23/01/2020 às 15h15min - Atualizada em 23/01/2020 às 15h15min

Cirurgia para tratamento de Parkinson é feita pela 1ª vez em Uberlândia

Procedimento foi realizado pelo hospital Uberlândia Medical Center (UMC); objetivo é diminuir os sintomas motores no paciente

DA REDAÇÃO
Paciente que foi operado recebeu alta no domingo (20), ficando cerca de 24 horas internado após a cirurgia | Foto: Divulgação
Uma cirurgia inédita voltada para o tratamento contra a doença de Parkinson, com o objetivo de diminuir os sintomas motores no paciente, foi realizada pela primeira vez na cidade no último sábado (18), segundo as informações do hospital Uberlândia Medical Center (UMC), que realizou o procedimento. 

A intervenção cirúrgica consiste na implantação cerebral de um eletrodo, algo como um fio isolado de pouco mais de um milímetro de diâmetro, que possui uma ponta com quatro contatos. Cada um desses contatos pode ser ligado ou desligado, moldando uma espécie de nuvem elétrica no cérebro para estimular a região doente sem interferir com as regiões vizinhas.

A outra extremidade do eletrodo é conectada a um fio extensor, escondido sob a pele, por trás da orelha, que vai até abaixo da clavícula na região peitoral, onde é implantado um pequeno gerador com bateria.

De acordo com a unidade hospitalar, o procedimento foi realizado por uma equipe multidisciplinar, liderada pelo neurocirurgião Bruno Burjaili. O médico esclareceu que o objetivo principal da cirurgia foi diminuir o tremor e outros sintomas do Parkinson, que afetam de maneira intensa os pacientes.

“Quem não tem a doença sempre se lembra do tremor, mas quem a tem sabe que, muitas vezes, também são importantes a lentidão dos movimentos, que chamamos de bradicinesia, e a rigidez. Alguns pacientes também desenvolvem discinesia, isto é, um excesso de movimentos, semelhantes a uma serpente ou a uma dança”, disse.

O paciente que foi operado recebeu alta no domingo (20) à noite, ficando cerca de 24 horas internado após a cirurgia. “Em geral, são quatro pequenas cicatrizes, três na cabeça e uma abaixo da clavícula”, detalhou o médico.

A realização dos estímulos elétricos continua no consultório, por um aparelho que consegue controlar a bateria por ondas que passam pela pele, sem contato direto. “No retorno ao consultório, buscamos aumentar os estímulos elétricos através da bateria, testando qual tipo de contato ou intensidade do estímulo será melhor para o paciente. O objetivo é melhorar a qualidade de vida ao reduzir seus sintomas. É comum conseguirmos, com o neurologista clínico que acompanha o paciente, diminuir a quantidade de medicamentos utilizados”, destacou o neurocirurgião.

A realização do procedimento depende de uma avaliação da condição do paciente, sendo que um dos critérios é ter no mínimo cinco anos de diagnóstico da doença. O neurocirurgião Bruno Burjaili assinalou ainda que é necessário passar por um protocolo que envolve a Neurologia Clínica, a Neurocirurgia e Neuropsicologia, com ampla participação da família.








 
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