02/04/2020 às 12h24min - Atualizada em 02/04/2020 às 12h24min

Casos prováveis de dengue aumentam em média 21,5% por semana em Uberlândia

Zoonoses alerta sobre pico da epidemia de dengue que irá coincidir com o do coronavírus

BRUNA MERLIN
Mudanças nas ações da CCZ precisaram ser feitas para preservar saúde dos agentes e moradores | Foto: PMU/Divulgação
O mundo está com os olhos atentos para o novo coronavírus, mas o que não pode cair no esquecimento são os cuidados para conter a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue. Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), divulgado na terça-feira (31), Uberlândia tem 951 casos prováveis da doença.

Em comparação com os levantamentos publicados desde fevereiro, a cidade registra uma média de aumento no número de notificações de 21,5% a cada semana. Somente de 17 de março até agora esse percentual mudou, chegando a 23%. A incidência da doença no município já é considerada média, sendo 139,19 casos para cada 100 mil habitantes. 

Para o coordenador do Programa de Controle da Dengue do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), José Humberto Arruda, a preocupação maior é com o pico da Covid-19 que coincidirá com a epidemia de dengue no Brasil. Segundo ele, isso irá afetar o sistema de saúde que entrará em colapso por falta de leitos e equipamentos.

“Nós tivemos chuvas significativas nos primeiros meses do ano e o acúmulo de água em entulhos com a predominância do sol são ótimos agentes para a criação do mosquito contaminado. No fim de abril e começo de maio, quando acontecerá o pico do coronavírus, teremos um constante aumento no número de casos de dengue e isso nos preocupa”, explicou.

Mesmo com a pandemia da Covid-19, os trabalhos da CCZ de fiscalização continuam sendo feitos em residências. O objetivo é lembrar a população sobre o que pode ser feito para combater a doença, mas Arruda explica que algumas mudanças precisarão ser feitas para preservar a saúde dos agentes e moradores.

De acordo com o coordenador, os agentes que estão no grupo de risco e que apresentaram sintomas pela contaminação do coronavírus foram afastados. Antes, as equipes eram divididas por dez profissionais que se encontravam em um ponto estratégico e visitavam as casas. Agora, equipes de duas pessoas percorrem somente locais com mais infestação, identificados através das mais de mil armadilhas espalhadas pela cidade.

“Todos os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde estão sendo obedecidos, mas continuamos realizando as ações porque não podemos deixar de controlar a situação. Nesse momento é muito importante a colaboração da população para evitar o caos no sistema de saúde”.

LIRAA
Em 2020, o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) será realizado somente uma vez. A pesquisa, que era feita pelo menos quatro vezes no ano, ocorrerá em outubro.

José Humberto Arruda explica que a mudança foi decidida para priorizar os trabalhos de manutenção das armadilhas. Segundo ele, os equipamentos dão um resultado mais efetivo do índice de infestação do mosquito do que o LIRAa.

“As mil armadilhas, que são posicionadas em pontos estratégicos, possibilitam a atualização dos dados a cada semana, dando mais efetividade ao processo. Com o LIRAa não conseguimos isso, já que 15 dias depois de ser feito os dados podem mudar. Sendo assim, decidimos pela mudança e recebemos o apoio do Ministério da Saúde”, concluiu o coordenador do CCZ.

OUTROS DADOS
Em todo o estado de Minas Gerais, a situação também já é considerada alarmante. Ainda de acordo com o boletim da SES-MG, são quase 40 mil casos prováveis de dengue em todo o território estadual.

Três mortes pela enfermidade foram registradas e as vítimas tratam-se de residentes dos municípios de Medina, Itinga e Carneirinhos e 18 óbitos seguem em investigação.

Na última semana, o Ministério da Saúde informou que o Brasil contabiliza quase 200 mil casos de dengue e a quantidade de mortes passa de 30. O avanço dos números registrados está levando a criação de um comitê de operações de emergência para controle da disseminação das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, ou seja, dengue, chikungunya e zika.










 
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