11/02/2020 às 18h02min - Atualizada em 11/02/2020 às 18h02min

Cursos técnicos são alternativas para qualificação e recolocação profissional

Senai aponta que 70% dos profissionais conseguem emprego após formação; veja cursos oferecidos em Uberlândia

SÍLVIO AZEVEDO
Senac oferece cursos para seis áreas de atuação em Uberlândia | Foto: Divulgação
Com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, ter qualificação pode significar chances melhores. Para isso, muitas pessoas têm buscado cursos rápidos e de custos menores visando uma recolocação profissional, seja para mudar de área ou para sair da lista dos desempregados. Uma pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) revela que profissionais que fizeram cursos técnicos têm, em média, uma renda 18% maior do que pessoas com perfis socioeconômicos semelhantes que concluíram apenas o ensino médio regular.

A conclusão do curso técnico leva, em média, dois anos e essa rapidez, associada à metodologia que trabalha mais prática que teoria, faz com que todos os anos milhares de profissionais se formem e encontrem um mercado de trabalho com as portas abertas. Em média, 70% dos alunos já saem empregados, segundo o Senai.

Assistente social de formação e terminando o curso técnico em estética, Alessandra Aparecida Caetano Silva, 46, buscou uma oportunidade para trabalhar como autônoma já que o marido é transferido a cada três anos. “Com essa rotatividade, ter uma profissão autônoma era mais interessante. Eu trabalhava em Itumbiara (GO) e me mudei para cá [Uberlândia]. Não busquei outro emprego, decidi fazer o curso técnico para trabalhar como autônoma. A razão é tentar algo que pudesse montar o meu próprio negócio, que inclusive já montei”. 

A oportunidade de iniciar na carreira solo apareceu e hoje Alessandra recebe o suporte dos professores para atuar na profissão. “Aluguei uma sala em um espaço estético. Com um mês que eu estava no local, a pessoa quis vender todos os aparelhos e comprei tudo. O mercado é interessante. Tem uma busca muito grande”.

Já o mecânico industrial Reginaldo Emidio Soares, 44, encontrou no curso técnico uma oportunidade de conseguir emprego. E isso há 24 anos. “Eu decidi fazer o curso técnico em 1996, pois estava desempregado e soube que tinha uma vaga de ajudante de mecânica em uma empresa aqui na cidade. Fiz a inscrição no curso técnico, concorri à vaga e consegui a oportunidade”.

Foram 21 anos de empresa colocando em prática o que aprendeu no curso técnico feito na Escola Estadual Américo René Giannetti, entre 1996 e 1997. “Para mim foi muito bom porque comecei a fazer o curso, entrei no mercado de trabalho e nunca fiquei desempregado de lá para cá. Trabalhei 21 anos nessa empresa, que fechou. Fiquei dois meses sem trabalhar e logo voltei para o mercado, onde estou há três anos”, disse Reginaldo.

O mecânico ainda estimula outras pessoas sobre a importância de procurar qualificação por meio de cursos técnicos.

 
“Recomendo fazer. Inclusive incentivei um colega de trabalho que atuava na produção como operador de máquina a fazer o curso técnico e está trabalhando junto com a gente na mecânica hoje. É uma oportunidade a mais de serviço para os dias atuais em que emprego está complicado".

Oferta de cursos técnicos
Em Uberlândia, uma das instituições que ofertam cursos técnicos é o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Segundo a coordenadora pedagógica do Senac-MG na cidade, Andreia Sousa, são seis áreas de atuação formando, em média, 250 profissionais por ano. “As turmas são pequenas, que é nossa diferencial. Uma turma por turno anual. São em média 1,1 mil alunos matriculados em todos os cursos”.

Andreia reforça que o modelo de estudo, focado na prática, faz com que alunos de graduação busquem os cursos técnicos para aperfeiçoar o aprendizado. “Esse é outro diferencial do curso técnico. Tenho alunos que fazem graduação e buscam a prática aqui. Proporcionamos isso a eles. Temos laboratórios, insumos, tudo fornecido pelo Senac”.

Dentre os cursos oferecidos no Senac, o de estética é o mais procurado, seguido pela enfermagem. Como as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a saúde e com a estética, a quantidade de profissionais ainda não consegue atender a demanda do mercado, explicou a coordenadora pedagógica.

 
“O técnico em estética faz o salário dele, pois trabalha como autônomo. Depende da disponibilidade e área de atuação. Na enfermagem, muitos enfermeiros fazem o técnico por causa da empregabilidade. Mal saem do estágio e já estão com emprego garantido”.

Para facilitar a busca por vagas de emprego ou de mão de obra, no caso das empresas, o Senac tem o Rede de Carreiras, plataforma online que conecta candidatos às oportunidades de trabalho. Professora nos cursos da área de gestão, Rosália Cavechia encontra alunos com perfis profissionais diferentes, uns buscando primeiro emprego, outros retornando ao mercado de trabalho, mas muitos com vontade de crescer dentro da profissão.

“Os alunos que ingressam em um curso técnico têm o objetivo da empregabilidade. Alguns tendem a vir com a visão que rapidamente estarão no mercado e outros buscam capacitação para aumentar as chances de uma promoção no trabalho”.

Outra plataforma para quem busca oportunidades no mercado de trabalho é o Mundo Senai. No site, a entidade oferece orientações para quem ainda não sabe a área que pretende atuar, além de dados informativos sobre salários e contratações.

O Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) também está na lista de instituições que oferecem cursos técnicos. Ao todo são 48 cursos e mais de 1 mil vagas distribuídas nos dois campi e na Escola Técnica de Saúde da Universidade Federal de Uberlândia.

Mapa do Trabalho Industrial
Realizado para ajudar na oferta de cursos do Senai, o Mapa do Trabalho Industrial indicou que Minas Gerais precisa qualificar quase 1,2 milhão de trabalhadores, entre 2019 e 2023, em ocupações industriais nos níveis superior, técnico, qualificação e aperfeiçoamento.

Os setores que mais demandarão profissionais com formação técnica no estado são metalomecânica, eletroeletrônica, energia e telecomunicações e construção. São áreas em que os trabalhadores deverão ter qualificação transversal, ou seja, trabalham em qualquer segmento como técnicos em eletrotécnica e técnicos de controle da produção.

O Mapa do Trabalho Industrial é elaborado a partir de cenários que estimam o comportamento da economia brasileira e dos seus setores, projetando o impacto sobre o mercado de trabalho e a demanda por formação profissional industrial. As projeções são desagregadas no campo geográfico, setorial e ocupacional, e servem como parâmetro para o planejamento da oferta de cursos do Senai.



Fonte: Mundo Senai 











 
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