25/11/2020 às 09h00min - Atualizada em 25/11/2020 às 09h00min

Grupo de pais se une para defender retorno das aulas presenciais em 2021

Apoiadores alegam que crianças estão regredindo na educação; grupo também critica decisões municipais quanto à reabertura de outras atividades

BRUNA MERLIN
SEE/MG informou que o processo para a retomada das atividades escolares presenciais na rede pública estadual de ensino está suspenso | Foto: Agência Brasil
Um grupo de pais e mães de Uberlândia se uniu para defender o retorno das aulas presenciais em 2021. O movimento, que pede a retomada alegando que as atividades escolares de forma remota prejudicaram os estudantes, tem pouco mais de mil apoiadores em um perfil criado no Instagram.  

A empresária Heliara Nunes, de 33 anos, foi quem mobilizou o grupo para protestar contra as decisões municipais e estaduais em relação ao retorno das aulas. Ela tem um filho espectro autista, de 6 anos, que, segundo ela, está sendo muito prejudicado pela falta das atividades presenciais. 

“A aula online é vendida como algo bom, mas com criança não funciona desse jeito. Crianças não entendem que precisam ficar sentadas na frente de um computador para aprender algo, ainda mais dentro de casa que existem milhares de distrações”, ressaltou ela.

Heliara também ressaltou que não é fácil para os pais ensinarem os filhos e os acompanharem durante todas as aulas e lições. De acordo com ela, no início da pandemia isso até funcionava, já que muitos estavam trabalhando em home office. Contudo, devido ao retorno de todas as atividades comerciais, a tarefa se tornou praticamente impossível.

“A vida e o trabalho dos pais não pararam e muitas crianças estão ficando sem apoio educacional. Muitos pais já até desistiram e preferiram reprovar o filho de ano. Se não houver retomada das atividades presenciais no ano que vem, essas crianças vão ficar mais um ano sem estudar?”, complementou. 

Para a empresária, o retrocesso educacional é algo muito notável. Segundo ela, o ensino remoto está tapando um buraco para evitar a regressão da criança, mas não está funcionando. 

“As crianças estão perdendo uma parte do aprendizado que é muito importante para o desenvolvimento e que irá gerar muitas consequências negativas no futuro. Algo precisa ser feito”, finalizou ela.

INDIGNAÇÃO
A médica veterinária e professora universitária, Priscila Marra, de 38 anos, é uma das apoiadoras do grupo e se demonstra indignada com as decisões governamentais em relação a liberar outras atividades e deixar a educação desassistida. Ela é mãe de uma menina de 5 anos que estuda em uma escola particular de Uberlândia. 

“Bares, restaurantes e até festas estão acontecendo sem nenhuma fiscalização. Lugares em que o risco de contágio é muito maior. Por que as escolas continuam fechadas? É cômodo para eles?”, questionou.

A autorização para a reabertura de bares, lanchonetes e restaurantes na cidade foi anunciada pelo Comitê Municipal de Enfrentamento da Covid-19 em meados de agosto. Mesmo com medidas de segurança impostas, basta passar por algumas vias e bairros do município que é possível notar estabelecimentos lotados.

Quase dois meses depois, em outubro, uma nova deliberação do Município permitiu a realização de eventos com no máximo até 30 pessoas. Desde então, o Diário tem noticiado a ocorrência de festa irregulares, que não recebem a devida fiscalização. 

Priscila disse que as aulas presenciais podem ocorrer de forma segura, caso o Estado e Município se mobilizem para criar políticas públicas que orientem escolas e instituições sobre o que deve ser feito. “Não podemos continuar nessa incerteza, porque isso está afetando nossas crianças das piores formas possíveis, tanto educacional e psicologicamente. Algo precisa ser feito e é isso que estamos cobrando”, explicou a professora universitária. 

Por fim, a médica veterinária explicou que essa situação atinge muito mais pessoas com baixa renda. Além de várias crianças e adolescentes não terem acesso à internet e meios eletrônicos, elas não têm a disponibilidade de pais ou responsável para ajudá-las. 

“Muitas crianças estão abandonando os estudos porque não tem incentivo, não tem apoio e muito menos condições financeiras, e isso abre portas para vários problemas”, concluiu. 

MOBILIZAÇÃO
O grupo de pais e mães cobra uma movimentação dos representantes estaduais e municipais para que as aulas presenciais voltem o mais rápido possível e de forma segura. Além disso, eles pedem um posicionamento sobre o que está sendo feito para a retomada das atividades escolares. 

“Queremos respostas porque não está tendo um interesse dos governantes em mudar essa situação. Estão deixando as coisas rolarem sem tomar atitudes. Queremos uma perspectiva e queremos ser ouvidos”, ressaltou a criadora do grupo, Heliara Nunes.

O Diário de Uberlândia entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) que, por meio de nota, informou que o processo para a retomada das atividades escolares presenciais na rede pública estadual de ensino está suspenso, por determinação judicial, não havendo uma data prevista para o retorno presencial dos estudantes às escolas estaduais. 

A SEE/MG lembrou ainda que a decisão sobre a abertura de quaisquer escolas, seja pública ou privada, é de responsabilidade e autonomia de cada prefeitura. O Estado autorizou a retomada das atividades presenciais nas instituições de ensino, a partir de outubro.

A reportagem também procurou a Prefeitura de Uberlândia e questionou se existe uma previsão para a retomada das aulas presenciais, mas até a publicação não houve retorno. 

Acompanhe: 
O grupo está presente em um perfil do Instagram onde pais, mães ou outros responsáveis podem apoiar a causa. Para acompanhar e seguir, basta clicar aqui



 
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