05/09/2020 às 08h07min - Atualizada em 05/09/2020 às 08h07min

Uberlândia e Belo Horizonte têm 26% dos casos de Covid-19 no estado, aponta estudo

Segundo levantamento feito por pesquisadores da UFU, as duas cidades têm 10% da população de Minas Gerais

DA REDAÇÃO

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) apontou que Belo Horizonte e Uberlândia, as duas cidades mais populosas de Minas Gerais, contabilizaram cerca de 26% de todos os casos da doença até a data analisada, apesar de contar com apenas 10% da população total do estado. O levantamento feito teve como objetivo encontrar explicações para a assimetria da distribuição da Covid-19 no território mineiro.

A pesquisa, no primeiro caso, desejava saber se os testes seguem um padrão associado à data da primeira inserção da doença no território analisado, ou ainda se as maiores taxas de incidência e mortalidade estão associadas a um maior número de testes. Outro fator de análise tinha o objetivo de encontrar explicações plausíveis para a causa de certas regiões terem uma taxa maior de incidência e mortalidade comparadas a outras regiões mineiras.

Para isso, os pesquisadores da UFU obtiveram dados epidemiológicos por meio de websites de saúde dos governos federal e estadual de Minas Gerais. Em seguida, foram empregadas algumas técnicas estatísticas para fazer a leitura apurada da história que os dados demonstravam. Desta maneira, foram pesquisados padrões de associações entre a taxa de testes, mortalidade, incidência e a data da primeira notificação da Covid-19, tanto em nível municipal, quanto em nível das microrregiões de saúde.

Com a pesquisa, ficou constatado que as taxas de testes seguem associadas às taxas de mortalidade e incidência, indicando que mais testes são empregados de acordo com o aumento de casos. Mesmo assim, há certa homogeneidade no emprego dos testes rápidos, que estão mais bem distribuídos pelo território, mesmo em regiões com menores taxas de incidência e mortalidade, segundo o levantamento.

O mesmo não ocorre com o emprego dos testes moleculares, os quais estão associados a uma maior taxa de mortalidade. Além disso, as taxas de incidência e mortalidade seguem forte relação temporal, isto é, quanto mais tardia a introdução da doença no território, menores essas taxas tendem a ser.

O que mais chamou a atenção dos pesquisadores, no entanto, foi o padrão de distribuição territorial da Covid-19. As regiões mais populosas e hierarquicamente mais importantes do estado foram aquelas que tiveram as primeiras notificações da enfermidade e, portanto, onde houve as primeiras introduções no território mineiro. Além disso, são as regiões que concentram as maiores taxas de incidência e mortalidade.


Como exemplo, as duas cidades mineiras mais populosas, Belo Horizonte e Uberlândia, foram aquelas que contabilizaram cerca de 26% de todos os casos da doença até a data de análise, apesar de contar com apenas 10% da população total do estado. Com isso, os pesquisadores constataram que fica evidente que conhecer o nível hierárquico do território e aspectos demográficos importantes, tais como o tamanho da população, poderiam impactar positivamente no planejamento de saúde para lidar mais efetivamente com a progressão da doença. Isso acontece porque regiões mais afluentes tendem a receber precocemente o vírus em seu território, contribuindo para maiores taxas de incidência, mortalidade e testes.


 


 

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