27/11/2020 às 12h33min - Atualizada em 27/11/2020 às 12h33min

Outubro registra saldo positivo na geração de empregos em Uberlândia

Porém, no acumulado do ano, a cidade mantém o saldo negativo com mais desligamentos do que admissões, segundo dados do Caged

SÍLVIO AZEVEDO
Em recuperação, após uma queda brusca nos resultados da geração de emprego durante a pandemia da Covid-19, Uberlândia fechou outubro com saldo positivo de 1.703 vagas. Foram nove mil contratações contra 7.297 demissões. 

Com resultado positivo de 417 novas vagas, um dos setores que mais contratou em outubro foi o de Serviços. No comparativo, foram 4.258 postos de trabalho gerados contra 3.841 desligamentos. O comércio fechou o mês com o maior saldo, totalizando 458 novos postos de trabalho.

Para o economista César Piorski, o crescimento do saldo do último mês, impulsionado pelo setor do comércio, está associado à proximidade com o fim de ano, mas não necessariamente representa uma recuperação econômica do município.

“A gente precisa ter um pequeno cuidado pois quem mais puxou esse crescimento foi o setor de comércio, que deu uma disparada. É normal, nessa época do ano, o comércio contratar mesmo por causa da entrada do 13º e final de ano. A perspectiva que de fato está crescendo mais o comércio, com essas vagas que ele cria agora, ele devolve tudo em janeiro”, disse.

O especialista destacou ainda que existem algumas incertezas que podem ser determinantes para a manutenção desse crescimento da geração de emprego. “O orçamento do Governo Federal ainda não foi aprovado e nem votado. E não sabemos como fica a questão tributária no próximo ano, sabemos que vai ser interrompido o auxílio emergencial, ainda tem as incertezas políticas. E tudo isso afeta a geração de emprego. O que podemos afirmar e que o pior parece que passou e as vagas estão aumentando ao longo do tempo”, afirmou.
 
Mesmo com a imprevisibilidade do mercado, Piorski afirma que as políticas públicas elaboradas pelos municípios são fundamentais para a geração de empregos, principalmente aqueles que estão em dia com o pagamento de fornecedores e salários de servidores.

“Cidades que têm, por exemplo, uma prefeitura com as contas saudáveis sai mais rápido de uma crise. Se pesquisar na plataforma Capacidade de Pagamento (Capag), do Governo Federal, Uberlândia e Belo Horizonte estão bem e, com isso, geraram mais empregos. Em geral, cidades que tem uma boa finança pública, têm mais capacidade de recuperação”, destacou.

No acumulado do ano, o saldo de Uberlândia ainda segue negativo com 120 vagas a menos. Em 2020, foram 77.176 contratações e 77.296 demissões. Os grandes vilões foram os meses de março, abril e maio, logo no início da pandemia, que juntos, contabilizaram 5.504 postos de trabalho fechados.

“Março, abril e maio, foram o ápice. Em abril nós perdemos quase quatro mil postos de trabalho. A partir de junho, nós começamos a gerar saldo positivo, mas a queda foi tão absurda nesses três meses que não conseguimos nos recuperar, com uma trajetória positiva, com destaque em agosto, setembro e outubro, saindo da casa das centenas e gerando mais de mil postos de trabalhos mensais”, completou o economista.

Outubro
  • Admissões: 9 mil
  • Desligamentos: 7.297
  • Saldo: 1.703
Saldo
  • Comércio: 458 (Contratações: 2.184 / Demissões: 1.726)
  • Serviços: 417 (Contratações: 4.258 / Demissões: 3.841)
  • Indústria: 368 (Contratações: 1.076 / Demissões: 708)
  • Agropecuária: 352 (Contratações: 512 / Demissões: 160)
  • Construção: 108 (Contratações: 970 / Demissões: 862)

 
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