23/01/2020 às 10h07min - Atualizada em 23/01/2020 às 11h42min

Abertura de empresas teve saldo positivo em 2019

Foram 3.205 aberturas ante 2.203 fechamentos nos últimos doze meses em Uberlândia

SÍLVIO AZEVEDO
Expectativa de crescimento econômico tem permitido novos investimentos | Foto: Divulgação

Quando o bancário Jean Kallel Talles viu uma possibilidade de abrir a franquia de uma empresa no ramo de alimentação no Center Shopping, em Uberlândia, não pensou duas vezes. Era hora de garantir uma independência financeira.

“Já pensava em abrir um negócio para mim, porque hoje sou bancário e com a experiência que tenho trabalhando no setor de empresas, conheço o mercado de Uberlândia e região. Vi esse produto durante uma viagem de férias e percebi que não tinha na região e investi. Foi mais para ter uma liberdade financeira, um plano B, porque no mercado, uma hora ou outra a gente pode perder o emprego”.

E a experiência trabalhando em uma instituição financeira ajudou bastante na hora de buscar uma franquia que desse resultado esperado. “Como trabalho em banco tenho noção de mercado financeiro e como está a economia. E os próprios analistas do Itaú veem uma perspectiva de crescimento na economia, do PIB, confiança dos investidores. Então eles têm uma noção e projeção, que peguei a meu favor”.

O sucesso da loja fez com que Jean abrisse uma outra empresa da mesma franquia no Uberlândia Shopping. “Aproveitei a oportunidade e está dando certo. A perspectiva de aumentar o faturamento. Muita gente ainda não conhece o produto e quem já conhece está voltando. O produto pegou mesmo. Seis meses depois eu abri no Uberlândia Shopping”.

A história de Jean é apenas uma entre várias pessoas que decidiram empreender em Uberlândia no ano passado. Dados da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg) mostram que 2019 terminou com 3.205 empresas constituídas contra 2.203 extintas na cidade, gerando um saldo positivo de 1.002, ou seja, 335 empresas a mais que o mesmo período de 2018.

O destaque ficou por conta do mês de setembro, com 313 aberturas e 169 fechamentos, um saldo positivo de 144 empresas. Já o contraponto veio com novembro, que registrou 210 aberturas ante 212 fechamentos, saldo negativo de duas. Para o mestre em economia e doutorando em economia pela UFU Cesar Piorski, existe um descolamento da economia de Uberlândia com a nacional, já que 2018 fechou com uma queda no saldo de abertura de empresas e em janeiro de 2019 já começou a aumentar, chegando a 108 em fevereiro, sendo que o PIB do país teve uma pequena queda.

Ainda para Cesar, o saldo é positivo muito pelo surgimento de micro empreendedores individuais, que muitas vezes não têm uma vida útil muito grande, descolados do ciclo econômico. “Os empregos gerados são os que chamamos de ‘empreendedores por necessidade’, porque são descolados do ciclo econômico. Não faz sentido investir numa economia que não cresce ou não tem perspectiva de crescimento. E foi justamente o que aconteceu. O emprego diminuiu, a geração de salário e, consequentemente, a formação do consumo foi degradando cada vez mais e o número de empresas teve salto vertiginoso”.

Os dados apresentados pelo economista mostram outra mudança no cenário na relação entre empregos e empresas. “Se observar, entramos em uma nova trajetória onde o MEI está sendo expurgado do mercado. Mas o fundamento para afirmar está no crescimento do PIB mensal e o saldo de emprego começou a recuperar. O emprego recuperando, as empresas diminuíram bastante e o MEI voltando ao mercado de trabalho”.

Para o presidente do Sindicato das indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Uberlândia (Sindmetal), João Pelegrini, está havendo um fortalecimento da economia com a confiança na mudança política no país.

“Com o atual governo, nós tínhamos uma perspectiva de melhora em 2019, que é o que todo empresário e empreendedor sonham. Passou o ano aos trancos e barrancos e começou a aparecer a moralização do país. Estamos num caminho do bem”.

Ainda segundo Pelegrini, a expectativa de crescimento econômico acaba encorajando os empresários a realizarem novos investimentos. “A gente já vê um horizonte. Em um ano tem perspectiva de melhora, de querer investir em alguns negócios novos. Isso não existia nos últimos anos, mas no ano de 2020 já tem três grandes negócios que a gente, como empresa, começou a estudar e planejar”.













 

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