta e tinha até um pouco de receio. Mas, depois que a academia fechou, eu não queria ficar parada. Então superei esse medo e fui comprar meus equipamentos para começar a praticar trilhas”, relatou.

Delza gostou tanto do ciclismo que pretende continuar praticando mesmo depois da pandemia e já incentivou outras pessoas a pedalar, como a filha e o genro. “Hoje, nós vamos juntos pedalar. Encontramos um grupo que pedala no perímetro urbano e estamos apaixonados por isso”, ressaltou ela. 

A profissional de estética contou ainda que chegou a contrair a Covid-19 no final de novembro e acredita que o esporte a ajudou a enfrentar a doença com mais tranquilidade e ter uma recuperação mais rápida. 

“Devido a essa atividade eu tive uma condição física e pulmonar melhor. Acredito que isso ajudou muito na minha recuperação e, depois de ficar isolada, estou voltando a praticar aos poucos para melhorar ainda mais meu condicionamento físico”, concluiu. 


 

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