13/11/2020 às 08h33min - Atualizada em 13/11/2020 às 08h33min

Câncer de próstata: especialistas alertam para importância de exames preventivos

Neste ano, Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia já atendeu 965 pacientes diagnosticados com o tumor

DHIEGO BORGES

Com estimativa de surgimento de mais de 65 mil novos casos em 2020, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é considerado o tipo mais comum entre os homens, atrás apenas do tumor de pele não-melanoma. Apesar da alta incidência, a doença tem 90% de chances de cura quando diagnosticada na fase inicial.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, entre 2019 e 2020, o câncer de próstata foi a causa da morte de 114 homens no Triângulo Mineiro. Em Uberlândia, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia já atendeu, somente neste ano, 965 pacientes diagnosticados com o tumor, com uma média de 97 pacientes por mês. Em 2019 foram realizados 2.023 atendimentos, com uma média de 169 pacientes mensais.

Neste mês, marcado pela campanha Novembro Azul, especialistas ouvidos pelo Diário fazem um alerta sobre a importância da realização dos exames preventivos e o fim do preconceito que ainda existe sobre o diagnóstico.

Em entrevista à reportagem, o urologista Sérgio Padilha disse que o rastreamento da doença é extremamente importante, já que geralmente o tumor na próstata não apresenta sintomas na fase inicial. Os exames preventivos são a dosagem de PSA, que é feita através de um exame de sangue, e o toque retal, que permite a identificação de nódulos ou tecidos endurecidos. Para um diagnóstico mais seguro, segundo o médico, é necessário realizar os dois procedimentos. 

“Homens brancos, sem histórico familiar da doença, iniciam a partir dos 50 anos. Já homens negros e homens brancos com histórico familiar devem começar a prevenção mais cedo, a partir dos 45 anos. Os dois exames são importantes, pois uma informação não caminha sem a outra. Às vezes um paciente pode apresentar um PSA normal, mas no exame de toque dá alterado, então é necessário prosseguir a investigação”, destacou Padilha.

Ainda de acordo com o especialista, o fator hereditariedade tem maior peso, mas a doença está naturalmente relacionada ao envelhecimento. No Brasil, a cada dez homens diagnosticados, nove têm mais de 55 anos, segundo o INCA. “Se fizermos o rastreamento de dez homens com idade de 90 anos, praticamente 80% deles vão apresentar diagnósticos positivos”, explicou o médico.  

Nas fases avançadas, o tumor pode apresentar sintomas como sangramento na urina, perda de peso e dor óssea. Além dos exames preventivos, outros hábitos podem ajudar a diminuir o risco, como ter uma alimentação saudável, não fumar, evitar o consumo de bebida alcoólica e reduzir o consumo de carne vermelha. O tratamento da doença envolve a realização de procedimento cirúrgico ou a radioterapia, a depender de cada caso.
 
PRECONCEITO AINDA É OBSTÁCULO
Uma cultura social de masculinidade que constrói a imagem de um ser que não pode demonstrar fraquezas é, para o psicólogo e terapeuta familiar de sexualidade Célio Gama Chaves, um dos principais obstáculos que impedem os homens de cuidarem melhor da saúde e de não alimentarem preconceitos, como é o caso do exame de toque.

“Existe a questão da virilidade, que são características físico-sexuais atribuídas ao homem, e uma cultura de masculinidade muito forte. Desde crianças, construímos determinados valores que ficam enraizados. Então é comum ouvir frases como: macho de verdade não vai ao médico, você é um homem ou um saco de batata. Então somos forçados a ser fortes o tempo todo, não podemos demonstrar fragilidade”, explicou.

Ainda de acordo com o terapeuta, essas características geram um comportamento disfuncional que acabam alimentando o preconceito. Sentimentos como medo, insegurança e vergonha são para o especialista os principais fatores que ainda limitam a quebra dos paradigmas em relação aos cuidados com a saúde para os homens. Segundo o psicólogo, o apoio da família é essencial para combater esses obstáculos.

“Hoje, através das redes sociais e internet, temos um acesso maior a informações, então o homem está se tornando um pouco mais flexível. Nesse processo, o apoio da família, da mãe ou da esposa são fundamentais, porque as mulheres já são acostumadas desde cedo a cuidarem de si e são a parte mais sensível da relação”, disse.
 

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