15/05/2020 às 13h42min - Atualizada em 15/05/2020 às 13h42min

Projeto da UFU adapta joystick de cadeiras de rodas para pessoas com deficiência

Desenvolvido por Thiago Sá de Paiva, pessoas sem movimento nos membros superiores poderão comandar cadeiras com movimentos da cabeça ou dos olhos

DA REDAÇÃO
Dispositivo criado pelo engenheiro mecânico | Foto: Acervo Pessoal

O joystick é um dispositivo manual de controle usado para manipular cadeiras de rodas motorizadas. Entretanto, vários tipos de deficiência impedem ou dificultam a função dos membros superiores para utilizá-lo. Por esse motivo, a pesquisa de mestrado do engenheiro mecânico Thiago Sá de Paiva busca garantir o comando do objeto de outras maneiras, como pelo movimento da cabeça ou dos olhos.

Graduado na Universidade de São Paulo (USP) em 2006, ele se dedica à carreira acadêmica com o objetivo de se tornar professor e em 2018, Paiva entrou para o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Uberlândia (Ppgeb-UFU). O interesse por robótica e saúde e a parceria com a Faculdade de Engenharia Elétrica (Feelt/UFU) resultaram em um protótipo que pode ser anexado ao joystick das cadeiras de rodas.

“O dispositivo vai realizar toda a mobilidade e o aperto dos botões para a condução. Isso vai permitir a integração e um programa de interface e controle, usando métodos como rastreamento ocular e rastreamento do movimento da cabeça, para a pessoa acionar o joystick do jeito que ela quiser, e dirigir como puder”, afirma o cientista.

As cadeiras de rodas conduzidas pelos olhos ou pela cabeça são tecnologias já conhecidas na engenharia voltada para a saúde. Por outro lado, por mais que sejam inovadoras, as máquinas ainda são caras. Apesar disso, o diferencial do trabalho de Thiago é transformar essa função em uma ferramenta complementar.

“Muitos usuários conseguem adquirir as cadeiras de rodas motorizadas. Contudo, aquelas com métodos alternativos de comandos não são disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Minha pesquisa é uma maneira de ampliar o acesso. O equipamento que criei é colocado sobre o joystick, então, não precisa de alterar o projeto original”, explica o pesquisador.

O mecanismo já tem uma patente registrada pela UFU. Atualmente, está em processo de finalização do protótipo. Mesmo com a desaceleração de etapas do projeto por conta da pandemia da Covid-19, os testes ainda têm sido realizados no laboratório. Agora, Paiva quer confeccionar mais protetores faciais para os profissionais de saúde.

 

“Eu tenho sorte, porque já tinha comprado os materiais para a pesquisa. Ainda vou à UFU, porque participo dos projetos de impressão dos protetores faciais pelas impressoras 3D. Eu aproveito que venho à UFU e trabalho no dispositivo. Eu diminuí o ritmo, mas não parei”, informa o mestrando.


Paiva faz um alerta sobre as dificuldades de produzir ciência no Brasil. “O ideal seria que o valor da bolsa fosse capaz de sustentar o pesquisador com seus gastos diários, evitando assim que pesquisadores desistam, dependam de seus familiares ou até recusem a bolsa para trabalhar e fazer pós graduação ao mesmo tempo", explica.

Uma parte importante do projeto é o custo, uma vez que o protótipo custou cerca de R$ 700. Todas as peças utilizadas para automatização do joystick são facilmente encontradas no Brasil, como os motores, reguladores de tensão, etc. Paiva ressalta que o benefício da pesquisa é conseguir dar mais autonomia para quem não tem opção ou dinheiro para comprar uma cadeira adaptada. “Buscamos uma sociedade que inclui, e não exclui. E fazer pesquisa sobre tecnologias assistivas é um avanço para a ciência”, conclui.



















 


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