06/10/2020 às 08h41min - Atualizada em 06/10/2020 às 08h41min

UFU desenvolve teste duplo para H1N1 e Sars-Cov-2

Ação foi feita em parceria com a Fiocruz/BA e Senai; pesquisa está em fase de calibragem

DA REDAÇÃO

Uma pesquisa feita em conjunto por três instituições brasileiras pode chegar a um teste simultâneo para os vírus Influenza A e Sars-Cov-2. O estudo tem a participação dos geneticistas Luiz Ricardo Goulart, do Instituto de Biotecnologia da Universidade Federal de Uberlândia (Ibtec/UFU), e Milena Botelho Pereira Soares, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia (Fiocruz/BA). O desenvolvimento da tecnologia também tem o apoio do centro universitário do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Salvador.

Em fase de calibragem, o novo teste levará de 40 a 90 minutos para ficar pronto, de acordo com o professor Luiz Ricardo Goulart. Caso seja aprovado, ele será submetido a uma avaliação clínica.

Segundo a pesquisadora da Fiocruz, a grande diferença do teste novo para o teste convencional PCR, que pode levar dias para obter resultados, é a rapidez e maior simplicidade de realização. “Ele [o teste] será feito em duas etapas e não requer um equipamento tão sofisticado de análise”, explicou.

A técnica utilizada no novo teste é de amplificação isotérmica de RNA. “Os vírus usam a maquinaria das células humanas para amplificar o material genético e reproduzir. Nós precisamos simular esse processo in vitro para poder identificá-los. No laboratório, colocamos enzimas na solução, juntamente com a amostra (da saliva). Assim, serão acrescentadas sondas para identificar o material genético do Sars-Cov-2 e Influenza A”, disse Goulart.

O objetivo dos pesquisadores é produzir kits que podem realizar até 96 testes simultâneos. Soares enfatiza a importância da colaboração entre as instituições. “Esse tipo de parceria é fundamental para que se avance de forma mais rápida, tendo em vista que não só existe uma urgência, mas também para otimizar as estruturas que já existem no país”, relatou.

CARACTERÍSTICAS
Segundo o Ministério da Saúde, os primeiros casos de infecção pelo vírus H1N1 começaram a ser relatados no México em abril de 2009. Em junho daquele ano, pelo rápido alastramento das infecções pelo mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia de gripe H1N1, que na época ficou conhecida como “gripe suína”. No primeiro ano da doença, o Brasil registrou mais de 53 mil casos e 2.098 mortes.

Trazendo para o presente, a pandemia de Covid-19 foi anunciada pela OMS em março deste ano. Até o início de outubro de 2020, a infecção pelo Sars-Cov-2 atingiu cerca de 4,8 milhões de pessoas no Brasil, além de ter causado a morte de 144 mil pessoas.



 

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