28/03/2020 às 08h00min - Atualizada em 28/03/2020 às 08h00min

Impactos do coronavírus no esporte uberlandense

Para não perder o ritmo, atletas foram obrigados a readequar rotina e seguir com treinamentos em casa

IGOR MARTINS
CDDU montou esquema de treinos para minimizar impactos a paratletas | Foto: Divulgação/CDDU

Além de todos os prejuízos causados na esfera econômica, o coronavírus também impactou em mudanças no dia a dia de clubes e atletas de Uberlândia. Por conta da Covid-19, campeonatos têm sido encerrados ou suspensos por tempo indeterminado, e os esportistas que brigam por vagas e competições internacionais – a exemplo dos Jogos Paralímpicos de Tóquio – precisam lidar com uma nova rotina de treinamentos.

Os clubes uberlandenses foram afetados com as paralisações e encerramentos em suas respectivas competições. No voleibol, por exemplo, a Superliga Feminina de Vôlei e a Superliga Masculina B foram encerradas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Apesar de tudo, a decisão teve os avais do Dentil/Praia Clube e do Uberlândia/Start Química/Gabarito, com o objetivo de preservar a saúde e a integridade dos atletas e comissão técnica.

O time praiano teve a melhor campanha da primeira fase do torneio nacional, conquistando 20 vitórias em 22 partidas. De acordo com André Lelis, gerente de esportes do Praia, o encerramento antecipado não representou qualquer tipo de prejuízo ao clube, mesmo não contando com uma eventual premiação na Superliga.

A incerteza no momento da equipe auri-negra está na montagem do elenco para a próxima temporada. Segundo Lelis, o fato novo da quarentena não vai afetar as contratações em si, mas sim o tempo de conclusão da próxima equipe, uma vez que ainda não se sabe como serão os próximos meses na cidade em relação à Covid-19.

De qualquer maneira, André espera, mais uma vez, montar uma equipe capaz de brigar por todos os títulos que disputar. “A nossa expectativa é que façamos uma grande temporada e que consigamos todos os nossos objetivos. Um bom caminho é montar um grande elenco, comissão técnica competente, planejamento adequado e muito trabalho sério”, disse.

O planejamento do Dentil/Praia Clube passa pela divulgação do calendário internacional, que norteia a agenda de clubes no Brasil. Como a Superliga foi encerrada antecipadamente, o time uberlandense herdou uma vaga na Supercopa Brasil e vai disputar mais uma vez o Campeonato Sul-Americano de Vôlei.

Ainda de acordo com Lelis, as atletas praianas já foram liberadas pelo clube e a maioria delas está em Uberlândia, respeitando as orientações de quarentena e isolamento social.
 
ACESSO À ELITE
O novo coronavírus, apesar de todos os problemas, foi benéfico para o Uberlândia/Start Química/Gabarito. Isso porque o time garantiu o acesso à elite do vôlei após a Superliga B ter sido encerrada com o clube terminando na 2ª colocação geral.

O time comandado por Manoel Honorato também não teve prejuízos financeiramente, mas ainda precisa arcar com a folha de pagamentos no mês de abril, incluindo atletas e comissão técnica, além de contas de federação e confederação. Isso, entretanto, não vai afetar a montagem do elenco da Superliga A, segundo o treinador.

Com todos os atletas já liberados, Manoel disse que alguns atletas ainda estão na cidade devido aos transtornos causados pela Covid-19. Um deles é o mexicano Mário Castillo, que comprou passagem para o país natal para o dia 5 de abril, mas ainda não sabe se poderá retornar.


Uberlândia/Start Química/Gabarito disputará elite do vôlei em 2020/21 | Foto: Reprodução Facebook

A projeção de volta aos treinamentos é para o começo de junho, mas isso pode mudar de acordo com a evolução da doença não apenas em Uberlândia, mas em todo o país. “Daqui um mês vamos conversar com jogadores para começarmos o planejamento. Mas, tudo isso é variável. O nosso projeto se chama Vida & Vôlei, então precisamos preservar a vida antes de tudo e respeitar”, disse o técnico.
 
