07/08/2020 às 10h32min - Atualizada em 07/08/2020 às 10h32min

Desmatamento na Amazônia cresceu 33% entre 2019 e 2020

Em junho, o bioma completou 14 meses seguidos de aumento de destruição, sempre em relação aos mesmos meses do ano anterior

FOLHAPRESS
Sob o governo Jair Bolsonaro (sem partido), o desmatamento na Amazônia, entre agosto de 2019 e julho de 2020, cresceu cerca de 33%, em comparação ao mesmo período anterior, mostram dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), disponibilizados na manhã desta sexta (7). O valor registrado no ano anterior (agosto de 2018 até julho de 2019) já havia sido superado no início de junho.

Nesta sexta, foram divulgados pelo Inpe os dados de destruição de julho (com exceção do último dia do mês). Houve uma queda de cerca de 30% em relação a julho de 2019 -que teve o maior desmate já registrado em qualquer mês da série histórica recente do Inpe, com mais de 2 mil km² destruídos.

Mesmo com redução, os dados de julho apresentam uma elevada destruição no bioma, mais de 1.500 km² devastados em 30 dias.

Com os dados de julho, é possível fazer o primeiro recorte anual de um período com gestão exclusiva do governo Bolsonaro, considerando que o dado do ano anterior, em parte, dizia respeito ao fim do governo Michel Temer (MDB).

O crescimento ininterrupto da destruição, que teve início já nos primeiros meses do governo Bolsonaro e da gestão de Ricardo Salles no ministério do Meio Ambiente, não teve recuo mesmo com a propagandeada presença do Exército na Amazônia.

As informações são provenientes do Deter, programa do Inpe de monitoramento da floresta em tempo real. O Deter foi desenvolvido para auxiliar no combate ao desmate, mas com suas informações é possível perceber tendências de crescimento ou diminuição da destruição dos biomas.

No caso da Amazônia, a tendência clara é de crescimento constante do desmate. Em junho, o bioma completou 14 meses seguidos de aumento de destruição, sempre em relação aos mesmos meses do ano anterior.

No fim do ano, o valor oficial de desmatamento -proveniente do Prodes, também do Inpe e, novamente, referente ao período de agosto de um ano a julho do ano seguinte- é divulgado. Costumeiramente, por ter uma resolução maior (o desmate é observado a partir de imagens de satélite que verificam mudanças na vegetação), os números do Prodes são maiores do que os observados no Deter.

Isso significa que o número em questão ainda é inferior ao desmatamento que realmente aconteceu no período, que deve ficar consideravelmente acima dos 10 mil km² de floresta destruída registrados no ano passado.

Os dados de julho do Deter já haviam sido adiantados em postagem do vice-presidente e chefe do Conselho Amazônia, Hamilton Mourão, que, na quarta (5), em publicação nas redes sociais, atravessou o rito do Inpe de divulgação de informações. O instituto publica, semanalmente, sem adiantar informações por outras fontes, os dados de desmate em seu portal.

O Brasil tem sofrido forte pressão internacional, inclusive com ameaças e concretizações de fuga de investimentos, para demonstrar comprometimento em relação à destruição da natureza.

O governo Bolsonaro, contudo, até o momento, permanece sem apresentar ações concretas que ajudem na diminuição da destruição da Amazônia. Ao mesmo tempo, o presidente e membros do seu governo insistem no discurso de que estrangeiros já destruíram suas florestas para se desenvolver e que o Brasil permanece sendo um exemplo ambiental -mesmo com o acentuado aumento da destruição amazônica.

Nesse contexto, o ministro Salles costuma reivindicar dinheiro internacional para ajudar na preservação. Ações de Salles e de Bolsonaro, contudo, levaram à paralisação do bilionário Fundo Amazônia, que, a partir de doações da Noruega e da Alemanha, irrigava financeiramente projetos de proteção à floresta, auxiliando em medidas de combate a incêndios e regularização fundiária (assunto constantemente levantado por Salles e membros do governo atual).

Uma das ações do governo destinadas ao combate ao desmate (e à tentativa de controle de danos da imagem) são ações da GLO (Garantia da Lei e da Orgem), que levou os militares para a Amazônia. Isso ocorreu pela primeira vez ainda em agosto 2019, quando as queimadas explodiram n agosto. A presença do Exército pode ter ajudado a controlar as queimadas em outubro, mas os níveis de desmatamento em todo o segundo semestre do último ano superaram os do ano anterior.

A segunda onda dos militares na Amazônia, também pela GLO, começou em maio deste ano, com a operação Verde Brasil 2.

Mourão, em sua postagem que atravessou o Inpe, afirmou que os dados de julho, menores do que as gritantes taxas de desmate do mesmo mês em 2019, apontavam que a operação Verde Brasil 2 estava tendo resultado.

A realidade, contudo, é outra. Os militares estão em ação na Amazônia desde maio. Nesse período, tanto desmatamento quanto queimadas (ações intimamente relacionadas) não recuaram e bateram recordes.

Em maio e junho, a destruição da Amazônia foi a maior já registrada para esses meses na série histórica recente do Deter. Quanto a queimadas -que impactaram fortemente a imagem internacional brasileira em 2019-, junho teve o maior registro desde 2007 e julho também apresentou crescimento em relação ao ano passado.



























 
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