24/10/2020 às 08h00min - Atualizada em 24/10/2020 às 08h00min

Segundo quadrimestre do ano aponta possível recuperação do mercado de trabalho

Cidade voltou a gerar vagas de emprego formal após meses consecutivos de resultados negativos

DHIEGO BORGES
Call Center da Algar está com 475 vagas abertas | Foto: Algar/Divulgação

O primeiro quadrimestre de 2020 não foi nada positivo para o mercado de trabalho em Uberlândia. Somente de janeiro a abril, a cidade perdeu mais de 4 mil vagas de emprego formal. Mas, a boa notícia é que, nos últimos meses, o município voltou a registrar saldo positivo na geração de empregos. Segundo uma economista ouvida pelo Diário, um movimento de empresas abrindo novas oportunidades neste segundo semestre pode sinalizar o início de uma recuperação.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilados pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes-UFU), o município vem apresentando uma melhora no segundo quadrimestre de 2020. A leve recuperação foi iniciada em junho, período em que a cidade registrou um saldo positivo de 178 vagas, após três meses consecutivos com resultados negativos.

A dança das cadeiras diminuiu e, de maio a agosto, o município contabilizou, no acumulado do segundo quadrimestre, um saldo positivo de 982 vagas. Agosto foi o mês com o melhor resultado do ano, com a abertura de 1.078 postos de trabalho. De acordo com o último levantamento feito pelo Cepes-UFU, o resultado favorável do último quadrimestre foi impulsionado, principalmente, pelos setores da Indústria e Construção Civil, que geraram juntos mais de mil vagas.

Neste ano, a Indústria tem se destacado nas contratações, sendo o único setor que apresenta saldo positivo no acumulado do ano, entre janeiro e agosto, com 846 postos de trabalho abertos. De acordo com a pesquisadora e economista do Cepes, Ester William Ferreira, a demanda constante por alimentos e produtos de higiene pode ser apontada como o principal fator do crescimento.
“O que ajudou muito foi o incremento de vagas na Indústria, que vem gerando bastante oportunidades, principalmente nos segmentos de alimentação e produtos de higiene e limpeza, que estão relacionados à pandemia”, afirmou Ester.
 
INDÚSTRIA DE ALIMENTOS ABRE 200 VAGAS
Com o aumento da demanda e a proximidade das festas de fim de ano, a BRF em Uberlândia abriu neste mês 200 novas vagas de emprego. A indústria está com processo seletivo aberto para a função de operador de produção. De acordo com o gerente executivo de RH Regional Centro Oeste, Marcelo Carvalho, o recrutamento está sendo feito para início já no próximo mês.

“Não paramos e como serviço essencial, mantivemos as oportunidades, fazendo algumas reposições por conta de alguns colaboradores que são do grupo de risco. Com o mercado aquecendo, voltamos a ter algumas linhas de produção adicional e, além disso, tem a proximidade com o fim do ano, que é um período importante para nós. Por isso, tivemos esse crescimento e estamos recrutando para início já em novembro”, destacou.

Para participar do processo seletivo, não é necessário ter experiência. Os candidatos precisam ter ensino fundamental incompleto e no mínimo 18 anos de idade. As inscrições estão sendo realizadas pelo site da empresa no www.brf.com/talentos.
 
SETOR DE SERVIÇOS SE RECUPERA
Apesar do resultado negativo no acumulado do ano, com 1.595 postos de trabalho fechados em Uberlândia, o setor de Serviços começou a apresentar uma melhora em agosto, mês em que foram geradas 276 novas vagas. O segmento foi um dos que mais apresentou resultados negativos no ano, atrás apenas do Comércio.

Na contramão do setor, em Uberlândia, o call center da Algar registrou um crescimento de 6% no número de contratações. De acordo com o gerente de talentos humanos do CSC Algar, Gustavo Silva, estão abertas 475 vagas para teleatendimento, que são resultado da abertura de novos negócios.

“Tivemos novos clientes e também o crescimento dos que já estavam com a gente. Como estamos em período de Black Friday e próximos do Natal, boa parte das vagas são para atender a essas demandas. Por isso, estamos buscando perfis tanto para atendimento ativo quanto receptivo”, destacou.

Ainda segundo o gerente, grande parte das contratações são para atuar fisicamente na estrutura da empresa, que hoje está com 80% do quadro em home office, por conta da pandemia. De acordo com o responsável, a Algar está trabalhando com um protocolo para retomada do trabalho presencial.

Para se candidatar às vagas é necessário ter 18 anos, segundo grau completo e boa fluência na fala. As vagas estão abertas no site da empresa, pelo endereço eletrônico www.bancodetalentosalgar.com.br. O processo seletivo está sendo realizado de forma remota, por meio de um aplicativo disponibilizado aos candidatos.
 
ECONOMISTA FAZ ANÁLISE
Mesmo com a tímida recuperação no segundo quadrimestre do ano, a pesquisadora e economista do Cepes, Ester William Ferreira, destaca que a cidade ainda segue com um resultado negativo no acumulado do ano. De acordo com os dados disponibilizados pelo Novo Caged, Uberlândia contabiliza 3.266 postos de trabalho fechados até o último levantamento feito pelo Cepes.
“Temos um reflexo da reabertura de muitas atividades econômicas a partir da flexibilização das medidas restritivas do isolamento social. Notamos, então, uma moderada recuperação, com geração de vagas de emprego formal nestes últimos meses, mas ainda vejo como muito insipiente por conta do volume de postos de trabalho fechados até aqui. Ainda que o saldo do segundo quadrimestre seja positivo, estamos muito longe da recuperação e patamares do ano anterior”, alertou.

A economista também destaca que o fim das medidas de manutenção do emprego e renda adotadas pelo Governo Federal, com prazo até dezembro, pode impactar no aumento do desemprego no início do próximo ano.
 
MG e BRASIL
Em Minas Gerais, o saldo de geração de empregos no acumulado do ano também segue negativo, com o fechamento de 69.984 postos de trabalho. Segundo os dados do Caged, o Brasil também contabiliza 849.387 empregos a menos. A taxa de desocupação é de 13,8% no país, o que equivale a 13,1 milhões de pessoas. Os dados compilados pelo Cepes são baseados no chamado Novo Caged, que reúne as informações do eSocial e do Empregador Web.


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