05/09/2020 às 08h00min - Atualizada em 05/09/2020 às 08h00min

Destaque do UEC no estadual quer voltar ao clube em 2021

Fábio Alves falou ao Diário sobre o seu desempenho na temporada pelo Verdão

IGOR MARTINS
Lateral esquerdo terminou a competição como artilheiro e líder em assistências do time | Foto: Vilmar Silva

Campeão do Troféu Inconfidência, lugar garantido na Série D e possível vaga para a Copa do Brasil. A temporada do Uberlândia Esporte Clube (UEC) acabou com final feliz para o clube e para a torcida, e grande parte do sucesso do clube se deve ao destaque individual do lateral-esquerdo Fábio Alves.

Aos 32 anos de idade, o defensor terminou o Campeonato Mineiro como o artilheiro do clube, tendo balançado a rede em três oportunidades, e líder em assistências, com três bolas servidas aos seus companheiros de equipe. Com isso, Alves participou diretamente de 54% dos gols do time na competição. O lateral cedeu entrevista exclusiva ao Diário e falou sobre o seu desempenho na temporada e uma possível volta ao Verdão em 2021.

 
Diário: Qual é o balanço que você faz sobre a temporada do Verdão?
Fábio Alves: Eu acho que o balanço é positivo. O primeiro objetivo era não cair e conseguimos permanecer. Depois veio a vaga para a Série D e a possível conquista da vaga na Copa do Brasil, que depende de outros resultados, além do título Troféu Inconfidência. Foi um campeonato muito bom para o Uberlândia, o desempenho também foi muito bom porque tínhamos acabado de subir, então havia uma boa expectativa, mas também a preocupação para não cair novamente. Conquistamos todos os objetivos que traçamos no início do campeonato.
 
A temporada não começou tão bem para o Verdão, mesmo tendo atuado bem contra o Galo. O que deu errado?
Nós não jogamos tão bem contra o Galo. Foi um jogo onde a equipe do Atlético-MG estava vindo do começo de uma pré-temporada e não tinha os jogadores que tem no elenco hoje. Tivemos a oportunidade de empatar a partida, mas não criamos tanto. Se falar contra o Cruzeiro, eu acho que realmente a gente merecia algo a mais. Nós dominamos a equipe deles no Mineirão. No começo do campeonato não estávamos tão ajustados, a equipe estava precisando de ajustar a marcação e a criação. Acho que a falta de confiança pelos resultados negativos prejudicou um pouco também.
 
O que mudou com a chegada do Luizinho Lopes?
Todo o mérito da nossa evolução foi por causa do Luizinho. Quando ele chegou tínhamos um jogo muito arriscado contra o Coimbra, e ele teve uma cobrança muito forte em cima do grupo, e nós assimilamos isso muito bem e conseguimos a vitória. Depois disso as coisas aconteceram naturalmente, ficou mais fácil, ele ajudou muito a equipe e deu confiança aos atletas, até mesmo aos jogadores que não estavam sendo usados. Para falar de todas as nossas conquistas não tem como não falar do Luizinho.
 
Você foi um dos principais destaques do Uberlândia no Campeonato Mineiro. Como é essa sensação?
Por onde tenho passado eu tenho feito bons campeonatos e deixado uma história, e no Uberlândia não foi diferente. Conquistei título e também fui muito bem individualmente, sendo o artilheiro do time e líder de assistências. Para um lateral, isso é um marco muito grande. O campeonato que fiz foi muito diferenciado e me destaquei, mas o mais importante é que o grupo conquistou o objetivo principal. Quando o coletivo não vai bem, dificilmente você se destaca.
 
Como a pandemia afetou você e seus companheiros de equipe?
Nós estávamos vindo de vários jogos bons, numa crescente grande e tínhamos jogos muito difíceis, contra o Villa Nova e a Tombense. Do nada, o campeonato parou por uma questão totalmente diferente, algo que ninguém nunca passou, então é complicado. Ainda mais quando a gente precisa ficar em casa, sem saber quando vai voltar e com rumores que o campeonato iria acabar. Foi bem difícil e para treinar sozinho em casa é complicado, muita gente precisou treinar em casa num espaço pequeno e é difícil manter a forma física ideal.
 
No seu caso, como foi o retorno? A forma física te prejudicou de alguma forma?
A forma física eu não senti tanto, porque eu consegui treinar em uma academia sozinho e fazia todo o procedimento passado pelos preparadores físicos. Para mim foi mais fácil, e como a diretoria do Uberlândia conseguiu reunir toda a base titular da equipe, o entrosamento a gente já tinha, então era trabalhar mais nessa parte física.
 
Você disputou o prêmio “Destaque do Interior”, do site Globo Esporte, e ficou atrás do Ibson, eleito o melhor jogador do campeonato. O quão contente você está com o seu desempenho?
Fico muito honrado de ter participado, foi sensacional para mim. Eu já tinha feito dois campeonatos muito bons pela URT, sendo especulado na seleção do campeonato. Colocaram o Guilherme Arana (Atlético-MG) na seleção, mas ele não fez uma competição que eu e o João Paulo (Tombense) fizemos. O João Paulo teria todo o mérito, porque chegou na final fazendo gol importante e dando passes. Acho que ter colocado o Arana foi totalmente injusto, mas eles sempre gostam de colocar jogadores de times grandes, como o Cruzeiro, Atlético e América, mas tem que valorizar mais os times do interior.
 
Como foram os dias antes do jogo contra o Cruzeiro, quando 13 membros do clube foram diagnosticados com a Covid-19?
Foi complicado. Fiquei conversando com o Luizinho e com os contaminados e é difícil, porque você não sabe como o seu corpo vai reagir. Todo mundo estava com medo, mas graças a Deus todo mundo venceu essa batalha. Acho que foi justo a gente ganhar o título, porque não teríamos condições de disputar aquela final. O Cruzeiro está de parabéns por ter abdicado do título, mas a gente merecia mesmo, pelo trabalho que foi feito.
 
Imagino que de qualquer maneira, todos queriam estar em campo se não fosse pelo diagnóstico, estou certo?
Todo mundo queria jogar, até mesmo os meninos da base. Nós tínhamos jogadores para jogar, mas a equipe ficaria muito fraca e totalmente desconfigurada, vários titulares sairiam. Muitos atletas da base nem treinaram muito com o Luizinho, mas todos queriam que tivesse jogo, ainda mais no palco do Mineirão e contra a equipe do Cruzeiro.
 
Em relação a 2021, você volta para o Uberlândia?
Tenho propostas para disputar o Campeonato Mineiro. Deixei bem claro para a diretoria que eles teriam prioridade. Mas tudo depende das eleições, então vamos aguardar, e se o presidente tiver interesse e entrar em contato, eu vou dar prioridade para o Uberlândia, porque foi o time onde fui vitorioso e tenho um carinho muito grande pela torcida, que me abraçou. Vou fazer o possível para voltar, para que a gente possa conquistar mais títulos e o tão sonhado acesso para a Série C.


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