11/04/2020 às 08h10min - Atualizada em 11/04/2020 às 08h10min

Covid-19 impacta nas celebrações religiosas da Semana Santa em Uberlândia

Igrejas acolhem recomendações de órgãos públicos e ficam sem presença do público

SÍLVIO AZEVEDO
Igreja Católica Ortodoxa Celta | Foto: Arquivo Pessoal
Amanhã é comemorado o domingo de Páscoa. Muito além da troca de ovos de chocolates, o dia tem um significado importante para os cristãos. A data marca a ressurreição de Cristo, três dias após ser morto e crucificado. É a festa de celebração à vida.

Diferente de anos anteriores, as celebrações neste ano nas igrejas não poderão ser acompanhadas pelos milhões de fiéis devido ao isolamento social decretado pelos poderes públicos como medida de prevenção ao novo coronavírus. Nem por isso ficarão sem assistir ao momento religioso, já que muitas igrejas contam com meios alternativos para transmissão de missas e cultos. Tudo para deixar os fiéis bem próximos das celebrações.

Em Uberlândia, a Diocese proibiu, como medida preventiva, a realização de missas desde o dia 18 de março, mas as celebrações da Semana Santa, como a missa de Domingo de Ramos e Lava Pés, aconteceram normalmente com a presença de poucas pessoas.

“Os fiéis podem assistir através da internet e na mídia, como nas TVs católicas. Vários padres também têm transmitido pelo Instagram. É o que temos feito aqui. Celebramos a missa de Domingo de Ramos e na quinta [9] a Lava Pés - instituição a eucaristia. Mas como a Igreja permite, nesse caso excepcional, tivemos o rito com representantes dos Apóstolos. O mundo hoje está diferente. O coronavírus está atrapalhando, modificando muita coisa”, explicou o Bispo Dom Paulo Francisco Machado.

Inclusive, hoje terá a Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias e o coração do Ano litúrgico, pois representa o momento da ressureição de Cristo. “Procuramos fazer a cerimônia de forma mais reduzida, com as famílias podendo acompanhar essa celebração pelas TVs que estiverem transmitindo ou pelas redes sociais”, disso o bispo.

Mesmo com o período bastante complexo que a sociedade vive, por conta do novo coronavírus, Dom Paulo acredita que o momento pode ser importante para a reaproximação dos valores familiares e religiosos.

“Entendemos que há males que vêm para o bem. É o momento de valorizar mais ainda a família, como um lugar de um rito cristão. Um pai de família abençoa os filhos, expõe a bíblia, acende uma vela, põe uma imagem do crucificado. É um momento de reforçar os laços familiares pela força da fé. É um momento muito triste, lastimamos muito, mas a família pode sair fortalecida”.

CATÓLICO ORTODOXO
A Igreja Católica Ortodoxa Celta é uma comunidade hesicasta, que vive como semieremitas dentro da sociedade e tem uma comunidade muito pequena. “Nossa espiritualidade consiste na oração, trabalho e conversão diária dos costumes, procurando vivenciar o cristianismo onde estamos inseridos. Não temos templos, mas hesicastérios, que são oratórios nas casas e nos reunimos cada semana na casa de um membro da comunidade”, explicou o padre Gregório Palamas.

Segundo ele, os fiéis têm feito suas rezas nas próprias casas. “Porém unidos espiritualmente pela fé. Estamos orientando os nossos irmãos a rezarem com suas famílias ou individualmente nos momentos das celebrações da Semana Santa e se unirem com os cristãos do mundo inteiro na Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Diferente da Igreja Católica tradicional, não haverá transmissões via redes sociais ou veículos de comunicação. “As pessoas terão subsídios litúrgicos e foram orientadas a celebrar em família, como faziam os primeiros cristãos”, disse o padre.

IGREJAS EVANGÉLICAS
Igreja Adventista do Sétimo Dia | Foto: Arquivo Pessoal


Algumas igrejas evangélicas também sentiram o impacto do distanciamento social durante a Semana Santa. Segundo o pastor geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia para a região do Oeste Mineiro, Claudinei Cândido Santos, diversas atividades que eram realizadas dentro da igreja e chegavam a atingir até sete mil pessoas, passaram a ser feitas nas casas dos fiéis. 

“Nós celebrávamos a Semana Santa na igreja com programações religiosas, músicas, pregações da bíblia, reflexões, filmes. Isso era feito na igreja. Com a chegada da Covid-19 nós orientamos que esses programas fossem feitos nas casas. Nós usamos como base o texto de Êxodo 12, da primeira Páscoa, quando as famílias celebraram a primeira Páscoa em suas casas, todas as famílias juntas. Foi o costume realizado durante todo o antigo testamento e chamamos este ano da celebração da Páscoa nas casas, com todas as famílias reunidas”.

Além das atividades, a igreja possui um canal de televisão, a TV Novo Tempo, que transmite uma programação diária com o pastor Luís Gonçalves e com Quarteto Arauto do Rei. “Nos reunimos nas casas com as famílias para assistir a esta celebração e convidamos os vizinhos, os amigos, através de redes sociais para que eles também possam assistir. Então essa está sendo a forma como estamos comemorando. Nós relembramos o sacrifício de Cristo, seu amor pela humanidade, aquilo que ele fez por nós e, desta forma, reafirmamos a nossa fé em Jesus, no seu amor e na sua bondade. mas fazendo isso nas casas”.

A Igreja Adventista também conta com plataformas digitais que podem ser acessadas para acompanhar toda a celebração. “Tem o site ntplay.com e o aplicativo NT Play, que pode ser baixado nos sistemas operacionais iOS ou Android. Nas redes sociais, os canais oficiais são o Youtube e Facebook, ambos com o nome Adventistas Brasil, além da Rádio Novo Tempo, que aqui em Uberlândia não tem, mas pode ser conferido também pela internet”, disse o pastor Claudinei.

ESPÍRITAS
Para os espíritas a Páscoa não tem significado religioso. Porém, eles aproveitam a data para um momento de reflexão e introspecção. “A gente aproveita, assim como em outras datas, para tentar refletir e analisar os ensinos de Jesus, a significação da sua morte e da sua ressurreição, que para nós é uma ressurreição em espírito”, afirmou o presidente do Grupo Espírita Léon Denis, Willian Jacob.









 

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