16/05/2020 às 12h00min - Atualizada em 16/05/2020 às 12h00min

Pandemia incentiva a procura por equipamentos fitness em Uberlândia

Isolamento social impactou de forma positiva nas vendas do comércio especializado da cidade

SÍLVIO AZEVEDO
Comércio de artigos esportivos diversificou leque de produtos para atender demanda | Foto: Divulgação
Com o início do isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus e o fechamento das academias, a fisioterapeuta Natália Moreira Rodrigues, 26, assim como muitas pessoas, ficou sem poder fazer suas atividades físicas. Adepta frequente, ela frequentava o ambiente pelo menos quatro vezes por semana para praticar musculação.

“Faço a mesma modalidade há muitos anos, tinha o hábito de treinar muito enraizado já. Mas, também praticava crossfit, em Box de crossfit e spinning com menos frequência, gostava muito, mas não era a minha atividade prioritária”.

Sem poder ir à academia, Natália investiu aproximadamente R$ 1,8 mil em uma bicicleta ergométrica para manter a forma em casa. Entre os benefícios, segundo ela, está a segurança de poder ficar em casa, diminuindo o risco de contágio, e poder utilizar o equipamento para atividades com cargas mais pesadas.

“Ficando em casa o corpo se acostuma, a gente fica mais lento, com mais fome e uma atividade mais exaustiva era o que eu precisava agora. O benefício não é só cardiorrespiratório, mas também por eu conseguir colocar a bicicleta mais pesada ou mais leve, trabalhando força, já que é uma coisa que sinto falta sem academia. Em casa, a maioria dos exercícios é com pouca carga externa, ou só com o peso do corpo. Além de ser uma atividade com muito gasto calórico”.

Mesmo com um investimento relativamente alto, a fisioterapeuta está muito satisfeita com a compra, principalmente pela intensidade dos treinos e os resultados obtidos nesse período. “Só me arrependi de não ter comprado antes, desde o início da quarentena. De todas as atividades físicas que tenho feito em casa (treinamento funcional, pular corda, aula de pilates solo, ballet fitness do Youtube), o spinning é a que mais me faz suar e que me deixa mais próxima da sensação do treino dentro de academia”.

Além da bicicleta, Natália conseguiu um kit de equipamentos emprestados na academia, com anilhas, ketbell e colchonete, uma forma de manter a matrícula ativa durante essa quarentena. “Tento realizar exercícios pelo menos três vezes na semana, um treino simples de 30 a 40 minutos. Acho importante diversificar para não enjoar e o corpo não ficar acostumado, ir tentando mudar o estímulo. Sinto que qualquer treino em casa que eu fizer não chega no meu limite como era na academia, então tento intensificar como posso”.

Natália Moreira investiu em bicicleta ergométrica para manter a forma em casa | Foto: Arquivo Pessoal

OPORTUNIDADE
Loja de equipamentos teve aumento nas vendas | Foto: Arquivo Pessoal

Além de Natália, diversas pessoas têm procurado equipamentos de ginástica para treinos em casa. Em uma loja especializada em venda de produtos fitness, o período da pandemia fez com que as vendas aumentassem. Segundo o proprietário da Home Fitness, Paulo Lacerda, com 13 anos de mercado, esse está sendo o momento de maior venda dos produtos do nicho.

“Não esperávamos que venderíamos mais do que de costume. Estamos fazendo as vendas pelo Instagram da loja e temos tido resultados muito bons. Os números são maiores que em outros períodos do ano”.

Entre os produtos que tem sido comercializados, estão peças e pequenos equipamentos, como elásticos, pesos, anilhas, barras, bola, além das esteiras e bicicletas. “Também aumentou a procura por manutenção nos equipamentos que as pessoas já possuíam em casa e estavam parados. Estão todos preocupados com a saúde e praticar exercícios ajuda bastante”.

Em outra loja que vende artigos esportivos, o fechamento fez com que os proprietários mudassem completamente o público alvo. Se antes vendiam camisas, shorts e chuteiras de futebol, hoje o foco são os aparelhos de ginástica.

