11/11/2020 às 10h06min - Atualizada em 11/11/2020 às 10h06min

Comerciantes relatam recorrentes assaltos no bairro Santa Maria em Uberlândia

Empresário contou ao Diário que escritório foi invadido 10 vezes; vítimas cobram maior patrulhamento da PM

BRUNA MERLIN
Criminosos roubam cabos da caixa de energia elétrica, além de danificar serpentinas, muros e portas | Foto: Arquivo Pessoal
Moradores e empresários do bairro Santa Maria em Uberlândia estão vivendo dias de terror devido à grande quantidade de assaltos e furtos que estão sendo registrados nos últimos meses na região. O Diário de Uberlândia conversou com algumas vítimas que tiveram os comércios invadidos pelos criminosos.

O corretor de imóveis Raphael Guimarães, de 42 anos, tem um escritório localizado na avenida Rondon Pacheco que já foi invadido cerca de 10 vezes pelos ladrões nos últimos seis meses. De acordo com ele, em todas as vezes os criminosos conseguiram levar pertences do local como móveis, televisões, ferramentas, computadores, além de fios de energia elétrica. 

“É uma situação que já saiu fora do controle. As pessoas estão assustadas e sem saber o que fazer. Muitos estão se mudando e eu que tenho algum imóveis locados estou perdendo clientes por causa dessa situação”, ressaltou. 

Raphael contou ainda que fez um grande investimento e implantou câmeras de videomonitoramento e circuito de alarmes para tentar espantar os criminosos, mas isso não está sendo o suficiente. “Eu tentei fazer minha parte, mas essas coisas não assustam eles mais e eles entram do mesmo jeito”, complementou o corretor.

O medo e insegurança também afronta o empresário Fabiano Gomes, de 36 anos, que é dono de uma loja de roupas e itens infantis, localizada na avenida Rondon Pacheco. Ele inaugurou o comércio em agosto e ele já foi arrombado quatro vezes. 

Ainda de acordo com Fabiano, em uma das vezes os criminosos estavam indo todos os dias no local para fazer pequenos buracos na parede da loja com o objetivo de conseguir entrar. Por sorte, ele conseguiu ver antes e tampar o buraco. 

“Já cheguei a dormir na porta da loja para que eles não entrassem. Já estou pensando em procurar outro local para colocar o estabelecimento porque desse jeito não está dando mais”, destacou.

Assalto à mão armada
No mês de outubro, a esposa do empresário Bruno Gregório, de 34 anos, foi rendida e ameaçada por um assaltante que portava uma arma de fogo no bairro Santa Maria. A vítima tinha acabado de terminar o expediente na clínica de estética em que trabalha, por volta das 19h, e foi abordada pelo autor no momento em que entrava no carro. 

“Ele tentou levar o veículo, mas não conseguiu e acabou levando somente o celular dela. Mas foi um susto porque ele estava armado. Isso está acontecendo demais na região e não somente de noite, mas durante o dia também”, disse. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Meses antes, a clínica chegou a ser alvo de um furto de cabos de energia elétrica. Segundo Bruno, eles tentaram entrar no local, mas não conseguiram e levaram o padrão de energia. 

O empresário atribuiu o aumento de ocorrências à pandemia do novo coronavírus já que muitas empresas ficaram fechadas nos últimos meses e os criminosos tiveram a oportunidade de cometer furtos com mais facilidade e a qualquer hora do dia. “Conhecemos e convivemos no bairro há anos e nunca foi desse jeito. É uma situação assustadora porque todo dia aparece alguém relatando que foi assaltado na região”, finalizou ele.

PATRULHAMENTO
À reportagem, os empresários relataram que a Polícia Militar (PM) está realizando poucos patrulhamentos e rondas na região, o que acaba facilitando a ação dos ladrões. Conforme dito pelo corretor de imóveis Raphael Guimarães, desde que a unidade móvel da PM saiu das proximidades, os crimes ficaram mais constantes.

“Uma van da PM ficava localizada próximo ao Hotel San Diego e isso ajudava muito porque assustava um pouco os assaltantes, mas depois que ela foi retirada de lá, a situação foi piorando a cada dia”, frisou. 

Gregório acredita que uma maior fiscalização dos policiais pode ajudar a render os assaltantes em flagrante e assim conseguir recuperar parte dos itens roubados. “Com todos os comerciantes que já conversei eles relataram que nada pode ser feito. Ninguém conseguiu recuperar as coisas roubadas e muito menos os criminosos foram presos. É muito difícil isso”, finalizou.

RESPOSTAS
O Diário procurou a Polícia Militar que, por meio de nota, informou que irá encaminhar os relatos à companhia responsável pelo policiamento para a adoção de medidas pontuais. Disse ainda que uma análise sobre a incidência dos crimes está sendo realizada para que possam ser adotadas as devidas soluções.

A reportagem cobrou ainda dados do primeiro semestre deste ano e também do mesmo período de 2019 em relação ao número de crimes na região para saber se houve aumento e se há relação com a pandemia, mas as informações não foram repassadas pela corporação. 


 

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