09/04/2020 às 15h31min - Atualizada em 09/04/2020 às 15h31min

MP denuncia 14 pessoas em esquema de pirâmide financeira em Uberlândia

Investigações apontaram prejuízos a investidores da Axetrader de mais de R$ 12 milhões

CAROLINE ALEIXO
Mais de 70 pessoas foram vítimas do golpe da empresa de Uberlândia, apontam investigações | Foto: Google Street View/Reprodução
O Ministério Público Estadual (MPE) de Uberlândia denunciou 14 pessoas por envolvimento em um esquema ilegal de pirâmide financeira executado pela empresa Axetrader. As investigações apontaram que os alvos geraram prejuízos, inicialmente, de mais de R$ 12 milhões aos investidores.

Parte da quadrilha, incluindo o jovem apontado como líder da organização criminosa, Ronan Cassiano da Silva, de 29 anos, havia sido presa no último mês na operação Imhotep, da Polícia Civil. O primeiro inquérito foi finalizado e remetido à Justiça e, nesta quarta-feira (8), oferecida a denúncia pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor. 

De acordo com o delegado-chefe da Polícia Civil, Marcos Tadeu de Brito, as investigações continuam e os prejuízos apurados podem chegar a quase R$ 30 milhões.  “Por se tratar de réu preso, o inquérito tinha um prazo para ser concluído. Então o doutor Daniel [Azevedo], responsável pela investigação, concluiu esse inquérito principal e houve um desmembramento em outras peças para continuar as investigações”, explicou. 

Nesse primeiro momento, foram apuradas 75 condutas de estelionato cometidas pelos indiciados. Com base no trabalho investigativo da PC, o promotor de Justiça Fernando Martins concluiu que os acusados se uniram com o objetivo de obter a vantagem indevida e lucro fácil sobre o patrimônio de pessoas, motivadas por falsa publicidade, que esperavam obter sucesso nos investimentos aplicados no mercado de capitais.

O ESQUEMA
Os sócios da empresa anunciavam cursos de capacitação para os potenciais investidores da cidade voltados às operações chamadas “day trading”, cuja modalidade de negociação financeira está voltada para obter lucros a partir da oscilação de preços ao longo do dia em ativos financeiros. 

O promotor pontuou que os autores não tinham experiência no segmento e, antes de entrar nesse mercado, dois deles atuavam como garçons e o terceiro como vendedor de uma marca de nutrição.

 
“Resolveram ‘capacitar’ investidores, anunciando aulas e cursos, quando na realidade não tinham conhecimentos técnicos e sequer experiência nesta seara, restando óbvio interesse apenas na captação de recursos daqueles que se fiavam nas promessas”, destacou. 

O MP, no entanto, citou que os investigados atuaram na área de “marketing multinível” e as fraudes ocorriam com a indução do consumidor a erro a partir dos cursos ministrados. Da mesma maneira, as vítimas deveriam aproveitar o conhecimento ofertado pela Axetrader e repassar os investimentos para o grupo com a promessa de lucro rápido e fácil com as transações.

A investigação policial ainda apontou que Ronan recebia os investimentos enquanto os captadores recebiam as comissões que variavam de 5% a 10% sobre o valor do contrato firmado com os investidores que, por sua vez, não recebiam nada. Além de prometer ao investidor juros acima aos que são aplicados no mercado financeiro, o denunciado prometia pagar juros compostos no intuito de induzir a vítima a deixar o dinheiro investido na empresa por mais tempo. Assim, a empresa fazia novas operações com o dinheiro e mantinha o esquema fraudulento. 

Ainda segundo o MP, o dinheiro era usado para pagar as comissões dos envolvidos no esquema e para sustentar o alto padrão de vida de Ronan com a aquisição de imóveis e veículos de luxo e no patrocínio de festas. 

CRIMES
Foram denunciados os responsáveis pela empresa, com cargos administrativos e operacionais, “professores” dos cursos ofertados e os captadores dos investimentos para o esquema criminoso.

Os 14 denunciados vão responder por organização criminosa, crime contra as relações de consumo e estelionato cuja prática apurada ocorreu 75 vezes, dessa forma, as penas poderão ser somadas em caso de condenação. O processo tramita na 4ª Vara Criminal da comarca de Uberlândia e haverá, posteriormente, ajuizamento de ação contra os réus na esfera cível. 

O Diário procurou a defesa de Ronan, que permanece preso preventivamente no presídio Professor Jacy de Assis, mas até o fechamento da reportagem ainda não havia posicionamento.

Dos outros 13 alvos, doze foram detidos e dez deles foram soltos mediante uso de tornozeleira eletrônica após decisão judicial. Outros dois denunciados saíram do presídio após alvarás de soltura concedidos nos dias 10 e 22 de março. As informações são da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).












 

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