21/04/2020 às 11h15min - Atualizada em 21/04/2020 às 11h15min

Uberlandenses são repatriados após um mês de tentativas devido à pandemia

Brasileiro narra dificuldade de retornar ao país após visitar o irmão em Portugal

SÍLVIO AZEVEDO
Família conseguiu retornar no sábado (18) em voo de repatriação | Foto: Arquivo Pessoal
O que era para ser uma viagem divertida e cheia de expectativas acabou se tornando um pesadelo para o redator publicitário Marcelo Barbosa e os pais, Mauro e Ivani. A família, que fez as malas para visitar o irmão de Marcelo, que mora em Portugal, ficou aproximadamente um mês tentando retornar ao Brasil em virtude das mudanças causadas pela pandemia do novo coronavírus. 

Segundo dados do governo português, até o início da tarde de ontem, a Covid-19 provocou mais de 735 mortos e quase 21 mil infectados no país e, com isso, muitos brasileiros encontram dificuldades para retornar para casa. Os três moradores de Uberlândia ficariam 14 dias em terras patrícias, mas o voo de volta, marcado para o dia 17 de março, foi cancelado por quatro vezes pela companhia aérea.

“Chegamos em Portugal no dia 3 de março, quando havia apenas quatro casos confirmados da Covid-19 e nenhuma morte. Nós ficamos entre os dias 16 de março até 18 de abril de quarentena. O país adotou sérias medidas de isolamento e foi considerado uma referência em toda a Europa no combate ao vírus. Foram decretados três estados de emergência ao todo, o primeiro no dia 18 de março”, disse Marcelo.

Enquanto não havia definição sobre o retorno, a maior preocupação da família, de acordo com o publicitário, era ter que permanecer em Portugal por vários meses, além da parte financeira por estarem há muitos dias fora do Brasil.

“Ficamos com medo de demorar para voltar para casa, mas sabíamos que uma hora voltaríamos. Durante esse um mês tentando voltar, fizemos oração em família todos os dias. Nossa volta foi um presente de Deus. Também nos sentimos muito acolhidos por outros brasileiros que moram em Portugal, todos estavam dando muito apoio para nós, mesmo que virtualmente. Eles são muito unidos lá”.

Para retornar para casa, foi necessário conseguir vagas em um dos seis voos de repatriação fretados pelo governo brasileiro, que saiu de Porto no sábado (18) às 10h, horário de Brasília, e chegou no Brasil à noite. 

“Fizemos contato com o Itamaraty desde que nosso primeiro voo foi cancelado no dia 17 de março. Preenchemos dois formulários, um da Embaixada do Brasil em Portugal e outro da ANAC. Além disso, enviamos vários e-mails e fizemos várias ligações. O Consulado nos atendeu muito bem e nos colocou em uma lista de espera. Eles foram muito atenciosos conosco, sempre perguntando sobre nossa situação”.

Durante a viagem, todos os passageiros estavam preocupados com o contágio da Covid-19 dentro da aeronave que os traziam de volta ao Brasil. “Havia essa preocupação, tanto da nossa parte quanto na cabeça de todo mundo. Foram fornecidas máscaras para todos os passageiros. Eu e meus pais também usamos luvas conseguidas pelo meu irmão, como precaução. Ao chegar ao Brasil, também mediram nossa temperatura para verificar se apresentávamos sinais de febre”.

Já em solo brasileiro, a família encontrou mais um percalço no retorno para casa. O avião que os traria para Uberlândia também não decolou de São Paulo. “O voo da Latam foi cancelado. Tivemos que dormir na rodoviária de São Paulo para conseguir pegar um ônibus às 5h30 da manhã para Uberlândia, onde também houve atraso na saída porque a Polícia encontrou droga no veículo antes dele chegar em São Paulo”.

Agora, finalmente, em casa, os três estão muito aliviados e felizes por estarem de volta, e deverão continuar suas rotinas de trabalho, que para Marcelo e a mãe Ivani já acontecia em home office.

 
“Eu sou redator publicitário e consegui fazer meu trabalho de lá. Era para eu ter voltado dia 23 de março de férias, quando eu voltei a empresa inteira onde eu trabalho já estava de home office. E ainda faço faculdade de psicologia, mas as aulas já estão sendo a distância. Minha mãe é corretora na área de turismo e a maioria das coisas que ela faz é pela internet, então também não teve muitas dificuldades. Já meu pai é comerciante, daí o trabalho dele foi o que menos foi possível resolver pela internet”.






 
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