06/10/2020 às 09h56min - Atualizada em 06/10/2020 às 09h56min

Livro discute educação tecnológica e mídias infantis

Obra foi desenvolvida no IFTM de Uberlândia e será distribuída em bibliotecas da cidade

DA REDAÇÃO
Márcio Bonesso ao lado de estudantes que participaram das pesquisas que integram o livro | Foto: Divulgação
Anualmente, a Prefeitura de Uberlândia abre inscrições para o Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Pmic). Várias propostas são apresentadas, e uma delas, relativa ao edital de 2019, está em desenvolvimento neste ano. Criado a partir da organização de relatórios de pesquisas e trabalhos de conclusão de curso desenvolvidos no Instituto Federal de Uberlândia (IFTM) Campus Centro, o livro “Educação Tecnológica e Mídias Infantis – Interpretações Etnográficas” já está finalizado e deve chegar nas escolas municipais ainda em 2020.

Aprovado no último ano na categoria “Biblioteca, Arquivo, Galeria, Museu”, o livro foi baseado em quatro relatórios de pesquisa de iniciação científica do ensino médio integrado e um trabalho de conclusão de curso do nível da pós-graduação, todos coordenados pelo professor de sociologia Márcio Bonesso.

Os trabalhos abordavam, a partir de perspectivas antropológicas, sociológicas e filosóficas, a relação da educação tecnológica com animações musicais infantis, desenhos animados e filmes de princesa.

“Avaliando os trabalhos de forma geral, achei que estavam com muita qualidade. Eu vi a potência do trabalho dessas meninas do ensino médio e essa coesão entre os temas. Eu e Isabella (Damasceno) fizemos um projeto de extensão, organizamos os textos de forma mais orgânica, dividindo em capítulos e misturando análises. Foi um trabalho complexo, não foi só pegar os relatórios de pesquisa e transformar em capítulos. Nós ficamos um ano fazendo um trabalho de revisão e análise para construir os capítulos tendo por base os relatórios e TCCs das alunas”, afirmou Márcio.

PESQUISA
O trabalho de pesquisa que resultou na criação do livro começou ainda em 2015, quando a temática da educação tecnológica e mídias infantis passou a ser trabalhada pelo professor Márcio, juntamente com seus orientadores. A primeira análise começou em sala de aula, quando o professor propôs estudar videoclipes infantis para discutir a relação entre natureza e cultura nas teorias antropológicas.

A discussão despertou o interesse da estudante Júlia Cabral, à época aluna do ensino médio e atualmente graduanda em Ciências Sociais na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que gostou da temática e propôs uma pesquisa na área ao professor Márcio Bonesso.

“Eu havia acabado de defender meu doutorado na área de sociologia da violência, mas como tinha me tornado pai recentemente e estava começando a viver nesse universo das mídias infantis, topei na hora fazer a pesquisa”, explicou Márcio Bonesso. Outras estudantes então se interessaram pela temática e passaram a desenvolver pesquisas relacionadas, como a questão de gênero em animações, filmes de princesa e até pesquisar entre os professores do IFTM como eles avaliavam as animações atuais e os desenhos da época em que eram crianças.

Além de Júlia, a primeira a estudar o tema com Bonesso e Isabela Damasceno, a organizadora do livro, também integraram as pesquisas em algum momento Laura Nicoli, egressa do curso Integrado em Administração; Juliana Lobo, egressa do curso integrado em Computação Gráfica, além de Bruna Biasi, que defendeu uma pesquisa sobre as questões de gênero nos programas da Galinha Pintadinha na pós-graduação em Tecnologia, Linguagens e Mídia na Educação, do IFTM.

“A temática da educação tecnológica, sobretudo dessas animações, foi muito bem problematizada nas pesquisas. O objetivo do livro é democratizar e popularizar a ciência, utilizando para isso temas que são comuns na nossa vida cotidiana e a linguagem utilizada é bastante fácil. Qualquer pessoa que quer compreender melhor essa temática da educação tecnológica, essas análises etnográficas das mídias sociais, das animações musicais, dos filmes de princesa. Creio que ele serve como material didático e de pesquisa para professores e também para alunos do ensino médio que estão criando sua formação dentro da esfera das humanidades”, avaliou o professor.

CAPA ESPECIAL
O livro estuda animações infantis, então nada mais justo que uma criança participasse da criação. Gregório Côbo, filho de Márcio, com quatro anos, ainda não tinha capacidade para integrar as pesquisas, mas deu uma das maiores contribuições para finalizar o trabalho: a capa. Gregório fez os desenhos que ilustram a capa da obra e, além de deixar o pai orgulhoso, consegue explicar muito bem a proposta artística de sua obra.

“Eu que fiz a capa do livro. A capa do livro é um cavaleiro, um dragão e um dinossauro. E também tem um sol com uma caveira no sol”, explicou Gregório. Para Márcio, a participação do filho deu um toque especial ao livro. “A imagem foi uma surpresa boa. O Gregório meu filho estava desenhando muito na época e resolvemos aproveitar alguns desses desenhos. Fiquei muito feliz em envolvê-lo como autor da capa”, relatou.



 
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