29/09/2020 às 09h15min - Atualizada em 29/09/2020 às 12h20min

Quadrilha é presa por produção e venda irregular de remédios em Uberlândia

Operação da PF cumpriu mandados em outras cidades de MG, SP e BA; medicamentos eram manipulados por pessoas infectadas pela Covid-19

DA REDAÇÃO
Criminosos diziam que medicamentos era 100% fitoterápicos | Foto: Polícia Federal/Divulgação
A Polícia Federal (PF) de Uberlândia deflagrou, na manhã desta terça-feira (29), a operação Work Out com o objetivo de prender uma organização criminosa por produção e comercialização de remédios de forma ilegal e sem respeitar as regras sanitárias. Além da cidade, mandados também foram cumpridos em Ituiutaba, Araxá, Belo Horizonte, São Paulo, Cajamar (SP), Livramento de Nossa Senhora (BA) e Rio de Contas (BA).

Foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva, sendo um em São Paulo, três na Bahia e o restante em Uberlândia, e 31 de busca e apreensão, todos expedidos pela 5ª Vara Criminal da comarca de Uberlândia, após manifestação favorável do Ministério Público Estadual (MPE). Além disso, também foram lavrados sete autos de prisão em flagrante em razão de encontrarem produtos e insumos proibidos no local de buscas. 


Segundo informações da PF, a quadrilha foi sediada em Uberlândia e contava com agentes distribuidores e fornecedores em outros municípios. O grupo atuava na fabricação de medicamentos em laboratórios clandestinos e vendia o produto com a promessa de ser 100% fitoterápico, feito à base de ingredientes naturais, além de proporcionar a perda de peso.

Eram utilizados insumos químicos como sibutramina e fluoxetina, que é um antidepressivo. Além disso, a manipulação dos remédios estava sendo realizada por indívudos infectados pela Covid-19. 


"Eles adquiriam os insumos em farmácias regularizadas e utilizavam para produzir os medicamentos clandestinos. Existia um laboratório aqui em Uberlândia e outro em São Paulo. Os rótulos diziam que as pílulas eram produzidas em Florianópolis (SC) e utilizaram nomes de farmacêuticos e CNPJ falsos", detalhou o delegado-chefe da PF de Uberlândia, Almir Soares, durante entrevista à imprensa nesta manhã.

As investigações duraram seis meses e, durante os trabalhos, os policiais federais constataram ainda que os produtos eram comercializados em sites ou por um grupo de vendedores. Ainda de acordo com Soares, cerca de 70 mil frascos do remédio eram vendidos por semana. 

As apurações também identificaram patrimônios provenientes do esquema criminoso como fazendas, automóveis de luxo entre outros. Os autores também estavam envolvidos com a ocultação de bens em nome de terceiros, em ação de lavagem de capitais. A estimativa é de R$ 10 milhões em bens avaliados.

Os alvos da operação foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, venda de produto adulterado e falsificado, e prática contra a saúde pública. As penas podem chegar a até 33 anos de reclusão. 


Remédios eram produzidos em laboratório clandestino em Uberlândia | Foto: Polícia Federal/Divulgação
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