03/05/2020 às 11h10min - Atualizada em 03/05/2020 às 11h10min

Casamentos são afetados pela pandemia do novo coronavírus

Noivos e empresas de Uberlândia relatam frustrações com a situação repentina causada pela regra de isolamento social

BRUNA MERLIN
Jéssica e Cassino iriam se casar em abril, mas tiveram que mudar os planos | Foto: Danilo Cascão

Muitas festas, eventos e comemorações tiveram que ser canceladas devido ao risco de contaminação do novo coronavírus. As cerimônias de casamentos não fugiram da regra imposta para a preservação da saúde da população. Em meio ao caos e mesmo com tudo planejamento e organizado, noivos e empresas foram afetados pelos reflexos da pandemia.

Jéssica Oliveira Giroldo e Cassiano Diniz Guedes, de Uberlândia, estavam com o casamento marcado para o dia 18 de abril. O matrimônio civil aconteceria uma semana antes, mas nenhuma das comemorações foram celebradas.

Jéssica explica que já estava tudo pronto para os dois eventos. Os convites já haviam sido entregues, a finalização dos trajes estava nos últimos detalhes e cerca de 70% do orçamento estipulado pelo casal já foi repassado para os fornecedores de decoração, buffet, convites, doces e outros serviços.

“Decidimos adiar os casamentos assim que o decreto de isolamento social foi estabelecido. Nós queremos uma festa com muito afeto e emoção, sendo assim, vamos ter que esperar tudo isso passar para poder celebrar com nossos amigos, pais, avós e familiares”, disse a jovem de 26 anos.

O adiamento da cerimônia resultou também em algumas mudanças de planos. O sonho do casal era proporcionar um evento ao pôr do sol e a festa estava prevista para acontecer em um sábado. Com diversos casamentos sendo adiados, as datas após o segundo semestre do ano estão concorridas. Com isso, Jéssica e Cassiano só conseguiram agendar a celebração para uma sexta-feira no mês de novembro.

“Infelizmente não iremos conseguir fazer a cerimônia como já havíamos planejado. Tivemos que alterar o horário de início porque sexta-feira ainda é um dia útil da semana e muitos convidados trabalham até o fim da tarde”, completou.

A nova data para o casamento civil ainda não foi estabelecida por eles. A intenção é esperar toda a situação ficar melhor para realizar o matrimônio legal já que o cartório exige medidas de prevenção como a não entrada de convidados, além das testemunhas e profissionais para fotos e vídeos.

Outros planos que estavam previstos para acontecer depois do casamento também sofreram alterações. Cassiano e Jéssica pretendiam morar juntos após as celebrações, mas o futuro se antecipou e o casal resolveu juntar as escovas de dentes antes do planejado. Segundo a noiva, todo o apartamento já estava pronto e alguns meses de aluguel já haviam sido pagos. Sendo assim, a melhor alternativa era se mudar o mais rápido possível.

“Tudo isso gerou muitas frustrações sim porque foi uma correria para tentar conseguir mudar os planos e datas. Mas estou confiante de que tudo dará certo para comemorarmos do jeito convencional com muito amor e alegria, e sem colocar ninguém em risco”, finalizou a noiva de Cassiano.

O AMOR NAS PEQUENAS COISAS
Diego e Kaúla se adaptaram e realizaram cerimônia religiosa na garagem de casa | Foto: Rogério Suriani/Divulgação


“Ficamos muito satisfeitos e não voltaríamos atrás! Na singeleza das cerimônias, conseguimos enxergar aquilo que é mais necessário: o amor presente no dia a dia, nas pequenas coisas. Nós sonhamos de um jeito, mas Deus sempre nos surpreende dando o que é melhor a cada tempo”, afirmaram Diego Rodrigues Araújo e Kaúla Daniela dos Santos Rocha Araújo que decidiram não mudar as datas dos casamentos já marcadas, mas transformaram os planos em algo que foi ainda mais especial.

No dia 26 de março, o publicitário e a designer se casaram em uma cerimônia religiosa na garagem da casa dos pais dele. Um pequeno altar com flores e velas decorou o local onde acontecia a união deles.

“O casamento religioso seria na Igreja Nossa Senhora das Dores no dia 18 de abril, seguida de recepção para os convidados. Mas, os planos mudaram e recebemos apenas 14 pessoas, incluindo nós [noivos], nossos familiares mais próximos, o padre e fotógrafo. Foi bem simples, breve, mas muito bonita. Ficamos muito felizes”, ressaltou Diego.