“A expectativa no início eram as piores, pois os campeonatos estavam parados e o nosso público alvo é o amante de futebol. Então, 80% da venda gira em torno do futebol. Com isso pensei que não venderia nada. Me veio o feeling de oferecer material de homefitness, que a gente não tinha na loja até então pois a procura era baixa, e não via necessidade de ter esse tipo de equipamento”, disse Marina Cardoso, proprietária da Verdão Mania.

A partir do momento em que começou a oferecer os equipamentos, a proprietária afirma que as vendas começaram a acontecer de imediato e o produto que chega, logo sai. “Nas primeiras eu não conseguia atender a demanda. Até hoje eu não consigo. Eu recebo a reposição uma vez na semana, mas é praticamente encomenda. Sobram algumas mercadorias, mas está chegando e vendendo. Nem o meu fornecedor está conseguindo atender, pois ele vende para o Brasil todo”.

Entre os campeões de venda, estão os mini bands (elásticos), halteres, anilhas com barras. “Olha que os de pesos são equipamentos mais caros, que eu achava que não teria uma saída, mas o pessoal está investindo e montando uma mini academia em casa para não perder resultado”, disse a proprietária.

Segundo Marina, a grande aliada do momento pós fechamento da loja foi a internet, com os produtos sendo oferecidos no perfil oficial no Instagram. “Nosso foco sempre foi a loja física. Redes sociais fazia quando tinha tempo, mas hoje dedico mais para postar, dar feedback rápido via Direct e o atendimento via Whatsapp, o que antes eu não fazia. Tive ajuda com indicação de cliente que comprava e postava, o que foi fundamental para o aumento do alcance das publicações”.

Mesmo com a reabertura da loja física, Marina acredita que o estabelecimento ganhou um nicho de consumidor que antes não era frequente. “Hoje posso dizer que mudou o público. Meu público é mais fitness. Lógico que deve voltar o antigo, mas para a loja foi bom que pude diversificar o nicho. Hora que voltar, terei dois públicos, o que tinha e o que conquistei”.

O resultado das vendas forçou uma postura diferente da loja e a mudança das estratégias de vendas. Uma delas foi buscar ajuda com profissionais do ramo fitness, como os personais, que indicam a loja para os alunos comprarem os itens.

A personal Bárbara Cristina de Oliveira foi uma das profissionais que indicou a compra de equipamentos pelos alunos para que continuassem praticando as aulas mesmo com o isolamento. 

“No final de abril, consegui implementar com eles esses treinos em casa, mostrando a importância de continuar a atividade. Passei para eles a loja para comprar os equipamentos, pois muitos não tinham e nem o costume de treinar em casa”. 

Para as aulas, Bárbara pediu que comprassem um kit contendo pares de alteres, anilhas, elásticos e colchonete. “Para os que quiseram comprar mais coisas, indiquei uma barra, caneleira. É o material que uso com meus alunos nas aulas online”.

Além das aulas, Bárbara dá consultoria e utiliza seu perfil no Instagram para dar dicas de saúde e qualidade de vida. “Praticar atividades em casa vale muito a pena, pois ficar parado nesse período, principalmente se você treinava, para o corpo é um tempo primordial. Você perde condicionamento físico, musculatura, então precisa fazer atividade física. Hoje a gente foca na saúde, não na beleza, ganho de massa e emagrecimento. Quando voltar e poder frequentar a academia, estarmos bem, continuar com condicionamento”.

ACADEMIAS
Um decreto assinado pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, e publicado no Diário Oficial da União dia 11 de maio passou a considerar as academias como atividade essencial, desde que obedeçam às determinações sanitárias do Ministério da Saúde.

Esse decreto pode ser um respaldo jurídico para a reabertura de estabelecimentos, mas uma decisão do Superior Tribunal Federal (STF) de abril, dá autonomia para que estados e municípios adotem as medidas que acharem necessárias para combater o coronavírus.

Em Uberlândia as academias seguem com restrição total de funcionamento. Porém, após reivindicação dos empresários do setor, o Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 se reuniu ontem para uma reavaliação da situação dos estabelecimentos. Até o fechamento desta edição, no entanto, a Prefeitura e o Comitê não haviam se manifestado sobre o resultado da reunião.

















 
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »