05/06/2020 às 11h32min - Atualizada em 05/06/2020 às 11h32min

Uberlândia perdeu quase 5 mil vagas de emprego com a pandemia

Estimativa divulgada pelo Cepes/UFU aponta que setor de serviços e o comércio foram os mais afetados

DHIEGO BORGES

Além de causar danos relacionados à saúde, o novo coronavírus também gerou impactos para o setor econômico e alterou os níveis de empregabilidade de Uberlândia. É isso o que aponta um estudo publicado pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes/UFU). Em apenas dois meses de pandemia, mais de 4,9 mil postos de trabalho foram encerrados na cidade.

Para se ter uma noção da crise causada pela Covid-19, em 2019 foram geradas 4.067 novas vagas de trabalho no município. Nos dois primeiros meses de 2020 foram 814 postos criados. No entanto, o vírus anulou os resultados. Ainda de acordo com o levantamento, a atividade econômica que mais sofreu com o coronavírus foi a de serviços. Em dois meses, foram 2.385 vagas encerradas. O comércio também registrou um decréscimo de 2.088 ocupações.

Confira abaixo os números da empregabilidade em Uberlândia por atividade econômica:


Setor de agropecuária foi o menos afetado durante pandemia | Foto: Cristiano Alvarenga
 
Os dados compilados com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também apontam que abril foi o mês com o pior resultado na geração de ofertas de trabalho formal. Com saldo negativo de 3.715, a cidade contabilizou 7.678 demissões contra 3.963 admissões.

Na comparação com março, que também terminou com o negativo de 1.279, o salto na curva de decréscimo na geração de novos postos foi superior a 90%. De acordo com a economista Alanna Santos de Oliveira, responsável pelo estudo do CEPES, abril pode ser considerado o pior mês da década atual.

“Podemos atribuir esses resultados à crise do coronavírus, com as medidas de isolamento mais contundentes principalmente a partir de abril, sobretudo no comércio. Nem mesmo nos últimos anos de crise, como em 2015 e 2016 tivemos um resultado tão negativo quanto em abril. O pior resultado tinha sido registrado em dezembro de 2015”, destacou a economista.

SETORES
No acumulado do quadrimestre, somente a Agropecuária e a Indústria Geral tiveram resultado positivo, com a criação de 50 e 376 postos de trabalho, respectivamente. Já o Comércio foi a atividade que mais sofreu, com redução de 2.476 postos, seguido por Serviços com queda de 1.473 vagas. A Construção Civil também registrou diminuição de 657 ofertas de emprego. 

No resultado de abril, o ramo de Serviços foi o que mais registrou queda. O segmento teve redução de 1.648 vagas, sendo 3.936 demissões contra 2.288 admissões. Em seguida vem o setor de Comércio, que também contabilizou perda de 1.384 empregos. Foram 2.003 demissões contra 619 contratações.

A atividade de Construção Civil também segue em queda, com menos 384 postos. A Indústria em Geral, que teve resultado positivo no quadrimestre, voltou a cair em abril, com menos 171 vagas. O Agro também teve redução de 128 vagas formais.

De acordo com a especialista ouvida pelo Diário, as medidas anunciadas pelo governo recentemente, como a redução da jornada de trabalho e a suspensão de contratos, não foram suficientes para conter as demissões, principalmente nos setores de Comércio e Serviços.

“Nestes setores, cerca de 84% dos estabelecimentos são pequenos negócios e percebemos que estes empreendedores não têm um capital de giro suficiente para arcar com as consequências dessa crise e que não dispõem das facilidades de crédito de outros empreendedores”, afirmou.

MINAS GERAIS
De acordo com o estudo divulgado pelo CEPES, Minas Gerais também teve um saldo negativo de 76.957 demissões no primeiro quadrimestre de 2020. Os meses de março e abril respondem por uma queda na oferta de vagas no estado de -18.984 e -88.298, respectivamente.

BRASIL
O Brasil perdeu somente em abril mais de 860 mil postos de trabalho. O saldo de abril foi o pior da série histórica iniciada em 1992. O país registrou apenas neste mês 1.459.099 demissões. O número supera o total de desligamentos de todo o ano de 2019, que teve 1.245.027 demissões. 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), o país apresentou uma taxa de desemprego de 12,6% para o trimestre, de fevereiro a abril de 2020, o que corresponde a aproximadamente 13 milhões de pessoas. 


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