Eles também não desistiram do matrimônio civil. O casamento aconteceu no dia 16 de abril e o casal respeitou as medidas de segurança durante o evento. Todos os convidados usaram máscaras e apenas poucos convidados poderiam ser chamados, além do fotógrafo. 

Kaúla e Diego acreditam que cada casal deva enfrentar toda a situação de maneiras distintas e acham válido o adiamento das comemorações, mas para eles a melhor alternativa foi seguir com os planos, mas sempre respeitando a vida de todos os envolvidos.

“Já estávamos pagando o aluguel do apartamento e havia o receio de que, talvez, tivéssemos que ficar distantes nesse período. Conversamos bastante, pedimos conselho para o padre José Leles, que assistiu à cerimônia, e decidimos que o melhor seria adiantar a cerimônia para passarmos por esses dias difíceis juntos. Foi do jeito que estava traçado”, concluiu os recém-casados.

Uma nova celebração simbólica já está sendo planejada por Diego e Kaúla assim que todos esses problemas passarem. A intenção é que eles consigam reunir os familiares, amigos e padrinhos para uma recepção com muita troca de afetos.

Casal realizou cerimônia civil e cumpriu com medidas estabelecidas pelo cartório | Foto: 
Rogério Suriani/Divulgação

PREJUÍZO
As empresas que fornecem serviços a casamentos como buffet, salão de festas, decoração e outros também estão enfrentando desafios com a pandemia do coronavírus. O prejuízo é nítido e esperado já que muitas festas foram canceladas ou adiadas.

É o caso de uma chácara, localizada na zona sul de Uberlândia, que costuma ser alugada para cerimônias matrimoniais. Segundo o proprietário do espaço, Antônio Carlos Requieri, dez casamentos foram cancelados ou adiados. Os eventos, que estavam marcados para acontecer em março, abril, maio, junho e até mesmo julho foram suspensos pelos contratantes.

“Toda mudança inesperada implica em prejuízo. Eu já tinha recebido parte do orçamento daquelas festas que aconteceriam em uma data definida. Agora, elas irão ocupar outras datas que poderiam ser marcadas novas festas. Futuramente, meu prejuízo pode chegar a quase R$ 30 mil”, explicou.

A situação não é diferente em um salão de festas situado no bairro Planalto da cidade. Seis casamentos, que estavam agendados para acontecer entre os dias 18 de março e 30 de maio, foram reagendados ou cancelados. A empresa está fechada desde então.

“O prejuízo gerado não é pelo adiamento ou cancelamento em si, mas a cessão de movimentação do nosso capital de giro uma vez que deixamos de receber a parcela final destes eventos adiados. Além disso, muitos clientes solicitaram postergar as parcelas durante o período”, detalhou a administradora da empresa Thaís Alves Cunha.

Para tentar driblar a crise, os responsáveis pelo espaço de festas pediram a suspensão dos serviços da empresa da Receita. Além disso, acordos com clientes, fornecedores e funcionários estão sendo estabelecidos.

“Estamos tentando arcar com os custos de funcionários freelancer e demais despesas com autônomos que prestam serviço mensal para nós como o técnico de alimentos e o jardineiro. Tentamos entrar em contato com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) para que suspendesse a cobrança uma vez que não estamos fazendo evento, mas foi uma tentativa sem sucesso”, concluiu Cunha.

O buffet S&M Eventos também adotou formas de escapar dos prejuízos devido o cancelamento de quase 30 eventos. A sócia e gastrônoma Maira Santos Garcia, junto ao marido, decidiu começar a vender marmitas em nome da empresa.

“Pensei em desistir e fechar a empresa, mas a gastronomia é minha vida, minha profissão. Então decide me reinventar e levar a S&M eventos até a casa dos meus clientes com kits gourmets e artesanais diários com sabor de festa, pensados e executados por mim. Começamos na Sexta-Feira Santa e não paramos mais”.

Mesmo com a produção ainda pequena, uma das donas da S&M está satisfeita com os bons resultados. “A média que vendemos por dia é de 20 kits. Todos os dias tentamos fazer combos diferentes. Estou muito feliz e grata que está gerando resultados”, continuou Maria.

Os interessados em comprar uma refeição e ajudar a Maria e seu marido a manter o negócio podem solicitar o serviço através do número de WhatsApp (34) 9 9688-0860.












 
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