UEC
Os reflexos do coronavírus chegaram também ao futebol uberlandense. A Federação Mineira de Futebol (FMF) suspendeu o Campeonato Mineiro, seguindo a decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de paralisar todas as competições nacionais em decorrência da Covid-19.

Faltando duas rodadas para acabar a primeira fase, o estadual terminou com o Uberlândia Esporte Clube na 7ª colocação, brigando diretamente por uma vaga na série D de 2021. O clube, entretanto, orientou todos os atletas a continuarem se exercitando em casa, já que a suspensão da Federação é válida até 30 de abril, podendo ser novamente adiada ou até mesmo cancelada dependendo do quadro de infecções no estado de Minas Gerais.
 
PARALÍMPICO
Seguindo as orientações do Ministério da Saúde de isolamento social e quarentena, as entidades e atletas paralímpicos também precisaram alterar suas rotinas de treinamentos para seguirem na ativa. Fundadora do Clube Desportivo para Deficientes de Uberlândia (CDDU), Emilene dos Santos afirmou à reportagem que o clube suspendeu todas as suas atividades no dia 17, por tempo indeterminado.

Com atletas buscando vagas em competições nacionais e internacionais, foi preciso montar um esquema para que a perda da condição física, que será inevitável, seja pelo menos amenizada. “Os treinadores passaram exercícios para serem feitos em casa. Os atletas não podem ficar parados, precisam se exercitar todos os dias e os treinadores e o clube estão disponíveis para orientá-los no que for possível”, afirmou.

Sobre o fato de os Jogos Paralímpicos de Tóquio terem sido adiados, Emilene traz pontos positivos no que diz respeito à preparação apropriada para a competição. De acordo com ela, o fato de vários atletas não estarem em condições de treinarem adequadamente no momento e por tempo indeterminado faz com que eles precisem de um período ainda maior para retomarem as atividades normalmente.

“Os atletas não terão condições físicas de participar em alto nível. Os que já estão classificados ou que ainda têm alguma chance de conseguir uma vaga foram orientados a manter atividades básicas em casa para que possam retomar os treinamentos assim que possível”, disse Emilene.

Ainda de acordo com a fundadora do CDDU há diferenças entre os treinamentos realizados em casa que precisam ser consideradas, pois cada modalidade tem o seu material específico e que muitos deles não possuem, além do espaço físico que é cedido pela entidade. Um exemplo são os atletas de natação que precisam de uma piscina para treinar e os halterofilistas que não têm o banco oficial, barra ou anilhas para os seus treinos.

Quem está precisando se virar durante o período de quarentena é o paratleta Mauro Evaristo de Souza, da Associação dos Paraplégicos de Uberlândia (Aparu). Em fevereiro, o Diário acompanhou o treinamento da equipe que busca vagas nos Jogos de Tóquio.

Parado há quase duas semanas por conta da Covid-19, Mauro, que atua no arremesso de peso desde 2008, tem tentado dar continuidade aos treinamentos dentro de casa. Segundo ele, o momento para quem está tentando manter uma rotina é de improviso. “Tá tudo parado. Não tem nenhuma atividade. A gente tem que improvisar, mas é tudo feito dentro de casa, nem na rua a gente tá podendo ir. É um momento complicado, mas a gente entende e respeita pra preservar a saúde dos atletas”, disse.

Neste final de semana, Souza deveria estar em São Paulo em uma competição internacional que ajuda na classificação para os Jogos Paralímpicos. Mesmo frustrado com o atual momento, o paratleta acredita que o adiamento por parte do Comitê Olímpico Internacional (COI) foi a coisa certa a se fazer. “Tem os dois lados. Eu vou ter mais tempo para me preparar e tentar uma vaga. Mas, ao mesmo tempo, a idade está chegando, tenho 56 anos. Isso pode ser pior por termos feito um bom trabalho e tudo ter sido adiado”, afirmou.






 
 
 
 
 

 
 
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